A moda de revivals e reboots: falta criatividade na TV?

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Somos os fãs mais feliz da TV. Há quase um ano foi anunciado o retorno de Twin Peaks que, mesmo com todos os problemas para sair, terá David Lynch na direção de todos os novos episódios. Arquivo X retornou para uma décima temporada na hora certa, vivendo a tecnologia desta década, bem diferente de quando a série terminou. Fuller House e Gilmore Girls retornarão magicamente na Netflix, com o mesmo elenco e mais uma chance de terminar as histórias magicamente.

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No entanto, nem tudo é animador quando o assunto é remakes, reboots e sequências / prequels. Muitos devem ter se perguntado que série era Coach quando a NBC anunciou uma nova temporada para a comédia, ou ficaram receosos com a volta de Heroes. E esses tipos de produções não param de surgir, virou tendência. Rebootsrevivals e adaptações são cada vez mais frequentes nas mesas das emissoras americanas, mas, nesta pilot season, a coisa saiu do controle.

Independente do motivo por trás dessa tendência, a reação é geralmente a mesma: surpresa, seguido por um discurso sobre como não há ideias originais e que a indústria está apenas lucrando com a nostalgia. E sabe de uma coisa? Concordo, até certo ponto. Eu prefiro viver em um mundo onde talvez nem tudo seja baseado em outra coisa, onde os riscos são tomadas com mais frequência. Mas também sei que há mais conteúdo original por aí do que nunca, que a TV é melhor do que jamais foi, e que talvez revivals não sejam tão ruins assim.

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Claro, é mais fácil para justificar o renascimento de um drama do que uma comédia. No caso de The X-Files e Twin Peaks, seus mundos estão cheios de elipses e espaços em branco, à espera de uma resposta. Hesitações sobre qualidade e exageros à parte, é mais fácil justificar uma viagem de volta para esses tipos de shows. Quando se trata de comédia, porém, as pessoas, inclusive eu, tendem a ter mais reservas. Há uma esperança para rever o elenco e a equipe originais juntos para fazer algo engraçado. Às vezes, boas cenas são falhas por um roteiro ruim e, outras vezes, acontece o contrário. Às vezes, mesmo com grandes pessoas por trás e na frente das câmeras, uma piada vai virar um ponto de interrogação.

Nessa era onde nenhum programa de televisão está realmente finalizado – se considerar as canceladas Community e The Mindy Project, que ganharam mais uma chance no streaming – há um sentimento reconfortante. Se estas condições existissem há quinze ou dez anos atrás, Dawson’s Creek ganharia mais duas temporadas no Hulu. O fato é: Twin Peaks, X-Files e, a mais esperada para este mês, Fuller House, compartilham de uma programação repleta de shows que foram inspirados em seus modelos. De uma forma ou de outra, parece uma justa recompensa. Quem não gostaria de ver um futuro que ajudou a criar?

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Por outro lado, se revivals e reboots são o nosso futuro, vamos tentar encontrar o lado bom disso tudo. Nem todos terão a mesma qualidade do original, mas têm o potencial de serem adições criativas e originais para a programação da TV. Idealmente, uma série de televisão deve trabalhar como uma máquina de movimento perpétuo. O criador pode só ter ideias suficientes para durar uma ou duas temporadas quando a série se inicia, mas desde que continue a ser rentável, a rede normalmente a renova. Desse modo, os escritores acabam pensando em novas maneiras de levar o show a frente, na esperança de ainda mais renovação até que a série pare de funcionar e seja cancelada. Em outras palavras, pode ser difícil contar uma história completa quando há sempre a possibilidade de um outro capítulo.

A coisa bacana sobre muitos desses revivals é que, enquanto as redes planejam bastante antes de aprová-los, eles ainda são uma aposta. Vários deles recebem ofertas de “série limitada” ou uma “série eventual”, e uma temporada funciona sem garantias de mais episódios além do que foi encomendado. Por causa disso, os escritores criam roteiros mais focados, talvez contando uma única história, que pode ficar para além da série que a precedeu. É mais ou menos o que Arrested Development fez com sua quarta temporada. Com 15 episódios, Mitch Hurwitz estruturou em torno de um evento e mostrou o que cada Bluth fez até chegar aquele ponto.

Há espaço para todos esses revivals e muito mais no mercado atual. É bem fácil lançar qualquer tipo de novo show nos dias de hoje, dada a quantidade esmagadora de opções que o público tem, mas uma marca reconhecível dá uma enorme vantagem sobre um show totalmente novo, mesmo se o novo formato for sensivelmente melhor. A nostalgia é poderosa, mas também torna as coisas mais fáceis.

Não dá pra mentir. A gente fica animado com notícias relacionadas a Twin Peaks ou selfies de Gillian Anderson com a cor do cabelo de Dana Scully. E se a DC Comics quiser reviver Smallville com o sucesso de Supergirl, envolvendo a relação de Clark Kent com sua prima, muita gente ficaria de boca aberta. Mas histórias chegam a um fim – às vezes como planejado, às vezes abruptamente – e isso faz parte do ciclo de vida da televisão desde que ela existe. Esta estranha e maravilhosa expansão do universo da TV significa que séries finalizadas não necessariamente tem que ficar só na memória, mas será que vamos ficar sempre animados quando essa “TV ressuscitada” virar uma regra?