À primeira vista, Agente Kim Reativado na Netflix parece seguir um caminho bastante conhecido dos dramas coreanos. A série apresenta Kim Du Hion (So Ji-sub) como um gerente de banco viúvo que tenta criar sozinho sua filha adolescente, Minjai. É um homem tímido, inseguro, constantemente humilhado pelos colegas e incapaz até de reagir quando é agredido na rua.
No entanto, tudo muda quando Minjai desaparece após sofrer bullying na escola.
É nesse momento que a série revela seu verdadeiro segredo: aquele pai aparentemente frágil já foi o lendário Código 66, um dos agentes secretos mais letais da Coreia. Anos antes, após perder a esposa durante o parto da filha, Kim prometeu abandonar definitivamente sua vida de assassino para se dedicar apenas à família. Mas, quando Minjai desaparece, essa promessa deixa de existir.
A partir daí, Agente Kim Reativado deixa de ser um drama familiar para se transformar em um thriller de espionagem, vingança e ação que cresce consideravelmente do primeiro para o segundo episódio.
O primeiro episódio exige paciência, mas recompensa o espectador
Quem começar a série esperando perseguições e tiroteios logo nos primeiros minutos provavelmente ficará frustrado. O episódio de estreia dedica quase uma hora inteira para apresentar quem é Kim hoje. Acompanhamos sua rotina no banco, a dificuldade de se aproximar da filha, seus encontros anuais com antigos amigos e até pequenas situações aparentemente banais, como a compra de um presente de aniversário.
Em outro contexto, esse ritmo poderia ser um problema. Aqui, porém, ele serve para construir um contraste extremamente eficiente.
Quando Kim finalmente abandona a postura curvada, tira os óculos e volta a agir como Código 66, o impacto é muito maior justamente porque passamos tanto tempo conhecendo o homem que ele tentou ser durante anos. A série faz o espectador sentir que aquele agente realmente estava morto — até perceber que um pai desesperado é capaz de trazê-lo de volta.
O segundo episódio entrega a série que a estreia prometia
Depois de preparar cuidadosamente o terreno, o segundo episódio de Agente Kim Reativado acelera completamente o ritmo.
A investigação sobre o desaparecimento de Minjai leva Kim até uma organização criminosa envolvida com tráfico humano e até extração ilegal de órgãos. As cenas de ação aparecem em maior quantidade e impressionam por fugir do exagero comum em muitas produções do gênero.
Kim não luta para parecer invencível mas sim luta porque precisa encontrar a filha. Essa diferença muda completamente a forma como acompanhamos cada confronto.
Ao mesmo tempo, a série Agente Kim Reativado amplia seu universo ao revelar que o retorno de Código 66 desperta o interesse tanto da inteligência sul-coreana quanto da norte-coreana. O que começou como uma busca pessoal rapidamente ganha contornos de um thriller político, abrindo espaço para conflitos muito maiores nos próximos episódios.

So Ji-sub carrega a série nas costas
Grande parte do sucesso dessa estreia passa pela atuação de So Ji-sub. O ator consegue convencer tanto como o pai emocionalmente destruído quanto como o agente treinado para matar sem hesitação. O mais interessante é que ele nunca transforma Kim em um herói frio ou invulnerável.
Mesmo quando volta a agir como Código 66, fica evidente que aquele homem continua sendo um pai tomado pelo medo de perder a única pessoa que lhe restou.
Essa humanidade impede que a série caia no clichê do protagonista praticamente indestrutível que domina boa parte das produções de ação atuais.
Ainda existem alguns tropeços em Agente Kim Reativado
Nem tudo funciona perfeitamente, todavia. O primeiro episódio de Agente Kim Reativado poderia ser um pouco mais enxuto. Embora a construção emocional seja importante, algumas cenas prolongam conflitos que o público já compreendeu, tornando a narrativa um pouco mais lenta do que o necessário.
O segundo capítulo também apresenta algumas conveniências de roteiro. Certas decisões tomadas por Kim durante a investigação parecem servir mais para prolongar a história do que refletir a inteligência de um agente considerado uma lenda da espionagem.
Felizmente, esses problemas não chegam a comprometer a experiência.
Primeira impressão
Com apenas dois episódios, Agente Kim Reativado já demonstra que pretende ser muito mais do que um simples k-drama de ação.
A série usa a violência apenas como consequência de um drama familiar bastante sólido, construindo primeiro o homem antes de revelar o assassino que ele tentou esconder durante tantos anos. É justamente esse cuidado que diferencia a produção de tantos thrillers genéricos disponíveis no streaming.
Se conseguir manter esse equilíbrio entre emoção, espionagem e ação ao longo da temporada, a Netflix pode ter encontrado um dos seus melhores thrillers sul-coreanos de 2026.


