A morte de Joel em The Last of Us 2×02 não apenas dividiu corações — ela escancarou um dos temas centrais da história: o ciclo implacável da vingança. Interpretada por Kaitlyn Dever, Abby finalmente concretiza um plano de vingança que levou cinco anos para ser executado. Mas afinal, por que Abby matou Joel? E o que motivou essa caçada implacável até Jackson?
A resposta começa ainda no final da 1ª temporada — e tem tudo a ver com o que Joel fez para proteger Ellie.
Abby queria vingar a morte de seu pai em The Last of Us
No último episódio da 1ª temporada, Joel invade o hospital dos Vagalumes para resgatar Ellie, depois de descobrir que, para criar uma possível cura para a infecção, ela precisaria morrer em uma cirurgia. Sem aceitar perder outra filha, Joel massacra os médicos da sala de cirurgia e foge com Ellie desacordada.
O que ele não sabia é que o cirurgião-chefe do hospital era Jerry Anderson — pai de Abby.
A cena foi mostrada com rapidez na série, mas o impacto disso perdurou por anos. Abby estava no hospital naquele dia e chegou tarde demais para salvar o pai. A partir dali, ela foi consumida pelo luto e pela sede de justiça. Sua única missão: encontrar Joel e fazê-lo pagar.


A série mostra os bastidores dessa busca por vingança
Em The Last of Us 2×02 (“Through the Valley”), vemos Abby e seu grupo escondidos em um chalé nos arredores de Jackson, planejando um ataque. Quando o destino coloca Joel em seu caminho, ela aproveita a oportunidade. Depois que ele a salva de um ataque de infectados, Abby o leva para a emboscada. Lá, ela revela seu nome, seus motivos e o executa brutalmente com um taco de golfe — a mesma arma usada no jogo.
Ao contrário do que muitos esperavam, a série não esconde o motivo da morte de Joel, como acontece no jogo. Abby deixa claro que está ali para vingar seu pai. “Você matou meu pai”, diz ela, antes de concluir o que começou anos atrás.
As diferenças entre série e jogo de The Last of Us
Embora o destino de Joel seja o mesmo, a série da HBO faz mudanças sutis, mas importantes:
- Quem acompanha Joel: No jogo, ele está com Tommy. Na série, está com Dina, o que ajuda a conectar mais Abby a Ellie por meio de Dina.
- Motivação revelada na hora: No game, o motivo do assassinato só é revelado mais tarde, por meio de flashbacks. Já na série, Abby expõe tudo antes de matá-lo.
- Mudança na arma: Em ambas as versões, Abby usa um taco de golfe. Mas na série, ela finaliza cravando o bastão quebrado no pescoço de Joel — um toque ainda mais cruel.
- Reação de Joel: No jogo, ele diz “Termina logo com isso.” Na série, ele manda um direto: “Cala a boca e acaba com isso.”
Abby e Joel: dois lados do mesmo trauma

A grande ironia é que Abby e Joel têm mais em comum do que parece. Ambos perderam entes queridos, ambos foram impulsionados por dor, e ambos cruzaram linhas morais em nome do amor. A diferença é que Abby nunca teve tempo de cicatrizar — ela passou cada dia dos últimos cinco anos obcecada por esse momento.
É por isso que sua presença será central não apenas nos episódios seguintes da temporada, mas em toda a trama de The Last of Us Part II, que a série agora adapta com fidelidade crescente.
E agora?
A morte de Joel não é o fim da história — é o ponto de partida para a jornada mais sombria de Ellie. Motivada pela perda e pela culpa, ela vai atrás de Abby e dos demais envolvidos, iniciando uma nova espiral de violência. A pergunta que fica é: até onde ela está disposta a ir… e o que vai sobrar dela no final?
O que The Last of Us nos mostra é que, em mundos destruídos, o maior inimigo muitas vezes não é o infectado — mas o peso das decisões humanas.