American Horror Story – 6×10 – Chapter 10 [SEASON FINALE]

American 1

Imagem: Arquivo pessoal

Sou extremamente apaixonado por American Horror Story. Considero Ryan Murphy um dos melhores showrunners da TV estadunidense e, depois de acompanhá-lo com Nip/Tuk (quem nunca viu, veja, a série é maravilhosa) e Glee, decidi dar uma chance à AHS. Comecei a acompanhar a série um pouco tarde, ela já estava em sua terceira temporada. Assim, a partir de fevereiro/março de cada ano se tornou um ritual procurar todos os dias nos sites de notícias se já havia sido revelado o tema da temporada da vez. Foi assim com em 2014 com Freak Show, em 2015 com Hotel, mas para a surpresa de toda uma nação fanática pela série, não foi assim esse ano.

Roanoke foi uma temporada cercada de mistérios. Seu elenco e seu tema não foram divulgados, diversos teasers falsos foram lançados com objetivo de nos confundir e o sua história foi escondida até o último segundo. Eufóricos por novidades, nós – fãs da série -, criávamos teorias a torto e a direito, tentado adivinhar o que Ryan e sua equipe nos reservava para este ano. Mas eis que a sexta temporada estreou, uma temporada cheia de choques, cheia de surpresas e que nos conquistou de uma maneira arrebatadora.

Logo de cara, no primeiro minuto de exibição da nova temporada, tivemos a primeira mudança na série: a sua troca de narrativa. Com letreiros que avisavam que o telespectador estava prestes a ver cenas fortes e logo após mudar para uma serie de depoimentos de personagens narrando suas histórias, identificamos que, de alguma forma, a série se trataria de um programa de documentário, desses tipo Investigação Discovery, chamado My Roanoke Nightmare, e que traria a história da colônia perdida de Roanoke como pano de fundo. Acredito que contar a história da colônia de Roanoke foi a ideia inicial da equipe técnica da série, mas talvez pelo fato de que o tema não serie suficiente para uma temporada completa, ou pelas várias vezes em que ele foi abordado na televisão, tenha surgido essa ideia da mudança da narrativa, do falso documentário, do Found Footage.

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Com isso, durante cinco episódios, fomos acompanhando os depoimentos dos “personagens reais”, intercalado com a dramatização dos fatos contados. Junto com o sexto episódio veio a tão aguardada virada da temporada, já que Ryan, mais uma vez, não deixou a série falar por si mesma e entregou que o “Chapter 6” traria uma guinada na história, e junto com ele percebemos que tudo que nos havia sido contado até agora e dramatizado em My Roanoke Nightmare era real. As mortes, os espíritos e toda aquela loucura. Então, fomos acompanhando toda essa delícia que foi a sexta temporada de AHS. Mas vamos falar dessa Season Finale.

Depois de descobrimos que Lee era a única sobrevivente do show, colocamos mais interrogações em nossas cabeças: Todas aquelas mortes eram reais? Lee conseguiu pegar a gravação do assassinato de Mason? Sim e não! De fato todas as mortes do elenco foram reais e, surpreendentemente, suas mortes foram exibidas em um programa de televisão. Depois de tantas temporadas e histórias eu pensei que American Horror Story não mais me surpreenderia, mas sim, ela me surpreendeu. Como que os familiares daquelas pessoas deixaram suas mortes serem exibidas em cadeia nacional? Estranho, mas vamos lá. Lee foi absolvida de dois julgamentos, um em que era acusada de matar seus colegas de elenco e outro onde era acusada de matar Mason (apesar da gravação da sua confissão ter sido apreendida pela polícia). Com Flora desaparecida novamente (Ôh, menina que ama sumir!), Lee retorna mais uma vez a casa onde tudo começou em busca da filha e ali encontra o seu final.

Fiquei surpreendido pelo final “bonitinho” que decidiram dá a personagem, diria até mesmo que ele foi “lírico”. Estava na cara que uma personagem tão controvertida como Lee não iria sobreviver a essa Finale, contudo inserir Flora e Priscila neste contexto me surpreendeu. Com isso o desfecho dessa temporada foi mediano. Quando analisamos Roanoke como um todo, a temporada tem um saldo super positivo. Contudo, ao analisar separadamente esse último episodio, existe uma frustração. Pelo histórico da temporada eu esperava um episódio mais explosivo. Contudo, o único momento de tensão que tivemos foi quando Lot invadiu a entrevista de Lee e Lana armado e só. Foi um final redondo, coeso, mas… sem graça! Sem dúvidas, esse último episódio deixou um gosto agridoce.

