American Crime Story – 1×10 – The Verdict – [SEASON FINALE]

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Por Matheus Pereira e Caroline Marques

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Unindo duas das vertentes de maior sucesso na TV atual (tramas criminais e antologias), American Crime Story já se garantiu como uma das melhores coisas da televisão em 2016. Em dez episódios sólidos, sem nenhum ponto baixo, The People Vs. OJ Simpson uniu três pilares de qualidade inquestionáveis: elenco, roteiro e direção. ACS foi, portanto, uma série que a cada episódio tornou-se mais aguardada, fazendo com que a audiência aguardasse avidamente pela próxima semana, algo cada vez mais raro no universo televisivo dos últimos anos.

O grande barato de ACS e, principalmente, de sua finale, é o fato de que mesmo trabalhando com uma história real e amplamente conhecida, o roteiro conseguiu surpreender e envolver como poucos. O veredito, para qualquer um que lembre ou tenha pesquisado sobre o caso, já era antecipado. Ainda assim, diretores e roteiristas conseguiram recriar os fatos com elevados níveis dramáticos. OJ foi inocentado, ainda assim acreditamos que a cena final, da festa, retratou bem o acontecido. Ele saiu, mas não conseguiria ser livre, o julgamento estava no olhar das pessoas, que ainda estavam próximas a ele por causa do dinheiro.

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ACS, inclusive, não tem medo de colocar o dedo na ferida e provocar, como ao tratar sobre o júri mais rápido da história, que provavelmente não aguentava mais aquele circo todo acabou pouco dividido. Aqueles que o consideravam culpado foram quase desconsiderados pelos outros. A figura de OJ era tão imponente que não tinham como prendê-lo? Todo aquele discurso da defesa, que se preocupou em culpar outrem no lugar de prova-lo inocente, convenceu? O time dos sonhos (da defesa) pouco convence, ainda que tenha um discurso afiado. A reação de Robert Kardashian na festa resume toda a desconfiança.

David Schwimmer, aliás, é um dos melhores elementos do impecável elenco de ACS. Um dos possíveis indicados ao próximo Emmy, Schwimmer teve mais espaço nos primeiros capítulos, mas mesmo assim teve chances de brilhar na reta final deste primeiro ano. Outro coadjuvante espetacular é Sterling K. Brown, como Darden. A cena dele apontando para OJ, afirmando que ele era um assassino, arrepia, sendo que foi só uma representação do que realmente ocorreu. Procure no Youtube o argumento final do julgamento proferido pela Marcia e depois por Darden e compare.

As duas forças principais de The People Vs. OJ Simpson, porém, são Sarah Paulson e Courtney B. Vance. A dupla roubou a cena na finale e durante toda a temporada. Em lados opostos do confronto, seus personagens, Marcia e Johnnie, brilharam cada um à sua maneira. A grande sacada da série e dos atores, aliás, é tratar os personagens como seres humanos complexos, multifacetados. Não há o mocinho ou o bandido. Ainda que o show muitas vezes se posicione contra OJ e sua defesa, os roteiristas sempre tentam mostrar o lado humano das pessoas, principalmente Cochran, que pensa mais em vencer em prol da luta pela igualdade do que pela inocência de um homem. E podemos criticá-lo por isso?

Quanto à direção do episódio, é importante abrir um parêntese: muita gente criticou o trabalho de Ryan Murphy e de seu time de diretores por considerarem a direção exagerada e bagunçada. Discordo totalmente. Se compararmos o trabalho de Murphy como diretor em American Horror Story com o seu em American Crime Story, a diferença é gritante. Em Horror, sim, a direção é afetada ao ponto de afastar o público (eu faço parte dos que abandonaram o show pela abordagem visual). Comparada a Horror, a direção de Crime é extremamente contida. De todo modo, o melhor diretor da temporada não foi Murphy, mas sim Anthony Hemingway, produtor e diretor de cinco episódios. Este sim deu o tom à primeira temporada e conseguiu uma uniformidade visual digna de nota, além de ter comandado os melhores capítulos.

A finale, por fim, não se mostrou tão emocionante ou dinâmica quanto “Marcia, Marcia, Marcia”, ou “100% Not Guilty”. Ainda assim, o capítulo final se saiu muitíssimo bem ao amarrar as pontas e não se prender somente ao veredito em si, mas também investir no que aconteceu após o resultado final. Até mesmo quando abraçava a ficção, deixando a verdade de lado, a série se saiu bem. É comprovado que algumas conversas nunca aconteceram e que alguns detalhes foram alterados, mas tudo feito com cuidado e visando o potencial dramático da trama sem, contudo, distorcer a realidade.

Nos segundos finais, ao vermos os letreiros que nos revelam onde estão as figuras reais do caso, percebemos como ACS fez bem o seu trabalho. Ao nos envolver em seus personagens e histórias, The People Vs. OJ Simpson nos levou ao centro da ação, fazendo com que nos importássemos com cada detalhe. Se ficássemos indiferentes aos rostos reais que aparecem no desfecho, ACS teria falhado como obra de arte. E falhas foram coisas que não fizeram parte da brilhante trajetória de American Crime Story.

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As demais reviews de American Crime Story, escritas por Amanda Móes, podem ser encontradas aqui.

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.