American Horror Story – Freak Show – Ep. 1 – Monsters Among Us

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A primeira coisa a ser dita quando o assunto é American Horror Story é: esta não é, definitivamente, uma série “acessível” ou comum. Com histórias absurdas, personagens insanos e um visual carregado, AHS conquistou uma boa parcela de fãs com sua primeira temporada que trazia uma família sofrendo em uma casa mal-assombrada. Em seu primeiro ano, AHS ainda não era tão extravagante como viria se mostrar no futuro, mas já trazia em seu cerne elementos que beiravam o absurdo e, às vezes, o ridículo.

A segunda temporada – a mais insana de todas – trouxe os pacientes e funcionários de um sanatório. AHS – Asylum é considerado por muitos o melhor ano do programa. Discordo. Acredito que a primeira temporada seja a mais sensata e elaborada. Asylum, por exemplo, se perde em subtramas desnecessárias envolvendo zumbis (ou seriam mutantes?) e até mesmo alienígenas. Uma salada de coisas grotescas que funcionou, mas poderia render uma história de horror bem mais bacana.

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Já o terceiro ano, Coven, começou com a promessa de ser o melhor exemplar de AHS. A despeito do primeiro capítulo, realmente envolvente e bem feito, a temporada derrapa vergonhosamente na metade, perdendo a força e o ritmo. As personagens – a maioria jovens bruxas – não são tão boas como as apresentadas em anos anteriores e apesar de estar mais contida que no segundo ano, AHS teve o seu pior momento até então.

Depois de passar por uma casa maldita, um manicômio e uma casa de bruxas, AHS resolve visitar o local mais lógico e propício para uma boa história de horror: um circo itinerante cheio de “aberrações”. Para o estilo da série e de seu criador, Ryan Murphy, é a melhor ideia possível. Voltam os melhores atores, entram os anos 50 e a festa começa. Começou o show de horrores!

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E não começou da melhor forma. Com o material que tem em mãos, Ryan Murphy e Brad Falchuk poderiam ter explorado muito melhor os cenários e os personagens. Durante o primeiro capítulo, por exemplo, temos apenas flashes do que poderia ter sido o Freak Show. Os momentos mais inspirados são aqueles que focam no palhaço assassino (a melhor coisa deste início de temporada) e na atmosfera americana cinquentista. Freak Show se beneficiaria imensamente, por exemplo, caso mostrasse seus personagens inseridos no cotidiano “normal” da pequena Jupiter, na Flórida. É compreensível que o foco seja o grupo de outsiders que vivem no circo (se é que podemos chamá-lo assim) e como eles se relacionam naquele meio, mas o grande barato de se ter uma história que se passa nos anos 50 é mostrar a cultura daquela época.

De qualquer forma, AHS nunca foi um tratado sobre a cultura ou sobre a psique humana. AHS é um pacote de diversão com uma porção de cenas grotescas e boas atuações. Convenhamos, senhoras e senhores, American Horror Story pode se encaixar naquela conhecida categoria de guilty pleasure. E isso não é um defeito, apenas um fato que deve ser encarado. AHS não é um drama, é um terror bem sem vergonha (no bom sentido, claro).

Um dos grandes problemas da série, e que está presente em Freak Show, é o fato de que nada é implícito. Não há espaço para a imaginação. Tubarão, clássico de Steven Spielberg, é o maior exemplo do horror que conquista e aterroriza por mostrar pouco e brincar com a imaginação do público. AHS, por outro lado, joga na cara do espectador tudo que quer mostrar. Dot e Bette, as irmãs interpretadas por Sarah Paulson, por exemplo, foram reveladas na primeira imagem oficial da série. Em vários vídeos e imagens promocionais de Freak Show, lá estavam as irmãs. Isso cansa o público antes da série estrear; quando elas aparecem, nós já a conhecemos e a imagem não choca, não causa impacto algum. Devo dizer, porém, que os efeitos digitais e práticos que criam duas cabeças em um só corpo são excelentes.

