A surpreendente 'Flesh and Bone'

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Flesh and Bone chegou de mansinho. Produzida pelo Starz, canal americano a cabo que não possui o mesmo prestígio e audiência que uma HBO ou AMC, a produção recebeu um tratamento pouco cuidadoso por parte do canal. Para começar, o projeto surgiu como série, mas em seguida foi tratada como minissérie, já que o canal considerou a história pouco abrangente, o que impossibilitaria a produção de várias temporadas. Além disso, os oito episódios produzidos foram disponibilizados integralmente na internet no dia da estreia do piloto na televisão.

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O resultado: Flesh and Bone é, indubitavelmente, uma das melhores coisas da TV em 2015. Passados os oito excelentes capítulos produzidos, a impressão que fica é que a produção renderia, pelo menos, mais duas temporadas. Repleta de personagens interessantes e situações originais e envolventes, Flesh and Bone teria fôlego para se tornar um poderoso drama. Em uma indústria que pouco arrisca, o projeto ficou limitado. De qualquer forma, o resultado final é praticamente impecável, e não perde tempo com discursos vazios ou tramas fracas, com o tempo que tinha, o programa logo atingiu um ritmo alucinante.

O que não deixa de ser curioso, afinal, como uma minissérie sobre balé pode ser alucinante. Bem, se você já assistiu ao filme Cisne Negro, sabe que o universo desta arte é complicado e até mesmo aterrorizante. Flesh and Bone segue essa mesma abordagem, revelando o balé como uma indústria sangrenta. Moira Walley-Beckett (uma das melhores roteiristas de Breaking Bad, autora do episódio Ozymandias) e seus roteiristas não amenizam o relato, pelo contrário, expõem os bastidores de forma crua e sem rodeios. Se a brasileira Verdades Secretas trouxe um cenário chocante sobre os bastidores do mundo da moda, espere pra ver o que Flesh and Bone faz pelo do balé.

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Hay e Daniels: destaques do elenco

Para viver as intensas tramas da minissérie, o elenco foi escolhido a dedo: a grande maioria dos atores e atrizes são, também, dançarinos profissionais. A própria protagonista, Sarah Hay, é uma famosa bailarina, assim como diversos colegas de cena. Essa ideia de trazer profissionais para as telas é acertadíssima: não há como duvidar da qualidade dos números artísticos vistos em cena. A intensidade de cada passo é impressa em todos os frames, elevando às alturas o realismo do programa.

Sarah Hay, inclusive, é uma atriz talentosa. Ainda que sofra algumas limitações no sentido dramático, Hay sabe segurar a barra e entregar boas cenas durante os episódios. Ainda que seja tratada como “Angel” (Verdades Secretas novamente?), não há como duvidar que diversos segredos permeiam sua vida. Outro destaque é Ben Daniels, que interpreta Paul Grayson, o proprietário da companhia de dança e diretor do espetáculo. Daniels personifica aqueles personagens poderosos, que conseguem tudo o que querem de uma forma ou de outra. Tudo e todos estão aos seus pés e muitos parece satisfeitos com a posição. Mas o personagem não é só isso, e o ator faz questão de trazer os dilemas pessoais de Grayson de forma brilhante.

Além do roteiro bem amarrado, a parte técnica da minissérie é impecável. A direção dos episódios torna cada ensaio como se fosse uma intensa cena de ação. A câmera acompanha cada detalhe: passos, movimentos de braços, suor, sangue, unhas que caem dos dedos, além de muita sujeira e intriga nos bastidores.

A lastimar, apenas algumas decisões polêmicas com relação a uma personagem e seus atos inconsequentes. De resto, Flesh and Bone é uma montanha russa que em nada deixa a desejar se comparada a séries famosas de ação e suspense. Bem escrita, filmada e com ótimo elenco, a minissérie é outra grande surpresa de 2015 que merece – e muito – ser descoberta.

Assista abaixo a linda abertura do show:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=Waw8_NJ5W4A[/youtube]

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