A 3ª temporada de Alice in Borderland trouxe novos elementos para o já enigmático universo da série, e entre eles está o Vigia (Watchman), vivido por Ken Watanabe. A aparição desse personagem no clímax levantou muitas dúvidas entre os fãs: afinal, ele é o tão falado Coringa (Joker) ou apenas mais uma peça do tabuleiro entre vida e morte?
O que é o Borderland e por que o Vigia existe
A série sempre deixou claro que o Borderland é um tipo de purgatório, um espaço entre a vida e a morte. Quem sofre uma experiência de quase morte é transportado para lá, onde precisa enfrentar jogos brutais que decidem se a pessoa volta ao mundo real ou se torna um “cidadão” permanente desse reino.
O Vigia aparece como uma espécie de psicopompo, figura presente em várias mitologias (como Caronte, na mitologia grega, que conduzia as almas pelo rio Estige). Seu papel não é criar os jogos, mas manter a ordem entre os vivos que chegam e os cidadãos que decidem permanecer. Ele observa, pune quem quebra as regras e garante que o ciclo continue funcionando.

O Vigia é o Coringa?
Essa é a grande questão. Durante sua conversa com Arisu, o Vigia deixa claro que o Coringa não é um governante, nem o criador dos jogos. Ele é descrito como uma “ideia”, um elo entre os dois mundos. Isso abre duas interpretações:
- O Vigia pode ser o Coringa, já que exerce a função de guardar a fronteira entre vida e morte.
- Mas também é possível que o Coringa não seja uma pessoa, mas um conceito, e que o Vigia seja apenas um dos muitos que já assumiram esse posto ao longo do tempo.
De todo modo, sua função é clara: administrar o fluxo de almas e oferecer escolhas, nunca comandar os jogos diretamente.
A proposta para Arisu
No final da temporada, o Vigia tenta convencer Arisu a se tornar um cidadão, dizendo que uma catástrofe se aproxima e que sozinho não conseguirá administrar o grande número de almas que chegarão ao Borderland. Isso mostra que ele não é exatamente um vilão, mas um personagem que carrega o peso de uma função inevitável — alguém que precisa recrutar novos “guardiões” para manter a ordem.
O detalhe interessante é que, quando Arisu recusa, algo muda no Vigia. Ele passa a refletir se a imortalidade vazia do cargo vale mais do que a brevidade de uma vida real.
O que esperar do Vigia em uma possível 4ª temporada de Alice in Borderland
O final da 3ª temporada deixa em aberto o futuro do Vigia. Com a sugestão de novos desastres no mundo real e mais pessoas chegando ao Borderland, ele provavelmente terá que recrutar novos cidadãos para manter o equilíbrio — possivelmente personagens como Ann, que já demonstrou ter conexões especiais com o limiar entre os dois mundos.
No entanto, sua trajetória pode estar chegando ao fim. A recusa de Arisu parece ter mexido com ele, e há indícios de que o Vigia pode estar prestes a abandonar sua função, reconhecendo que a vida mortal, mesmo com dor e sofrimento, é preferível à eternidade vazia de apenas observar.
Sobre o Vigia em Alice in Borderland
O Vigia é uma figura-chave na mitologia de Alice in Borderland, funcionando como a personificação do Coringa ou, no mínimo, como o guardião desse conceito. Mais do que um antagonista, ele é um mediador entre mundos, alguém que dá aos jogadores a chance de escolher — ainda que dentro de regras duras.
Sua presença amplia o aspecto filosófico da série: o que vale mais, viver pouco e intensamente, ou permanecer preso a uma existência eterna e sem propósito? Essa é a pergunta que o Vigia deixa não só para Arisu, mas também para os espectadores.