American Horror Story – Freak Show – Ep. 2 – Massacres and Matinees

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American Horror Story – Freak Show chega ao seu provável ápice logo no segundo episódio. E se falo “provável”, é porque a série pode melhorar, e muito, daqui para frente. Massacres and Matinees finalmente mostra todo o potencial dessa nova temporada, e isso se dá, basicamente, por dois grandes motivos: primeiro por não ter a necessidade de apresentar personagens e tramas como no capitulo introdutório e segundo pela direção de Alfonso Gomez-Rejon. Com o terreno estabelecido, Freak Show pode alçar vôos mais altos e começa a desenvolver suas tramas sem a preocupação de mostrar quem é quem e quais seus objetivos. Ainda assim, FS ainda acha espaço para apresentar dois novos e importantes personagens: Dell Toledo e Desiree Dupree. Toledo, aliás, parece ser o sujeito que irá esquentar as coisas nesse início de temporada. É daqueles personagens inteligentes e sem muito a perder que pretendem dominar o lugar onde estão.

Outro ponto que já parece estabelecido em FS é o seu visual, e isso pode ser crédito de Alfonso Gomez-Rejon, diretor deste segundo capítulo. Rejon é uma das principais mentes por trás de AHS. Ele é um dos maiores responsáveis por manter o estilo da série regular. Se juntarmos todos os episódios dirigidos por ele até aqui, chegamos a doze, o que forma, praticamente, uma temporada completa. Talvez não haja, portanto, alguém mais capacitado que ele (nem mesmo Ryan Muphy) para estabelecer um visual para FS. E perceba como o estilo desta nova temporada parece destoar um pouco dos outros anos de AHS. FS parece mais contida, em termos visuais, do que Coven e, principalmente, Asylum. Não há, ao menos até aqui, imagens entrecortadas, quadro distorcido por lentes grande-angulares, desfoque nas bordas do quadro, etc. FS parece ter adotado um estilo mais acadêmico, normal, por assim dizer. Isso não impede, porém, que a série não mantenha o seu estilo particular.

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Rejon é hábil, por exemplo, ao repetir o que Murphy já havia feito no primeiro episódio: enquadrar as cabeças de Dot e Bette isoladas uma da outra nos extremos do quadro. Mas o diretor não se limita a isso: quando os freaks entram em um restaurante para serem atendidos e comerem como pessoas normais, alguns clientes e funcionários são enquadrados do mesmo modo que as freaks Dot e Bette. Com essa simplicidade o diretor acaba associando os normais aos anormais através de um recurso visual: filmados do mesmo modo, todos parecem iguais, não havendo diferenças. O que difere é o ponto de vista.

PicMonkey Collage

“Normais” e “anormais” enquadrados da mesma forma. Há diferença?

 

Rejon também se sai incrivelmente bem na construção do suspense em uma das cenas iniciais do episódio. Ao entrar em uma pequena loja, um rapaz encontra um rastro de sangue no chão e o segue; desavisado, o sujeito passa por três palhaços – dois falsos, mas ainda assim assustadores, e um verdadeiro, e também assustador. O palhaço assassino permanece escondido e quase não notamos sua presença em um primeiro momento. O suspense é criado, a tensão aumenta e o palhaço finalmente entra em ação em uma das melhores sequências do episódio.

Outra coisa que parece certa nesta nova caminhada de AHS é que Jessica Lange deixa de ser a protagonista da história. Ainda que importantíssima dentro da trama, a personagem de Lange parece mais uma coadjuvante de luxo do que uma peça principal. FS parece ser dominada muito mais por Evan Peters e Sarah Paulson, que parecem muito seguros em seus papéis. Sarah Paulson, aliás, apareceu pouco, mas rendeu um ótimo número musical ao cantar uma música cujo estilo anacrônico chama atenção.

Freak Show entrega, portanto, um episódio dinâmico, envolvente, que desenvolve os personagens e estabelece o visual. Se continuar assim, estamos bem servidos.

Freak point 1: o sotaque de Lange não parece regular, mas seu discurso sobre as pessoas que querem assistir o show de horrores à mixpalhaçosocapa, no meio da noite, é fantástico.

Freak point 2: finalmente vemos o que há por baixo da máscara do palhaço. E não é nada bonito!

Freak point 3: parece bobagem, mas o design de som de AHS merece elogios. Perceba como a equipe cria suspense ao mostrar os passos de um personagem que saem de um piso de madeira para uma grama sintética que abafa o som. Detalhes bacanas que passam muitas vezes em branco.

1 comentário

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    Douglas Couto 18 outubro, 2014 at 01:56 Responder

    Olha Matheus, parabéns por este texto, completíssimo. Se eu fosse escrever um, seguiria bem por essa linha que vc adotou de comentar a direção e o visual. Eu passei a prestar muita atenção em som, questões visuais no geral e tudo mais há dois anos atrás quando eu comecei a assistir Sherlock. E no ano passado Hannibal também me ensinou muito. E eu fico tão feliz quando vejo uma série criando toda uma identidade e passando mensagens apenas com movimentos da câmera e enquadramentos. Vc foi certeiro ao comentar o mesmo recurso usado nas gêmeas.

    E a cena da loja foi de aplaudir, quando a gente entra na visão do cara, acompanhando o rastro, revelando só o necessário até vir e mostrar tudo no final. Genial.

    PS: Tô curioso porque ainda faltam Danis O’Hare e Emma Roberts se juntarem a trupe.

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