Alvo da Máfia | Filme é tão ruim e uma perda de tempo na Netflix | Review

Alvo da Máfia: quando a violência exagerada tenta esconder um filme vazio

Alvo da Máfia chega com pose de thriller brutal, desses que prometem tensão constante, tiros, sangue e personagens “maus até a raiz”. O problema é que, passada a primeira sequência chocante, fica claro que o filme não sabe muito bem o que quer ser além de barulhento. E barulho, sozinho, não sustenta um longa.

Dirigido por Wych Kaosayananda, o filme aposta tudo no exagero. Cada cena parece tentar superar a anterior em crueldade, como se a violência fosse um atalho automático para impacto. O resultado é um desfile de brutalidades que mais cansa do que choca.

Alvo da Máfia traz uma trama absurda que se leva a sério demais

William Bang, sim, esse é o nome do protagonista, é um assassino profissional conhecido por sua eficiência quase mecânica. Ele mata sem piscar, sem questionar e sem demonstrar qualquer traço de humanidade. Até aí, nada fora do comum para o gênero. O problema é quando o roteiro tenta dar profundidade a esse personagem com uma virada tão absurda quanto preguiçosa: após levar vários tiros, Bang recebe um transplante de coração e, magicamente, passa a desenvolver consciência moral.

A ideia, que já seria forçada em qualquer contexto, aqui beira o ridículo. O filme trata a mudança emocional como se fosse consequência direta do novo órgão, como se empatia fosse um efeito colateral cirúrgico. Não há sutileza, construção ou conflito real. É tudo literal, didático e raso.

Peter Weller se diverte, o resto do elenco sobrevive

Se existe alguém que parece entender exatamente o tipo de filme em que está, esse alguém é Peter Weller. Seu vilão é caricato, exagerado e completamente ciente da própria crueldade. Ele interpreta o chefe mafioso como um vilão de desenho animado com orçamento de filme B, e isso, curiosamente, funciona.

Jack Kesy, no papel principal, até se esforça fisicamente. O problema é que o personagem não oferece muito além de cara fechada, corpo sarado e poses ensaiadas. Quando o roteiro exige emoção, o vazio fica evidente. O restante do elenco cumpre tabela, claramente consciente de que ninguém ali está construindo algo memorável.

Violência sem propósito não é estilo

Alvo da Máfia parece acreditar que quanto mais gráfico e chocante, melhor. Há cenas que insistem em linger na brutalidade como se isso fosse, por si só, uma declaração artística. Não é. Falta contexto, falta consequência e, principalmente, falta significado.

O diretor filma tudo como se estivesse montando um clipe interminável de violência estilizada. Cabeças esmagadas, tiros em excesso, nudez gratuita e uma câmera que nunca desacelera. Em vez de criar tensão, isso anestesia o espectador.

Entre o constrangimento e o quase entretenimento

O filme não chega a ser tão ruim a ponto de provocar riso involuntário constante, mas também passa longe de ser bom. Ele se encaixa naquela categoria ingrata de produções que são “quase assistíveis”. Há momentos pontuais que divertem pelo exagero, especialmente quando o vilão de Peter Weller está em cena, mas nada que justifique o tempo investido.



Alvo da Máfia quer ser cruel, provocador e intenso. No fim, é apenas um filme que confunde excesso com profundidade e barulho com impacto.

Vale a pena assistir?

Só se você souber exatamente no que está entrando: um thriller raso, exagerado e incoerente, que parece existir apenas para preencher catálogo. Não é o pior do gênero, mas também não oferece nada que já não tenha sido feito melhor dezenas de vezes antes.



Alvo da Máfia | Filme é tão ruim e uma perda de tempo na Netflix | Review
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.