American Gods – 1×07 – A Prayer for Mad Sweeney

Imagem: Starz/Divulgação (Reprodução)

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Desde o episódio em que a história de Laura e Shadow foi apresentada, discussões acerca do ritmo da narrativa da série foram despertadas pelos fóruns, redes sociais e grupos destinados aos fãs de American Gods. A verdade é que, para uma temporada tão curta – o oitavo e último episódio foi ao ar neste domingo, 18 -, os produtores pareceram se importar mais em apresentar personagens e estabelecer questões do que desenvolver o arco principal. Ao menos é essa a conclusão que cheguei ao assistir “A Prayer for Mad Sweeney”, o sétimo capítulo dessa história, que recria a trajetória do Leprechaun aliado aos antepassados da personagem de Emily Browning.

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Contudo, não necessariamente esse vem a ser um ponto negativo para a série. O episódio citado no início do texto, por exemplo, fugiu totalmente da linha narrativa para abordar questões do passado do protagonista e de sua esposa, tendo como resultado o capítulo mais coeso até aqui. Havia razões para que aquela decisão tivesse sido tomada – aprofundamento destes personagens, explicações acerca da morte de Laura e a solução de um mistério criado começo da temporada. Até porque a série se baseia em uma obra literária relativamente curta, é essencial que não se limite às páginas para expandir o universo televisivo.

A Prayer for Mad Sweeney”, entretanto, não parece preencher nenhum desses quesitos. A não ser que Bryan Fuller e Michael Green soubessem antecipadamente da renovação da série para a segunda temporada (confirmada no mês passado) ou que o último episódio entregue um desenvolvimento vigoroso da trama, a narrativa principal realmente parece ter ficado de escanteio nesse ano de estreia de American Gods. Não acredito no segundo fator, visto que os vídeos da season finale indicam que uma nova personagem (sim, tem introdução de personagem aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo!) deve roubar a cena, e o fato da série ter sido uma aposta arriscada do canal Starz praticamente elimina a primeira opção, que justificaria a história ser desenvolvida pelos roteiristas apenas na próxima temporada.

A escolha de dedicar, a essa altura do show, um episódio inteiro para o background de um personagem secundário é no mínimo estranha. Em entrevista veiculada após a exibição do domingo, os criadores confessaram o desejo de aproveitar a elogiada atuação de Browning como justificativa para aprofundar o passado de Sweeney, mas isso é motivo suficiente para quebrar o processo narrativo que vinha se desenvolvendo bem desde o quinto capítulo?

Embora a relação do Leprechaun com a morte de Laura apresentada ao final seja interessante e o trabalho de Pablo Schreiber e Browning – a atriz surpreende mais a cada semana – consiga sustentar a trama, as cenas que percorrem a vida de uma jovem irlandesa que é exilada e se torna uma ladra antes de chegar ao Novo Mundo não acrescentam nada à história. No final, descobrimos que esse é na verdade o relato da trajetória de Sweeney à América, com direito ainda a narração sobre a resistência aos deuses antigos pelo povo americano. Nada de novo, ou que não pudesse ser introduzido apenas com uma cena inicial, como fizeram com outros.

A Prayer for Mad Sweeney” foi o maior deslize da série até aqui, deslocando-se do arco narrativo e se perdendo em meio a uma história que se arrasta e traz pouco conteúdo importante ao desenvolvimento da trama. Como se isso não fosse o bastante, cenas em slow motion ainda contribuem para um episódio arrastado. A temporada, que vinha se desenvolvendo nas últimas semanas, sofre um dano que pode ser reparado pela season finale, ou não.

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