American Gods – 1×01 – The Bone Orchard [SEASON PREMIERE]

Imagem: Joblo/Divulgação
Imagem: Joblo

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E se os mais diversos deuses vivessem em pleno território norte-americano nos dias atuais, disfarçados entre a população? É este o tema abordado pelo novo seriado dos roteiristas e produtores Bryan Fuller (órfãos de Hannibal devem reconhecer o nome) e Michael Green (de Heroes), American Gods, baseado no livro homônimo de Neil Gaiman. O primeiro episódio foi ao ar no último domingo (30), pelo canal Starz, e serviu como um aperitivo da fórmula criada por Fuller para se aprofundar nessa história que já carrega uma multidão de fãs da obra original.

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Adaptar seres místicos à realidade e colocá-los diante de situações da vida cotidiana não é assunto novo para a televisão norte-americana – True Blood, da HBO, fez isso muito bem durante um tempo com seus vampiros, fadas e lobisomens. A peculiaridade de American Gods, porém, é trazer figuras sagradas para o cenário urbano, fumando, bebendo, transando e possuidores de todas as características humanas, incluindo seus defeitos.

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Mr. Wednesday é quem se destaca entre eles. Vivido maravilhosamente por ninguém menos que Ian McShane, ele é responsável pelos melhores diálogos do show, mesmo quando estes envolvem as origens da castanha de caju. Embora o roteiro tenha grande responsabilidade sobre o humor ácido do personagem, é a atuação de Shane que faz a diferença, extremamente confortável no papel de um beberrão todo poderoso que pretende mudar a vida do protagonista, Shadow Moon, um detento que recebe a notícia da morte da esposa logo antes de sair da prisão.

Shadow é interpretado por um Ricky Whittle que não consegue se destacar em meio a um elenco talentoso, constituído também por Pablo Schreiber, excelente no papel de um Leprechaun arrogante e provocativo. Por um lado, talvez seja mesmo inevitável que Shadow, um personagem ainda sem objetivo traçado e características marcantes, seja ofuscado pelos demais. Mas por outro, Whittle não convence como um homem que acaba de perder a esposa e se depara com cada vez mais acontecimentos bizarros em sua vida.

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Neste primeiro episódio, aliás, nenhum destes são explicitamente revelados. Personagens surgem envoltos em mistério e permanecem nessa condição enquanto se relacionam com o protagonista. Essa falta de informações, que segue à risca os acontecimentos iniciais do livro, é o que deve prejudicar a compreensão da trama por aqueles que não tiveram contato com o romance de Gaiman, particularmente no que se refere aos diversos eventos nonsense apresentados. Ainda é cedo para saber quando estes serão aprofundados, mas pelo lado positivo, todo esse espetáculo aparentemente sem sentido é sustentado por um visual tratado com muito cuidado.

Imagem: Collider

Como é possível notar em Hannibal, este é um fator primordial para Fuller, e para o trabalho ele trouxe diversos membros da equipe de design e decoração de sua série da NBC. Cada sequência de cenas tem seu tratamento específico: a paleta de cores pálida e acinzentada da prisão, o vermelho-sangue do quarto de hotel em Los Angeles, o bar todo ornamentado em neon, a luminosidade ofuscante da limousine do Technical Boy. Essa não-uniformização estética do show confere a ele uma identidade visual que é fascinante, seja nos pesadelos enigmáticos do protagonista ou nas cenas de violência em que ele se envolve. Não espere, no entanto, uma superprodução hollywoodiana; em diversos momentos, os efeitos visuais não funcionam e sua artificialidade é exposta, mas, afinal, é do canal Starz de que estamos falando.

A violência é elemento constante do episódio e do que ainda está por vir. Litros de sangue são jorrados pela tela em diversos momentos da exibição, terminando em um verdadeiro orgasmo sanguinolento resultado do primeiro embate entre Shadow e um inimigo de Wednesday. A mão do diretor David Slade, responsável pelos três primeiros episódios dos oito totais, não economiza na pancadaria e no slow-motion, mas também não se leva a sério. É possível que você se encontre rindo de algum desses momentos, mas não se engane, essa é a proposta: o humor pungente criado por Gaiman neste cenário onde a fé e a adoração são postas em dúvida é fielmente adaptado para as telas.

American Gods com certeza agradará aos fãs do livro e deve conquistar a atenção dos curiosos tomados pelo alvoroço das redes sociais com a estreia da série. Este primeiro episódio, mesmo com mais de uma hora de duração, não foi suficiente para estabelecer a história e amarrar todos os plots da trama – que é gigante -, mas conseguiu expor sua atmosfera e introduzir seus personagens para os próximos capítulos. Como qualquer obra de Gaiman, vai dividir opiniões. E muito.

Nota: Os créditos de abertura ficaram sensacionais! Você pode conferir neste link.