A magia de Hoje é Dia de Maria

Adoro séries com temas reais, que mostram o mundo do jeito que conhecemos, o nosso dia a dia cinzento de sempre. Mas confesso que tenho um apreço especial por aqueles programas mais calcados na fantasia. Fábulas que transportam a nossa realidade nua e crua para uma ótica totalmente fantástica. Não que ali não apareça a dureza do mundo, aparece sim, e às vezes de forma aterrorizante. Mas na alegoria até a vida mais sofrida ganha toques de poesia.

 

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Existem muitos exemplares no mundo que se apresentam dessa forma – O Labirinto do Fauno não é série, mas representa bem esse tipo de narrativa – e aqui no Brasil o representante do segmento fantástico atende pelo nome de Luis Fernando Carvalho. Ele nos toruxe clássicos como Capitu e a linda novela Meu Pedacinho de Chão, mas foi com o seu primeiro trabalho fantástico, a surpreendente Hoje é Dia de Maria, que ele ganhou nosso coração.

Com apenas duas temporadas e 13 episódios, Hoje é dia de Maria ganhou status de minissérie, e começou sua pequena e maravilhosa jornada no dia 11 de janeiro de 2005. Ainda lembro desse dia, e como meus olhos brilharam assim que a série começou. Me senti transportada para aquele sertão lírico, onde tudo era de brinquedo, inclusive os animais e os personagens – recurso que foi usado também em Meu Pedacinho de Chão.

 

 

A minissérie é baseada na obra de Carlos Alberto Soffredini, e conta a história da órfã de mãe Maria, que mora com o pai ingênuo e desiludido (Osmar Prado), e com a madrasta super má, vivida por uma Fernanda Montenegro, mais do que inspirada. Cansada do inferno que vive em casa, e da “secura” do Sertão, Maria foge em busca das franjas do mar, e faz um longo passeio pelos contos populares brasileiros.

Em sua viagem ela é amparada por Nossa Senhora da Conceição. Mas ao defender o amigo Zé Cangaia do demônio Asmodeu, que queria lhe comprar a sombra, Maria acaba desafiando o Diabo, que lhe rouba a infância. Nessa hora sai de cena a maravilhosa Carolina Oliveira, e entra Letícia Sabatella, que deixa a ingenuidade para trás, e vive um grande amor com o personagem vivido por Rodrigo Santoro. Que durante a noite é um homem, e durante o dia é um pássaro, que aliás, sempre acompanhou Maria pelas suas andanças. Na segunda temporada, que foi transmitida em outubro do mesmo ano (2005) Maria conhece a violência do mundo ao se ver sozinha na cidade grande. Uma fábula nada inocente, mas nem por isso menos linda.

 

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Hoje é Dia de Maria traz uma história relativamente simples, contada de um modo surpreendente. Ao transformar a trajetória de Maria em uma alegoria da vida no Sertão nordestino, cheio de mistérios e magias, e apostando em uma fotografia e direção de arte nunca antes vista em qualquer produção tupiniquim, Luis Fernando Carvalho conseguiu transformar sua obra em algo imortal. Em um produto para todos os públicos, e que fica para sempre na memória.

E se você ainda não viu essa obra incrível – ou tem preconceito com produtos feitos no Brasil – saiba que está perdendo uma das coisas mais lindas que você terá a chance de ver na vida.

Para finalizar, deixo com vocês a música preferida de Maria, onde é possível ter uma ideia da simplicidade e da grandiosidade dessa obra única. Já bateu a vontade de assistir de novo!

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Letícia Bastos

Letícia Bastos

Publicitária, social media, mangaká e dançarina em protestos. Também sou apaixonada por séries e admito que novelas são meu Guilty Pleasure. Apaixonada por comédias cult/pop/nerd, ainda pretendo fundar uma seita para os Adoradores de Arrested Development. Aqui no Mix sou editora de Realitys Show e escrevo as reviews de todos os realitys do mundo, como Masterchef BR, The X Factor UK e BR, The Voice US, AUS e BR, BBB e RuPauls Drag Race.

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