Adolescência: 2ª temporada não pode acontecer

Adolescência mal estreou na Netflix e já virou um dos maiores sucessos do ano. Com apenas quatro episódios, a minissérie britânica conquistou o público e a crítica — acumulando mais de 24 milhões de visualizações e um impressionante 98% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Mas por mais que os fãs estejam pedindo por mais, a verdade é que Adolescência não terá uma segunda temporada. E a Netflix já deixou isso claro — só que muitos não perceberam.

Adolescência foi pensada como minissérie

A produção, criada por Jack Thorne e Stephen Graham, foi pensada desde o início como uma série limitada. Isso significa: começo, meio e fim. E que fim.

Sem reviravoltas apelativas ou respostas fáceis, Adolescência termina com um soco no estômago — ao mostrar que, mesmo com uma boa família, um adolescente pode se perder num mar de ódio e radicalização online. A história de Jamie Miller termina exatamente onde começou: no quarto onde ele se transformou.

Os criadores foram enfáticos: a jornada de Jamie não precisava de continuação. Como disse Stephen Graham, “Sabíamos que queríamos terminar naquele quarto. Era importante que a história terminasse onde ela começou.”.

A intenção sempre foi expor a fragilidade da adolescência frente à influência digital, não estender a trama além do necessário.

Ainda que a Netflix possa até considerar transformar o sucesso em uma antologia — como fez com Beef — qualquer retorno de personagens tornaria a série inelegível para a categoria de Melhor Série Limitada, obrigando-a a competir diretamente com gigantes como The Last of Us, The White Lotus e Severance. E isso seria um risco que a plataforma talvez prefira não correr.

Por que Adolescência não pode ter 2ª temporada?

Outro motivo para não haver novos episódios é técnico: cada capítulo de Adolescência foi gravado em plano-sequência, sem cortes. Um único erro significava recomeçar tudo. Esse tipo de produção exige um nível de preparo e execução altíssimos, algo quase inviável para uma temporada mais longa. A escolha de contar essa história em quatro episódios intensos foi, na verdade, uma decisão narrativa e estética.

Adolescência é mais do que entretenimento. É um alerta. A série mostra, com precisão dolorosa, como o ódio se infiltra nas redes sociais, principalmente na chamada “manosfera”, onde homens jovens são doutrinados com discursos misóginos. O verdadeiro twist da série não está no crime, mas no desconforto de perceber como adultos estão desconectados do universo digital de seus filhos. E como esse abismo pode custar caro.



No fim, a pergunta que fica é: Adolescência precisa mesmo de uma segunda temporada? A resposta é não. Ela já cumpriu seu papel — e de forma brilhante. Agora, cabe a nós não olhar para o lado.



Adolescência: 2ª temporada não pode acontecer
SOBRE O AUTOR
Matheus Pereira
Matheus Pereira é Jornalista e mora em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Escritor assíduo na época dos blogs, Matheus desenvolveu seus textos e conhecimentos em Cinema e TV numa experiência que já soma quase 15 anos. Destes, quase dez são dedicados ao Mix de Séries. Além disso, trabalha há mais de dez anos no campo da comunicação e marketing educacional, sendo assessor de imprensa e publicidade em grandes escolas e instituições de ensino.