American Horror Story: Cult – 7×11 – Great Again [SEASON FINALE]

Imagem: FX/Divulgação

American Horror Story: Cult chega ao fim em mais uma final girl de Sarah Paulson!

Contida, essa é uma das palavras que pode definir Cult, quando comparamos ela com as temporadas anteriores de American Horror Story. Neste sétimo ano, todos os aspectos sobrenaturais foram deixados de lado. Não tivemos casas mal assombradas, asilos sinistros, bruxas, nem nada do gênero. Para nos dar medo, Ryan e toda a sua trupe usaram de elementos reais, e o mais chocante é o quanto tudo deu certo. Essa é, na minha opinião, uma das mais assustadoras temporadas de AHS.

De início, quando divulgado que essa temporada iria “retratar” as eleições presidenciais e as consequências da vitória de Trump nos EUA, logo fiquei apreensivo de que essa temporada teria como único objetivo passar mensagens anti-Trump e pró-Hillary. Quando a série estreou, ficou claro que não seria totalmente assim, houve severas críticas (verdadeiras, diga-se de passagem) ao atual Presidente estadunidense e até mesmo à Hillary (Ela age como se ser Presidente fosse um direito dela…), mas o principal motivo das eleições serem retratadas era que elas serviriam para catapultar os acontecimentos de toda a temporada. American Horror Story mostrou em Cult as consequências da utilização de uma velha política no mundo: a política do medo.

Continua após a publicidade

Afinal, sob o efeito do medo ou quando se está assustado ou acuado, a que ponto pode chegar o ser humano? É possível que, na tentativa de nos sentirmos mais seguros, a gente cometa atos que nós considerávamos impensáveis? AHS: Cult brincou e refletiu com esses questionamentos, fazendo questão de mostrar que nada em seu enredo é surreal ou impossível de acontecer. E é isso que faz essa temporada ser tão assustadora, a ideia de que tudo aquilo que vimos pode sim se tornar ou ser uma realidade. A possibilidade de séries como AHS: Cult e The Handmaid’s Tale se tornarem reais é simplesmente enervante.

Contudo, mesmo contando com uma história tão cheia de potencial, Cult passou longe de ser uma temporada perfeita. Olha, mas bota longe nisso. A série não soube trabalhar bem a maioria dos seus personagens e foi cheia de conveniências para eles e para o roteiro. Tivemos, como já era de se esperar, dois grandes destaques no elenco: Sarah Paulson e Evan Peters, os dois maiores veteranos de universo AHS. Com a ausência das atrizes de requinte com qual estávamos acostumados, como Jessica Lange, Kathy Bates e Angela Basset, tendo apenas a Fances Conroy que apareceu tarde e pouco, ambos, Evan e Sarah, tiveram para si os holofotes e não fizeram feio. Claro que, em algum ponto da temporada, os dois sofreram com os maus momentos de seus personagens, mas não por culpa deles e, sim, do roteiro.

Kai foi simplesmente o melhor de Cult. Não que com isso eu esteja defendendo o personagem ou algo do gênero, até porque ele era desprezível. Mas era sua função na história ser assim. Ele foi o epicentro, o eixo da temporada. Metade dela focou na formação e atos do seu culto e metade dela focou na tentativa de destruí-lo. Fora que, no grande mar de personagens subaproveitados e mal desenvolvidos de Cult, ele foi o que teve a trajetória mais coesa (dentro dos limites do possível, é claro). Óbvio que o sucesso do personagem se deve à força e ao carisma de Evan Peters, que teve no vilão não apenas o seu melhor papel na série, mas o de toda a sua carreira. E para os que achavam o personagem um absurdo e totalmente fora da realidade, a série fez questão de mostrar o contrário, ao retratar outros líderes de cultos tão loucos quanto o Kai como: Jim Jones, Charles Manson e David Koresh. Com uma inteligência e perspicácia fora do comum, Kai utilizada as fraquezas das pessoas contra elas mesmas, as colocavam para baixo, as humilhava e as fazia vê-lo como sua tábua de salvação. E quem acha que esse tipo de técnica não dá certo, basta abrir os livros de histórias para ver que Hitler conquistou a Alemanha dessa mesma forma, jogando as fraquezas da nação bem na cara dela.

Já Sarah brilhou, coisa que ela já faz só por existir, mas numa personagem que testou a paciência de todos nós. A personagem foi de um extremo a outro com a maior das facilidades. Passou metade da temporada chorando, sendo perseguida e atormentada pelas suas fobias. Não aguentava ver uma gota de sangue e quando matou, acidentalmente e em legítima defesa, uma pessoa, quase morreu junto. Mas numa virada de roteiro à la Maria do Bairro, voltou com tudo, controlada e e com muita estratégia, se infiltrou no culto, cometeu assassinatos a sangue frio e virou informante do FBI. Uau! Essa realmente merece aplausos! Apesar da personagem ser irritante e inconstante, Sarah, como sempre, fez um belo trabalho. A atriz deu todas as nuances necessárias à personagem e não deixou a peteca cair nenhuma vez! Palmas para ela!

Com isso, o gosto deixado na boca por essa finale é agridoce. Claro que foi maravilhoso ver Ally dando a volta por cima, acabando com o Culto e seguindo em frente, mas é impossível não pensar na forçação de barra que foi a trajetória dessa personagem. Além disso, vê-la no final liderando um culto que provavelmente é o SCUM da Valerie Solanas é de extremo mal gosto. Um movimento radical, ainda que feminista, vai contra tudo que a série pregou em alguns pontos da temporada. Até porque, criticar Trump tão severamente e transformar a finale da temporada numa batalha de homens x mulheres é totalmente sem noção. Pois outras minorias, como negros, gays e trans, que também foram discriminadas por Trump, mereciam tamanho destaque.

No final, percebemos que Cult não foi ruim, contudo tinha chances de ser beeem melhor.

Eu, vocês, Ryan Murphy e, muito provavelmente, Sarah Paulson e Evan Peters, temos um encontro marcado em 2018! Até lá! 😉

1 comment

Add yours
  1. Avatar
    Bruno D Rangel 22 novembro, 2017 at 13:54 Responder

    “A série não sobe trabalhar bem a maioria de seus personagens e foi cheia de conveniências para eles e para o roteiro.”. Isso é tão verdade!!!

    Concordo que o tema tinha tanto potencial, mas foi mal usado. Os “novos” atores não cativaram, não marcaram presença e alguns nem bons foram. Desperdício de Cheyenne e Billie. Alison Pill eu não conhecia, mas achei muito fraca, assim como os outros que nem lembro o nome (o policial e o “casal”).

    Ally teve sua virada, apoiava o FBI, matou a esposa e atirou na cabeça de outra e não aconteceu nada com ela (provavelmente a culpa ficou para Kai). Beverly (Adina maravilhosa) deveria ter sido presa, depois de ter torturado e ajudado a matar tantas pessoas, mas apenas se arrependeu e ficou livre.

    Achei a temporada com mais baixos do que altos, com muitos flashback que pouco adicionaram.

Post a new comment