Em seus aspectos técnicos, a série continua perfeita. Fotografia, montagem, trilha sonora, tudo impecável. As novas formas narrativas que a série utilizou, como found footage, o torture porn, foram feitos com muita maestria. Outra coisa que não faltou esse ano (como em todos os outros) foram as referências à A Bruxa de Blair, O Iluminado e Quadrilha dos Sádicos, vários clássicos foram citados, mesmo que não explicitamente.

Com uma temporada que priorizou o horror como nunca, a equipe de maquiagem e efeitos visuais da série merece aplausos. Dessecamento humano, empalamento, sangue voando para todos os lados, essa foi sem dúvida a temporada mais violenta de American Horror Story. Não que isso seja um demérito, de forma alguma. Afinal, quem não amava quando a açougueira descia aquele cutelo na cabeça alheia? Ainda sobre a equipe técnica vale citar que mais da metade da temporada, teve seus episódios dirigidos por mulheres: Jennifer Lynch, Marita Gabriak, Elodie Keene, Gwyneth Horden-Payton, Alexis Ostrander e nossa rainha destruidora de mundos, Angela Basset, foram as divas que tocaram o terror e arrasaram atrás das câmeras nessa temporada.

E se atrás das câmeras, foram as mulheres que comandaram, na frente delas não foi diferente. American Horror Story sempre foi uma série que apostou na força de seu elenco feminino, mas esse ano elas estão de parabéns. Os homens não conseguiram marcar território de forma nenhuma. Evan Peters, Finn Wittrock, Wes Bentley, dentre outros, entraram mudos e saíram calados. Enquanto as mulheres deitavam e rolavam no comando da temporada e três dessas atrizes, que já foram citadas inúmeras vezes nas reviews anteriores, merecem destaque novamente: Sarah Paulson, Kathy Bates e Adina Porter.

Elogiar Sarah Paulson é chover no molhado, mesmo assim, temos que fazer isso. Ela brilhou interpretando Shelby e Audrey, conseguindo dar personalidade própria a cada uma dessas personagens, reafirmando, mais uma vez, porquê é uma das melhores atrizes da atualidade. A curiosidade fica no fato de Sarah ser a única atriz de AHS a ser indicada a um Emmy por todas as personagens que ela interpretou até agora.

Já Kathy Bates veio mostrar porque ela foi a primeira atriz a ganhar um Oscar na categoria principal por um filme de terror. Tanto sua Açougueira, como sua Agnes, foram mulheres fortes e verdadeiramente assustadoras e a cena em que ela vai incorporando as duas em sequência é uma das melhores de toda a série. Kathy tem desde já minha torcida ao Emmy de melhor atriz coadjuvante em minissérie.

E por último temos Adina Porter que é, sem sombra de dúvidas, a maior surpresa da temporada. A atriz teve a personagem mais complexa desse ano. Lee era uma mulher ao mesmo tempo forte e frágil, corajosa e de atitudes duvidosas. A atriz cresceu junto com a personagem e conquistou a todos. E fica aqui minha intimação para que o Ryan chame-a novamente para a próxima temporada. #EstamosDeOlhoEmVocêRyan

Com todos esse méritos, Roanoke foi uma temporada maravilhosa de se assistir, que reinventou a série de uma maneira assustadora e está sendo considerava por muitos a melhor temporada de American Horror Story até agora (não por mim, Coven sempre vai ter um lugar especial no meu coração). A temporada mostrou que todo aquele suspense, toda aquela ansiedade, que ela nos fez passar, valeu a pena e calou a boca de todos que diziam: Volta, Asylum.

Até a próxima temporada! 😉

Roanoke: Quero agradecer imensamente a todos que acompanharam a cobertura de American Horror Story, a primeira série que cubro aqui no Mix de Séries. Foi um prazer escrever durante esses dez episódios para vocês. Muito Obrigado!

Roanoke 2: Lana Banana, uma das melhores personagens do universo AHS participou dessa Finale. Lindíssima e super bem conservada (produtos Yvone, alguns dizem).

1 comment

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    Bruno D Rangel 21 novembro, 2016 at 13:57 Responder

    Eu considero esse o episódio mais fraco da temporada. Mesmo assim a temporada foi sensacional e empata com Asylum como as melhores temporadas.

    Senti falta de não falarem sobre a primeira filha de Lee, Emily. Achei que seria citada novamente.
    Não gostei da maquiagem da Lana e nem da peruca da Lee. Hahaha
    Também tinha esperanças de que pelo menos monolítico episódio haveria uma abertura oficial, mas não.

    E a cena final entre Lee e Flora na casa foram as únicas que não foram filmadas por “alguém”. Como se não houvesse câmeras.

    Enfim, uma temporada sensacional, como há tempos não víamos.

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