American Horror Story: Freak Show – Ep. 5/6 – Pink Cupcakes/Bullseye

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American Horror Story – Freak Show sofre do mesmo mal que acometeu as temporadas anteriores: síndrome do desenvolvimento enfadonho. A SDE (vamos abreviar pra agilizar o processo) é uma doença que ataca algumas séries, entre elas AHS e The Walking Dead. A SDE, como o nome sugere, tem como sintoma principal episódios iniciais muito bons e uma queda de ritmo considerável em capítulos que formam o “meio” da trama, ou seja, seu desenvolvimento. Tanto AHS quanto em TWD temos introduções/estréias impactantes e promissoras, mas desenvolvimentos chatos. Outra característica dessas séries é o fato de o final também ser bacana. Então temos uma partida e uma chegada legal, mas o caminho percorrido é um tanto decepcionante.

Não que AHS e TWD sejam ruins, longe disso, mas os roteiristas destes programas parecem não saber como conduzir uma história sem que esta se perca em subtramas desnecessárias e vazias. É o que começa a acontecer nos episódios 5 e 6 de Freak Show. Depois de um início cheio de promessas, começamos a perceber certos engodos: o que raios, afinal, Ryan Murphy e sua corja querem fazer com Dot e Bette? Já comentei em review anteriores que as irmãs parecem perdidas no meio da trama. Para onde vão? Há um objetivo? Existe um arco dramático construído para elas?

A maior prova disso é a confusão criada em torno da suposta morte das irmãs. E por mais que tenhamos visto as cabeças cortadas das coitadas, não podemos afirmar que elas realmente estão mortas, afinal, tudo pode ser falso. De qualquer modo, se as tais cabeças cortadas funcionam causando impacto por surgirem inesperadamente, logo percebemos que o fato foi jogado sem parcimônia para cima do espectador. O episódio vai muito bem até que: BOOM. As cabeças de Dot e Bette aparecem flutuando em uma espécie de aquário. A causa da (suposta) morta permanece um mistério. E aí a série volta no tempo, e mostra elas morrendo, e outra hora mostra que tudo era mentira, e que elas estão vivas, e aí vai e aí volta e aí tudo fica bem perdido.

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Mas ainda que derrape na curva, AHS sabe surpreender quando quer. Quem suspeitava que Dell fosse gay? Não é uma grande surpresa, mas a ideia pode render bons acontecimentos na trama. A participação de Matt Boomer também foi bacana, mas não posso deixar de expressar meu descontentamento com Dandy. Não consigo gostar do personagem. E não é porque o ator é ruim ou o personagem é um vilão chatinho e mimado, é porque o sujeito simplesmente não é interessante. Mataram o palhaço psicopata pra deixar esse palhaço no lugar.

Freak Show divide minha opinião até mesmo na parte técnica: se merece elogios pelos jogos de espelhos que faz constantemente, merece, também, repreensão pelo constante uso de lentes grande-angulares que distorcem o quadro. O espectador já entendeu que aquele universo é sombrio e deformado, não há a necessidade de toda e qualquer cena ter uma deformação visual para reforçar essa ideia. O mesmo funciona para o excesso de quadros inclinados, sombras e fumaça que parecem sempre presentes. O visual é tão carregado que cansa. Ainda assim, como dito, alguns momentos salvam: Elsa (Lange) mais uma vez é mostrada dividida por vários reflexos, revelando sua natureza. O mesmo acontece com Dot e Bette: cada irmã é vista em um espelho diferente em certa altura do quinto episódio.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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