A originalidade de Agente da U.N.C.L.E.

The Man From UNCLE

The Man From UNCLE

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Numa época em que a TV tinha um poder de influência massivo e único no espectador, e foi determinante na significação da Guerra Fria e da imagem do outro dentro dos Estados Unidos, um agente da CIA lutando ao lado de um oficial da KGB com certeza chamaria atenção.

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Esse é The Man From U.N.C.L.E. – que foi trazido para o Brasil como O Agente da U.N.C.L.E. – série que foi exibida de 1964 a 1968 na NBC, que se tornou uma das referências quando o assunto é drama de espionagem. Produzida pela Metro-Goldwyn-Mayer, foi criada por um dos maiores nomes do gênero, Ian Fleming, a mente por trás de James Bond.

Agente da UNCLE 2A atração acompanha o agente americano Napoleon Solo (Robert Vaughn) que terá de trabalhar ao lado do russo Illya Kuryakin (David McCallum) para deter a organização criminosa T.R.U.S.H., cujo plano principal era dominar o mundo. Parece clichê, toda vez que se fala em filmes/ séries de espionagem, o vilão quer dominar o mundo, e esse era o objetivo de The Man From U.N.C.L.E.. Da mesma forma que juntar dois homens de lados opostos da ordem bipolar parecia uma ideia fora do comum, a série usava do bom humor para ironizar as diversas produções centradas em espionagem.

A começar pela composição da U.N.C.L.E., cuja sigla significa United Network Command for Law and Enforcement. Diferente da MI6, da CIA e outras agências popularizadas nas telas, os agentes da U.N.C.L.E. pertenciam a diversas partes do globo. Para completar, o foco dos episódios era nos “inocentes”, como forma de aproximar a trama do público – fórmula que permaneceu durante as quatro temporadas. A primeira temporada criou uma atmosfera onde a realidade se misturava com a fantasia da espionagem, e Sam Rolfe, co-criador da série, brincou com a literatura do gênero em cada episódios.

A série também tinha sua veia de suspense, substancialmente relacionada com o filme Intriga Internacional de Alfred Hitchcock, onde um homem inocente é confundido com um agente secreto, e uma misteriosa organização o persegue pelo país. Outro elemento fundamental foi o toque de realidade. Mesmo navegando entre a fantasia e o mundo possível, Rolfe fez tudo parecer tangível, como tiroteios entre a U.N.C.L.E. e a T.R.U.S.H. no meio da rua, ou em um cinema lotado.

 

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Mesmo com as sucessivas mudanças de direção após a primeira temporada, The Man from U.N.C.L.E. influenciou diversas outras produções a partir de 1966, incluindo o hit da ABC Batman, e gerando um spinoff em 1966, The Girl from U.N.C.L.E.. A atração também rendeu histórias em quadrinhos e filmes para a TV. A pegada mais puxada para o pastelão, a partir da terceira temporada, foi o último prego no caixão da série, que perdeu grandes números de audiência.

 

Agente da UNCLE

 

Quase 50 anos depois, em outro momento da História, Napoleon Solo e Illya Kuryakin se unem mais uma vez para salvar a Terra, desta vez nas telonas. Outro nome influente foi responsável pela adaptação, Guy Ritchie, que fez de Sherlock Holmes um nome relevante de novo. The Man from U.N.C.L.E., que estreou no dia 3 de setembro aqui no Brasil, não se trata de uma atualização e muito menos de uma leitura dinâmica da atração televisiva.

Ritchie criou um universo particular sob a obra de Fleming e Rolfe, usando das suas já conhecidas técnicas para reacender a chama da espionagem na telona. Uma prova da particularidade do filme é a abordagem de como os dois agentes se conheceram, o que nunca foi mostrado na televisão.

Agente da UNCLE Com Henry Cavill e Armie Hammer nos papéis principais, a dinâmica de Solo e Kuryakin é única nesta nova versão. O humor também está lá, e é um dos diferenciais de O Agente da U.N.C.L.E. em relação a outros títulos que chegaram ou chegarão ao cinema neste ano, como 007 Contra Spectre, ou A Espiã Que Sabia de Menos. A ação também está lá, com os dois agentes correndo contra o tempo para impedir que armas nucleares causem um grande estrago no mundo.

Um elemento de destaque é a mulher, que não faz mera figuração enquanto a figura masculina tenta salvar o dia. Com Elizabeth Debicki no papel de Victoria Vinciguerra, e Alicia Vikander como Gaby Teller, o filme conta com um lado mais sofisticado porém voraz e corajoso. Gaby, que é filha de um cientista alemão, se une aos dois para combater o mal, mas acaba de encantando por Kuryakin, e esse é um dos pontos chaves. Mesmo lutando por um motivo bem maior, eles têm espaço para desenvolver uma humanidade – com pitadas bem sensuais.

O visual totalmente inundado nos anos 60 dá um charme á produção, que também conta com uma trilha sonora de primeira – fator que foi destaque na versão televisiva. Ainda com Hugh Grant, Jared Harris e Christian Berkel, O Agente da U.N.C.L.E. mostra uma força incomum através de seu bom humor, e assim captura bem a essência de uma série que se tornou um ícone da cultura pop, mas que ficou esquecida pelas grandes produções amplamente fictícias, criadas para encantar mais que entreter. E tem mais: esse é só o pontapé inicial.

Equipe Mix

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1 comment

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  1. Anderson Narciso
    Anderson Narciso 11 setembro, 2015 at 11:44 Responder

    Gostei do filme. Achei um pouco conflituoso no início, mas é mal do Guy. A direção dele peca as vezes em algumas coisas. Entretanto o filme deslancha e como um todo curti. Será que vai virar franquia?

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