Estreando no Prime Video em 10 de setembro, A Namorada Ideal (The Girlfriend) entregou em seis episódios uma trama repleta de suspense psicológico, segredos perturbadores e uma batalha mortal entre sogra e nora. O desfecho, como prometido, foi intenso, trazendo morte, revelações do passado e a possibilidade de uma nova temporada.
Laura x Cherry: o embate final
O clímax coloca Laura (Robin Wright) e Cherry (Olivia Cooke) em confronto direto. Depois de passar a série inteira desconfiando das intenções da jovem — e em muitos momentos assumindo um papel mais de amante do que de mãe na vida do filho — Laura tenta matar a namorada de Daniel (Laurie Davidson).
A cena se torna ainda mais cruel quando Daniel, sob efeito de medicamentos, chega ao porão e vê a mãe tentando afogar Cherry. Num instinto de proteção, ele separa as duas, mas acaba empurrando Laura de volta para a água. Sem perceber, mantém a mãe submersa tempo demais e a mata.
A morte de Laura é trágica por vários motivos: Daniel carrega agora a culpa de ter matado a mãe que tanto idolatrava, mesmo que ela fosse emocionalmente abusiva, e, ao mesmo tempo, fica preso a Cherry, uma parceira perigosa, manipuladora e cheia de segredos.

O passado sombrio de Cherry em A Namorada Ideal
Se Laura via Cherry como uma “caça-fortunas”, o final mostra que a verdade é ainda mais complexa. Revelações feitas pela mãe de Cherry expõem que ela tem um histórico de violência desde a infância: já teria atacado colegas por motivos banais e até provocado a morte de um rapaz que a rejeitou em um baile.
Além disso, descobrimos que foi Cherry quem causou o acidente que deixou seu pai incapacitado. Ela o confrontou por tê-la abandonado e, em um ato de raiva, o empurrou, assumindo frieza e cálculo em vez de arrependimento.
Esse histórico deixa claro: Cherry é muito mais perigosa do que aparenta.
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Dinheiro, obsessão e manipulação
Um dos maiores conflitos da trama era a dúvida: Cherry estaria com Daniel apenas por interesse? A série sugere que não. Embora ela use o dinheiro dele em algumas situações, na maior parte do tempo tenta se provar por conta própria — até se endividando para impressioná-lo.
Laura, por outro lado, mostrava sinais evidentes de um relacionamento incestuoso-emocional com o filho. A forma como tratava Daniel, os toques, a necessidade de atenção e até beijos na boca ultrapassavam os limites maternos. Nesse sentido, A Namorada Ideal mistura dinâmicas Oedipais e Jocastais, com mãe e filho presos em um laço doentio.

A última cena e o gancho para uma possível 2ª temporada
O final mostra Cherry grávida de Daniel, prestes a dar à luz. Agora que ele conhece o lado mais sombrio da esposa, a série deixa uma porta aberta: como Daniel lidará com Cherry, sabendo do seu passado e temendo pelo futuro do filho?
Uma possível 2ª temporada poderia explorar:
- Daniel tentando escapar do casamento com uma mulher cada vez mais controladora.
- Cherry usando o bebê como ferramenta de manipulação.
- A repetição do ciclo de violência e obsessão, agora com a próxima geração em jogo.
O significado de “Everybody Supports Women”
A música de Sophia Isella, repetida ao longo da temporada, resume a essência da disputa: “Everybody supports women until a woman’s doing better than you.” Tanto Laura quanto Cherry dizem apoiar mulheres, mas na prática travam uma guerra para dominar Daniel — movidas por inveja, ciúme e desejo de controle.
O final de A Namorada Ideal amarra a história em torno de um crime acidental, mas não traz conforto. Daniel, marcado pela culpa, está agora preso a Cherry e ao futuro incerto de sua família. O desfecho é fechado o suficiente para funcionar como minissérie, mas o gancho da gravidez deixa espaço para uma continuação ainda mais sombria.
Resta a pergunta: Daniel vai conseguir se libertar de Cherry ou está condenado a repetir com ela o ciclo de dependência que viveu com Laura?