A terceira temporada de 'Masters of Sex'

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Depois de uma segunda temporada sólida e bem delineada, Masters of Sex tinha uma missão: seguir a qualidade de primeira linha e ampliar os horizontes. A relação profissional e pessoal de Bill e Virgínia já estava muito bem firmada e a caminhada rumo ao reconhecimento já passara de sua fase inicial. O terceiro ano começou, portanto, no anseio de intensificar as relações entre os personagens e tornar as tramas mais sérias, aumentando o escopo: se antes a dupla lutava para publicar o livro, agora precisa vendê-lo, e mais: reafirmá-lo frente a sociedade conservadora dos anos 60.

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Por falar nesta década, aliás, Masters of Sex é um dos melhores programas, ao lado da recém finalizada Mad Men, no que se refere à recriação de época. Além do capricho no design de produção e no preciosismo dos figurinos, a série oferece uma imersão impecável ao público. É um retrato fiel aos costumes de uma época que pouco é mostrado pela televisão. Neste sentido, a terceira temporada se sai muitíssimo bem logo no seu primeiro episódio ao nos jogar nos anos 60, revelando que muitas coisas mudaram: das roupas às cores, da situação de Masters e Johnson como pesquisadores à dinâmica familiar.

Assim, o primeiro capítulo surge como um dos melhores do terceiro ano. Através de um roteiro dinâmico e de total domínio do trio principal (Bill, Virginia e Lib), episódio de estreia começa a desenhar alguns pontos importantes que seriam desenvolvidos dali em diante. Para começar, a terceira temporada trouxe uma espécie de ruptura e distanciamento entre Bill e Virgínia, o que serviu para agitar as relações e as tramas. Ainda assim, os vai e vens entre os dois acabaram desgastando o ritmo e a estrutura da série. As indecisões de Virgínia, que ora se entregava a Bill, ora se envolvia com Dan Logan, e a estupidez cega de Bill acabaram se repetindo mais do que o necessário.

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Para começar, um dos maiores problemas desta temporada foram os filhos de Masters e Johnson. Provando mais uma vez que roteiristas (de qualquer produção, televisiva ou cinematográfica) não sabem lidar com personagens infantis, os responsáveis por Masters of Sex acabaram criando jovens aborrecidos, simplistas em suas irritações bobas. Tessa, filha de Virgínia, por exemplo, passou a temporada inteira aprontando e tentando prejudicar a própria mãe. Ao fim, porém, simplesmente foi descartada, sem nenhuma finalização decente. O mesmo acontece para o filho que foi para a guerra, um plot que apareceu, foi brevemente abordado e sumiu. Já Johnny, filho de Bill, é uma versão mais nova de Tessa, conseguindo, indiretamente, levar seu pai à cadeia.

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Não pense, porém, que a terceira temporada foi ruim ou regular. Ao contrário, foi ótima. Não tão boa quanto o segundo ano, é verdade, mas ainda assim um dos melhores programas do ano. Continua sendo louvável, por exemplo, como Michele Ashford e seu time de roteiristas conseguem criar histórias tão envolventes e interessantes a partir de um assunto delicado e relativamente limitado. Assim como The Affair, outra joia do Showtime, Masters of Sex se debruça sobre uma ideia excelente, mas simples, e sobre personagens complexos. Os resultados não poderiam ser melhores: da luta da dupla para obter respeito até às dúvidas de Barton quanto à revelação de sua verdadeira sexualidade, tudo é muito bem construído, escrito com delicadeza e norteado por belos diálogos. O monólogo de Masters envolvendo, entre outras coisas, amor e gravidade, já está entre os melhores momentos de toda a série.

Com alguns pontos baixos perdoáveis (as crianças, o gorila) e vários altos (Dan/Josh Charles, o culto religioso, Betty, etc.) a terceira temporada derrapa mesmo no último episódio. Ainda que seja um ótimo capítulo, a série erra feio com algumas decisões. Para começar, parece-me irreal e pouco aceitável que Libby simplesmente deixe Bill preso, numa espécie de vingança tardia justamente em um dos dias mais importantes na carreira do marido (ex?). Nada soa mais errado, porém, do que a decisão final de Virgínia. O fato não só surge como um plot desnecessário como quebra a própria lógica da série e da personagem. Em todos estes anos e episódios, parece lógico que Virgínia, com todas as suas características, abandonaria o estudo para o qual tanto se dedicou? Johnson lutou e até mesmo sofreu para dar prosseguimento a um trabalho que ama simplesmente para jogá-lo na lixeira na última hora?

Na situação em questão, entende-se que Virgínia quisesse cortar relações com Bill. Depois de tantas idas e vindas e decepções, é perfeitamente aceitável que ela não quisesse qualquer tipo de ligação com o complicado doutor. O problema é que parece impossível, dentro de tudo que sabemos e vimos, que Virgínia simplesmente fugisse, sem nem mesmo encerrar suas atividades ao comparecer no evento mais importante para o livro que tanto lutaram para criar. Ao fim, a série ainda tenta criar um suspense, sugerindo que Bill chegaria no aeroporto antes dela embarcar. É um desfecho irregular para uma temporada elogiável.

Assista o trailer da terceira temporada:

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[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=0KUTvzcq2-w[/youtube]