Depois de um bom episódio, que poderia ser muito melhor do que é, vemos as cenas dos próximos capítulos, e elas são animadoras. Quando pequenos fragmentos de cenas e trailers são melhores que o episódio em si, algo não está muito certo.

Uma observação: o visual do palhaço assassino é fantástico!

Uma outra observação: o número musical que acontece nos momentos finais é ótimo. Um dos melhores momentos do episódio.

Uma última observação: a abertura de Coven segue como a melhor de AHS.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

12 comments

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    Jé Mazzola 10 outubro, 2014 at 10:48 Responder

    concordo em algumas partes, Matheus. Sim, o palhaço assasino é sem dúvida a melhor coisa dessa temporada; os efeitos visuais das irmãs está incrível e tudo é beeeeem grotesco. Mas acho que a sua melhor observação é exatamente quando fala que eles cansam muito o publico já mostrando tudo antes da temporada começar! Se eu nao tivesse visto a imagem das irmãs ha quase dois meses atrás eu estaria em prantos agora, assim como estou com o palhaço. Mas sobre a desenvoltura das aberrações e do fantástico, acho que AHS sempre foi bem maluca e é assim que gosto dela, pq nada faz sentido as vezes. Com certeza é uma série para se ver com o coração aberto hahahahaha ps: ótima análise sobre as temporadas <3

    • Matheus Pereira
      Matheus Pereira 11 outubro, 2014 at 21:20 Responder

      AHS é pra ser vista com coração e mentes abertos mesmo rsrs. AHS precisa esconder mais do espectador. Não tem que enganar, mas sim esconder. O palhaço, que ficou um pouco de fora dos materiais promocionais, surpreendeu por ser novidade. Só acho que ele poderia ter mais características de palhaço, sabe? Cairia bem um nariz vermelho e uma peruca mais volumosa. Você conhece IT, uma minissérie baseada em um livro homônimo de Stephen King? Então, lá tem um palhaço com visual clássico que é muito assustador. Acho que AHS poderia ter bebido naquela fonte. Mas do jeito que está também tá legal. hahaha

      Volte sempre, Jé!

  2. Avatar
    João Victhor Sales 10 outubro, 2014 at 14:07 Responder

    O tema dessa temporada é ótimo, é rico, é estético, mas achei a premiere morna, não me senti muito por dentro da trama, nem vi muita trama, só apresentação de personagens, um vislumbre, não me senti situado, inserido, mas talvez seja esse o propósito, sei lá, é AHS. O palhaço é sujo e feio, só, e essa máscara é um artifício bem pobrinho, convenhamos, esperava mais terror, pq odeio palhaços. AMEI, as gêmeas siamesas, o conflito e a dualidade de um corpo só, ótima sacada, Sarah tá super segura, uma fuma e a outra solta a fumaça, elas compartilham dor e pensamentos, uma sonhadora, inocente, liberal e outra séria, ríspida, conservadora, a mais sonhadora lá (não decorei os nomes) fica com a cabeça mais torta enquanto a séria fica ereta, mostrando a submissão de uma perante a outra, a séria come e a sonhadora não, além da questão do sexo. AMEEEEEI, até as feições e a voz da Sarah mudam, genial, prevejo ótimos conflitos. Espero que Pepper tenha um destaque pq Freak Show é um prelúdio da personagem, que meus medos quanto a trama não se concretizem, pq os outros medos podem, tamo aqui pra isso. Ótima review, Matheus o/

    • Matheus Pereira
      Matheus Pereira 11 outubro, 2014 at 21:14 Responder

      O tema é realmente fantástico, mas merece um tratamento melhor. Também percebi esses detalhes nas irmãs (a sonhadora submissa à séria e tal) e acho que Sarah Paulson pode roubar a série para si. Ela interpreta duas personagens distintas, afinal. A interação entre as duas é o que há de melhor na performance de Paulson e os bons efeitos só ajudam para acreditarmos em Dot e Bette.

      Valeu João! Nos encontramos semanalmente em cada review!

