American Gods – 1×04 – Git Gone

Imagem: Starz/Divulgação

Difícil acreditar que um episódio de American Gods sem a presença do cativante personagem de Ian McShane, Mr. Wednesday, sairia-se tão bem. Com um roteiro muito bem construído, o enredo navega pela história de Shadow e sua esposa, Laura Moon, desde o momento em que se conheceram até a cena final do capítulo anterior. Enfatizando a jornada de Laura, “Git Gone” faz o público compreender a personagem e, ao expor as origens de sua relação com Shadow, também desenvolve as motivações e a personalidade do próprio protagonista, que até então não haviam sido devidamente aprofundadas.

Emily Browning cativa no papel de uma jovem e entediada funcionária de um cassino que, cansada de sua rotina maçante, vê em sua relação com Shadow a oportunidade de uma aventura. Se nos livros a personagem divide opiniões, na tela ela consegue segurar o episódio inteiro sem esforço – em parte por mérito do excelente trabalho da atriz, mas também da decisão certeira dos produtores em abandonar o arco principal e focar um capítulo todo nessa backstory. Antes divididos entre a visão de Shadow sobre sua esposa e as circunstâncias inusitadas de sua morte, agora o público pode tirar suas próprias conclusões sobre a personagem para encarar daqui em diante sua importância para a trama.

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Uma nova dimensão do ex-detento é, inclusive, nos apresentada. Descobrimos as razões por trás de seus três anos de sentença e como seu relacionamento com Laura se fragiliza por conta disso. Se por um lado nosso conhecimento sobre o personagem se expande, por outro torna ainda menos crível a forma como foram retratadas anteriormente suas emoções após descobrir a traição da esposa. Resta agora saber como o protagonista vai encarar o retorno de sua amada.

Mesmo com tanto assunto a ser tratado, o roteiro ainda se aventura pelo humor característico deste universo. Recursos muito criativos são utilizados para salientar a condição entre a vida e a morte em que a esposa de Shadow se encontra – desde as moscas que a acompanham durante a exibição (no início despertando suas ideias suicidas e depois perseguindo seu cadáver) até os fluidos de embalsamento que garantem uma das cenas mais hilárias e bizarras da série até aqui, envolvendo Audrey, a melhor amiga de Laura (“Get out of my house, you zumbi whore!“).

Discussões sobre a fé e a existência da vida após a morte também têm espaço. O retorno de Anúbis é responsável por um dos melhores momentos da exibição. Introduzindo sua funerária especializada em mumificação, o deus egípcio da morte nos apresenta outra faceta e sua ameaça a Laura deixa claro ao menos um de seus propósitos na trama, que deve ser explorado adiante. Enquanto esse novo plot é estabelecido, outro é finalizado: pela primeira vez a série entrega uma resposta para um dos vários mistérios fixados desde a estreia. Descobrimos que a esposa de Shadow é quem estava por trás do banho de sangue do final de “The Bone Orchard”.

Git Gone” é um exemplo da versatilidade que a série tem apresentado até agora; a quase uma hora de duração do episódio se arrisca ao deixar de lado os diálogos de Wednesday e a introdução de novos deuses – elementos de destaque da temporada até então – para entregar um roteiro bem amarrado, com início, meio e fim. A partir daqui, mais respostas devem ser apresentadas ao público enquanto a jornada de Shadow ganha força; um episódio essencial que expande a trama e ainda entrega ótimas performances.

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