American Horror Story – 5×04 – Devil's Night

AHS
Imagem: Tribzap2it

Imaginem uma criança na festa de seu aniversário, ao ver chegando aquela tia que sempre dá roupas, nunca brinquedos. Pois é, essa foi a expectativa com que encarei esse quarto episódio de Hotel, depois de dois capítulos anteriores tenebrosos (no sentido ruim da palavra, para um seriado de terror). Essa baixa expectativa acabou sendo benéfica, afinal, eu não esperava muito e achei que deu uma melhorada. Sério, galera, o seriado andava pior que a dublagem da Pitty para o jogo do Mortal Kombat, então esse episódio surge como um pequeno vaga-lume no fim do túnel.

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Mercúrio está fazendo sua festinha anual de Halloween, intitulada Noite do Diabo.  É o dia em que ele recebe vários assassinos seriais famosos já mortos, gente da melhor espécie como:

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  • Aileen Wuornos – Apontada como a primeira assassina em série dos Estados Unidos, Aileen era uma prostituta com histórico de abusos, que foi condenada à morte por sete assassinatos. Já rendeu um Oscar para Charlize Theron no cinema, mas aqui foi interpretada de forma bem histérica pela freirinha endemoniada de Asylum. Descobrimos que ela é uma fantasminha que convenientemente carrega sua carteira de motorista na bolsa, caso algum detetive não acredite em sua identidade;
  • Richard Ramirez – Conhecido pela imprensa americana como Night Stalker, seria só mais um viciado em drogas se não fosse sua compulsão em matar. Foram 13 assassinatos e mais algumas dezenas de roubos, estupros e atos violentos. Com esse curriculum tão extenso, obviamente ele foi condenado à morte, mas acabou falecendo de causas naturais antes do Estado gastar dinheiro público com injeção letal. Entrou com tudo no episódio, assassinando hóspedes do hotel com requintes de crueldade, mas na festinha do Mercúrio, se limitou a fazer piadinhas e dançar de forma babaca com a Aileen. Só prometeu e não cumpriu;
  • Jeffrey Dahmer – Se tem um assassino de realmente dar medo, esse é o cara. Com uma predileção por homens jovens e bonitos, Dahmer foi acusado de 17 assassinatos, com agravantes de estupro, canibalismo e necrofilia. Quando foi preso pela polícia em 1991, foram encontrados vários pedaços de crânios e pênis de suas vítimas armazenados. Foi condenado a míseros 957 anos de cadeia, mas cumpriu só três, pois foi espancado até à morte na prisão. Mas fiquem tranquilos, ele deve estar no céu, já que se arrependeu e se converteu ao evangelho (eita clichê, mas pelo menos ele pulou a parte em que faria filme pornô). Na festa do Mercúrio, se limitou a jogar olhares de desejo para o policial John, e brincar com uma furadeira no crânio de um rapaz que lhe foi dado de presente;
  • John Wayne Gacy – Esse é conhecido como Palhaço Assassino, pois se fantasiava em festinhas infantis para atrair algumas de suas vítimas, de preferência crianças e adolescentes. Acusado de 33 assassinatos (esse número varia), recebeu uma pena de 21 prisões perpétuas e 12 penas de morte… Caramba, haja reencarnação para cumprir isso tudo. Foi interpretado pelo mesmo ator que fazia o palhaço assassino de Freak Show, ou seja, se tem palhaço envolvido, joga esse cara pra fazer;
  • Assassino do Zodíaco Foi um assassino em série do final da década de 60, que jamais foi preso. Era audacioso, mandava pistas de seus crimes para polícia. Foi retratado na Noite do Diabo vestido de Cavaleiro Negro do Monty Python (se você não sabe do que estou falando, corre para o Youtube, é hilário). Completamente desnecessária sua presença, parece que foi um recurso do roteirista pra gerar apenas uma piadinha, pois depois de sua apresentação, sequer foi notado no desenrolar da trama.

Evan Peters é um excelente ator, mas foi muito mal escalado nessa temporada. Apesar de ter 28 anos, ele sempre me parece um adolescente, pronto para protagonizar a nova fase de Malhação. Não me convence como o serial killer que fundou o hotel, muito menos com aquele bigodinho falso. Eu não acredito nele sendo “o cara” no meio desse monte de psicopata.

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AHS
Imagem: Awesomedl

Algo que me incomodou bastante: Em alguns momentos, o roteiro parece tratar os telespectadores como idiotas, subestimando nossa inteligência. Qual foi a necessidade do humorista Paulo Gustavo (barman do hotel) ter que explicar detalhadamente, cada passo e motivo das coisas estarem acontecendo daquele jeito? Só faltou botar a gente no colo. Lowe foi o personagem “orelha”, se portando como um imbecil, que precisava de tudo completamente explicado. E você se diz um detetive, cara?

O episódio foi bem focado na tal festa, que terminou com a gêmea siamesa de Freak Show Sally levando uma vítima para os assassinos se esbaldarem, enquanto um indignado John Lowe, chapado de absinto, só podia observar. No final, toda a bizarrice presenciada pelo policial foi mascarada, como se ele tivesse delirando. De resto, nada de muito relevante aconteceu. Tivemos a transformação da mulher do policial em vampira, para ficar perto de seu filho (parabéns pela criatividade roteiristas, segundo episódio que termina com alguém pegando o tal vírus da Gaga). Rolou também um flashback com a história de vida da camareira, de como ela perdeu seu filho na noite de Halloween (na boa,  é só a mulher com tesão em limpar lençóis, ninguém se importa com ela).  Miss Poker Face não apareceu muito, talvez por isso também não teve o exagero de apelar para o lado sexual que já estava banalizado.

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Bem, se não foi um episódio sensacional, pelo menos não foi um lixo igual aos dois anteriores. Bem honesto, com um lampejo de criatividade que quase me fez lembrar os melhores momentos de outras temporadas. Quase.