American Gods – 1×08 – Come to Jesus [SEASON FINALE]

Imagem: Divulgação/Starz
Imagem: Divulgação/Starz (Reprodução)

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Com “Come to Jesus”, chega ao fim a primeira temporada de American Gods, uma das maiores apostas feitas pelo canal Starz, seja pelo pesado orçamento necessário para se criar um universo como esse ou pela enorme expectativa dos fãs da obra original do escritor Neil Gaiman pela adaptação. O episódio se destaca como um dos únicos a abordar ao mesmo tempo a trama principal enquanto desenvolve subtramas paralelas, reunindo os melhores personagens da série em um clímax que revela a verdadeira identidade de Wednesday, mas que não passa disso.

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Esquecida em algum episódio lá no início da temporada, a deusa Bilquis retorna neste final em uma introdução de suas origens e dos acontecimentos que cercaram sua vida nos últimos anos e a levaram a se aliar – pasmem – aos Novos Deuses. Embora a insistência em representá-la como uma divindade ligada intimamente ao desejo carnal e sedução soe repetitiva, afinal, já nos haviam mostrado isso algumas vezes, os roteiristas acertaram em associar a situação precária em que a deusa se encontrava com o seu templo sendo destruído pelo ISIS – mais uma relação entre a trama e as atualidades que não passou despercebida pelos showrunners. Talvez tenham entregue tempo em tela demais para a personagem, que, ao que tudo indicava, influenciaria o embate entre os Velhos e Novos Deuses no final, mas não aparece mais.

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Para integrar a equipe de Wednesday, a nova personagem, Easter, personificação do feriado da Páscoa, é quem se destaca no episódio, vivida maravilhosamente bem por Kristin Chenoweth, cujo talento se une ao de Ian McShane em uma química extraordinária que perdura pelo episódio. Em uma festa de comemoração em sua mansão, a aparição das diversas versões de Jesus citadas por Wednesday há alguns episódios ao mesmo tempo que é intrigante carrega uma boa dose do humor já típico da série, além de criar um ótimo momento entre Shadow e um deles, em um diálogo sobre a conquista da fé.

Há também espaço para Laura e Sweeney, em que ela descobre, com a ajuda de Easter, a real causa de sua morte e como ela e o Leprechaun já guardavam uma ligação há mais tempo do que se imaginava. Como se a festa já não estivesse movimentada o suficiente, chega a ótima Media e o show está armado. O clímax de “Come to Jesus” e, pensando macroscopicamente, da temporada em si, tinha tudo para dar certo: a gama reunida de personagens muito interessantes, a disputa repleta de significados, a revelação de Wednesday e a estética cuidadosa da série poderiam dar conta do recado, mas não. A cena final foi, na verdade, um dos maiores anticlímax do ano. Observar Wednesday e Easter realizarem seus planos sem uma única reação do trio inimigo não soou nada convincente.

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As falas vazias e repetitivas e o cenário de conto de fadas foram um banho frio para um público sedento pela ação que parecia prestes a tomar conta da tela, mas que não passou de alguns raios contra os homens sem rosto dos Novos Deuses. Com todas aquelas cenas dedicadas ao desenvolvimento de Bilquis, era de se esperar que ela aparecesse em algum momento para salvar esse momento tão enfadonho de alguma forma, mas não aconteceu. A tal batalha entre velhos e novos deuses – da qual se fala desde o primeiro episódio e fora melhor desenvolvida no quinto – não ganha aqui nada de novo, a não ser a ação de Easter, cujas consequências teremos que esperar para ver.

American Gods, desde o primeiro momento, se mostrou uma série promissora, com potencial de sucesso, principalmente porque os produtores conseguiram subtrair da obra original o humor e a sagacidade da trama de Gaiman, mas pareceram se perder na reta final em decisões bastante duvidosas. Muitas questões interessantes levantadas não receberam o devido tratamento, enquanto alguns temas se repetiram várias vezes, ocupando um tempo valioso para que aquelas fossem melhor desenvolvidas.

Em “Come to Jesus”, esses erros continuam acontecendo. Shadow ainda é um protagonista totalmente apagado perante os personagens coadjuvantes e o arco principal continuou estagnado – como já vinha acontecendo nessa segunda metade da temporada – enquanto as subtramas ocupavam a tela. Nem mesmo os ótimos momentos – a maioria deles de responsabilidade do talentoso elenco – salvam completamente um episódio que não funciona como season finale.