A Roda do Tempo, a série de fantasia da Amazon Prime Video baseada nos livros de Robert Jordan e Brandon Sanderson, tem se destacado não apenas por seu mundo rico e narrativa épica, mas também por sua abordagem à representação LGBTQ+. Em entrevista ao The Hollywood Reporter, o showrunner Rafe Judkins falou sobre suas inspirações, frustrações com a fantasia tradicional e como a série busca trazer uma representação mais autêntica.
Das Páginas de Tolkien para A Roda do Tempo
Judkins cresceu imerso no mundo da fantasia clássica, com O Hobbit e O Senhor dos Anéis sendo lidos por seu pai antes de dormir. “Eu tinha pesadelos com o Gollum. Eu amava…“, brincou. No entanto, ele sentia que algo faltava nesses universos—até descobrir A Roda do Tempo.
Foi sua mãe quem apresentou a ele os livros de Jordan. Ambos, criados na Igreja Mórmon, encontraram nas histórias um reflexo de suas próprias lutas—ela como uma figura feminista dentro de uma estrutura conservadora, e ele enquanto se descobria gay. “Nós nos vimos nesses livros. Isso foi diferente para mim do que eu tinha visto antes na fantasia“, afirmou.
Representação LGBTQ+ na Fantasia: Uma Mudança Necessária

Judkins expressou frustração com a forma como relacionamentos queer eram retratados em outras séries do gênero. “Tenho amigos queridos que trabalharam em Game of Thrones, e adoro a série, mas muitas vezes sentia que a representação queer era sempre ‘diferente’, marginalizada“, disse.
Em A Roda do Tempo, ele e sua equipe buscaram mudar isso. “Tentamos conscientemente não fazer nossa representação queer parecer ‘outra’. Moiraine e Siuan, por exemplo, escondem seu relacionamento, mas não porque são lésbicas—é por questões políticas e de poder.”
Do Código dos Livros para a Explicitação na Série
Os livros originais, escritos nas décadas de 1990 e 2000, tratavam de relacionamentos queer de maneira velada. “Era sempre ‘amigas de travesseiro’, nunca ‘lésbicas’. Mas estava tudo lá“, explicou Judkins. “Para mim, era importante trazer isso à tona na série de forma clara.“
Ele destacou que adaptar uma obra também significa atualizar seu contexto. “Nosso trabalho como artistas é dar vida à história, não apenas palavra por palavra, mas também ao seu espírito. E o contexto dos anos 90 é muito diferente de hoje.“
O Futuro da Série

Com as duas primeiras temporadas já disponíveis na Prime Video e novos episódios da terceira em exibição, A Roda do Tempo continua a expandir seu universo—não apenas em escala épica, mas também em representação e profundidade emocional. Para Judkins, a série é tanto uma homenagem aos livros que o inspiraram quanto uma oportunidade de corrigir as lacunas que ele sentia na fantasia.
E, assim como a Roda gira, a história segue em frente—levando consigo não apenas batalhas e profecias, mas também personagens que, finalmente, podem se ver refletidos de forma verdadeira.