American Gods – 1×06 – A Murder of Gods

Imagem: Divulgação/Starz/Reprodução

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Neste episódio mais do que nunca, American Gods potencializa as características de road movie de sua narrativa, com três interessantes personagens se juntando para uma viagem de carro pelo país. Como se a parceria de Laura Moon e o Leprechaun já não fosse surpreendente o bastante, o agora taxista Salim (responsável por uma das melhores cenas da série até aqui, lá no terceiro episódio) reaparece para completar este excêntrico trio, que busca diferentes objetivos nessa jornada. O jovem muçulmano procura reencontrar o Jinn que mudou sua vida, Laura continua à busca de Shadow e o Leprechaun a acompanha com a esperança de reaver sua moeda. As cenas entre eles garantem bons diálogos e criam uma química que, se melhor desenvolvida, pode se destacar como um dos melhores elementos da temporada.

Enquanto isso, Shadow e Mr. Wednesday continuam sua própria aventura em busca de aliados para a guerra contra os Novos Deuses que, segundo este, já começou. É neste cenário que conhecemos Vulcan, uma versão atual do deus romano do fogo criada pelo autor Neil Gaiman especialmente para a versão televisiva de sua história. Talvez por causa disso, a introdução do personagem e sua passagem pelo episódio parecem se desligar um pouco da forma como vimos acontecer com outros deuses.

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Tanto a personalidade fanfarrona e sarcástica dada por Corbin Bernsen ao personagem quanto o universo ao redor dele – cabeças de animais expostas nas paredes, a paixão por armas e a pose militar – não soam originais. Na realidade, é possível encontrarmos semelhanças gritantes com dezenas de personagens espalhados pela cultura popular. É certo que a forma criada por ele para conquistar e manter fiéis e, assim, preservar sua própria existência, estabeleça um ótimo paralelo com a antiga e ainda atual discussão norte-americana sobre a posse de armas de fogo; entretanto, a maneira com que realizaram a construção desse arco soou extremamente forçada, com direito a chuva de projéteis e uma procissão enfadonha pelas ruas da cidade.

A construção de Vulcan foge totalmente do padrão, destacado por mim alguns episódios atrás, de cuidado com que os produtores e roteiristas criam cenas originais e repletas de símbolos para apresentar novos personagens. Neste mesmo episódio, há um ótimo exemplo de toda essa criatividade que cerca American Gods: a cena inicial, que apresenta um grupo ilegal que tenta atravessar a fronteira do México com os Estados Unidos, encenando uma excelente história narrada por Wednesday a Shadow em “Head Full of Snow”. Nela, a versão latina de Jesus salva a vida de alguns desses imigrantes, com a cena terminando em uma referência deslumbrante à crucificação de Cristo.

O capítulo dessa semana termina com a notícia de que os Novos Deuses conhecem o atual paradeiro da dupla principal, deixando no ar o perigo iminente em que foram colocados, e apenas agora (sim, no sexto episódio!) é que Shadow começa a perceber os bizarros acontecimentos à sua volta. Resta-nos esperar para saber quando é que ele começará a entendê-los e participar efetivamente do arco narrativo principal, já que por enquanto age como uma marionete de Wednesday.

“A Murder of Gods” carrega bons momentos, mas não consegue superar os demais episódios da temporada. O mais fraco até aqui, tem em sua cena de abertura o momento mais simbólico da exibição e se perde um pouco em um clímax superficial e mal trabalhado. Vulcan não deixará saudades.

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