American Crime Story – 1×01 – From the Ashes of Tragedy – [SERIES PREMIERE]

American Crime

Imagem: Arquivo Pessoal/Amanda Moes

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Ryan Murphy pode ser visto como muitas coisas mas, não se pode esquecer que ele tem uma visão para a cultura pop e para o momento certo de fazer as coisas. Então foi lógico que ele usasse esses talentos em American Crime Story, porque o caso de O.J. Simpson pode ser famoso, mas o contexto que o tornou famoso e todas as minucias que influenciaram a época e o resultado, não é isso que Murphy explora tão bem ao apresentar o caso novamente ao público.

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O momento de American Crime Story não poderia ser mais propício, afinal, não faz muito tempo que a população afro-americana dos EUA vem protestando contra os abusos cometidos por policiais e os vários casos de injustiças sociais ligadas ao preconceito racial. O gancho para essa época e o que vemos hoje em dia fica evidente já no começo do episódio, com as gravações dos protestos sobre o caso de Rodney King dois anos antes, e com outro personagem ponteando as diferenças de tratamento da prisão de O.J. e Jeffrey Dahmer, que podem servir para mostrar como o contexto social da polícia errando há anos ajudou a uma interpretação diferente de uma população que já via Simpson como um herói do futebol americano e da NFL. Fato este que serviu de ajuda tremenda para a defesa, afinal, ele conseguiu trocar de advogados, tinha contatos na polícia, teve várias facilidades ao longo do começo da investigação, facilidades as quais sempre pontuadas com revolta pela promotora – Marcia Clark -, e com os casos anteriores de violência contra Nicole Brown. Mostrando assim um caso clássico de violência doméstica que é tapado por alguns outros fatores, no caso, o de ser famoso, uma celebridade, e parecer aos outros que “nunca machucaria ninguém”.

O elenco também fez jus a história famosa, contando com dois oscarizados, Cuba Gooding Jr. (com uma atuação fantástica), e John Travolta e vários favoritos da televisão como Sarah Paulson, David Schwimmer, Connie Britton, Selma Blair e Courtney Vance. A atenção também pode ser focada pelo trabalho dos atores representando pessoas que estão presente na memória de boa parte dos americanos, fosse os que viveram a época do julgamento ou os que souberam pelas memórias dos outros.

Para completar, um grande fator serve como catalisador para os telespectadores, a cultura pop americana. Afinal, o caso de O.J. Simpson foi algo pop por si só, mas não foi o único utilizado por Murphy que buscou outros elementos que encontram-se em alta, sendo o principal deles a família de Rob Kardashian. Kris Jenner, que ainda chega a ser interpretada e as filhas, Kourtney, Kim e Khloé, são ao menos mencionadas, trazendo um quê de curiosidade sobre até onde foi o envolvimento da família na época em que não existia Twitter ou Instagram, muito menos reality shows para acompanhá-las.

Como resultado, uma história que foi tanto contada na cultura americana ganha uma repaginação com elementos mais chamativos fazendo o espectador querer ir até o final do caso.

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