  3. Avatar
    Rubens Rodrigues 10 outubro, 2014 at 19:10 Responder

    Foi um bom episódio, mas somando os mais de 60 min achei cansativo. Você está certo quando diz que AHS sempre joga tudo para o telespectador e essa é uma marca da série, o que eu vejo como um problema pelo menos para os pilotos que são sempre “bagunçados”. Foi um grande acerto o fato do episódio começar com as gêmeas siamesas, pois como desviei de todo material promocional (de propósito) me vi surpreendido pela qualidade do trabalho visual e das atuações de Sarah Paulson, que como o João comentou aqui, está super segura. A trilha sonora tá ótima, destaque pra produção musical nas cenas de Dot e Bette que está cinematográfica. Também gostei do visual do palhaço, mas esperava algo mais realista. E a abertura tá sensacional!

    Sobre Asylum, penso que foi a melhor temporada justamente por unir tantas coisas distintas e mesmo assim funcionar, na minha opinião, perfeitamente. Murder House deixou a desejar em vários quesitos e o roteiro se perdeu depois do episódio de Halloween, enquanto Coven derrapou já em um dos capítulos iniciais.

    • Matheus Pereira
      Matheus Pereira 11 outubro, 2014 at 21:16 Responder

      Pois é, os pilotos de cada nova história de AHS costumam ser bagunçados e confusos por trazerem muitos personagens e informações. Coven teve um primeiro episódio bem bacana, com boas apresentações e bom desenvolvimento, mas como vc disse, derrapa logo em seguida. É a pior história de AHS.

  4. Avatar
    Douglas Couto 13 outubro, 2014 at 20:11 Responder

    Bela review Matheus, eu gosto de ler seus textos, você tem visões interessantes.

    Mas tem um pedaço que muito gente cai no mesmo erro quando se fala em AHS.
    Você considera um problema o fato de nada ser implícito porque confunde o significado de terror e horror. O que o Spielberg faz em Tubarão é aTERRORizar como vc mesmo citou e não HORRORizar que tem mais a ver com a impressão física de repulsão, causada por algo de medonho, sentimento de aversão que é exatamente o que a gente vê. AHS sempre foi sobre chocar e enojar mais do que aterrorizar. E tá certo já que o nome da série é American Horror Story e não American Terror Story.

    • Matheus Pereira
      Matheus Pereira 17 outubro, 2014 at 13:02 Responder

      Grande Douglas!

      Você tem toda razão cara! Eu, como fã de Stephen King, que sempre fala sobre a diferença entre horror e terror, deveria lembrar disso. Não tenho o que discordar de seu comentário. Ainda assim, acho que AHS poderia esconder um pouquinho as coisas. Entendo o objetivo da série, mas seria bem bacana um certo segredinho. rsrs

      Abraço!

  5. Avatar
    Douglas Couto 13 outubro, 2014 at 20:11 Responder

    Bela review Matheus, eu gosto de ler seus textos, você tem visões interessantes.

    Mas tem um pedaço que muito gente cai no mesmo erro quando se fala em AHS.
    Você considera um problema o fato de nada ser implícito porque confunde o significado de terror e horror. O que o Spielberg faz em Tubarão é aTERRORizar como vc mesmo citou e não HORRORizar que tem mais a ver com a impressão física de repulsão, causada por algo de medonho, sentimento de aversão que é exatamente o que a gente vê. AHS sempre foi sobre chocar e enojar mais do que aterrorizar. E tá certo já que o nome da série é American Horror Story e não American Terror Story.

    • Matheus Pereira
      Matheus Pereira 17 outubro, 2014 at 13:02 Responder

      Grande Douglas!

      Você tem toda razão cara! Eu, como fã de Stephen King, que sempre fala sobre a diferença entre horror e terror, deveria lembrar disso. Não tenho o que discordar de seu comentário. Ainda assim, acho que AHS poderia esconder um pouquinho as coisas. Entendo o objetivo da série, mas seria bem bacana um certo segredinho. rsrs

      Abraço!

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