Depois de emocionar o público com Vidas Passadas, a cineasta Celine Song volta a explorar as complexidades do coração em Amores Materialistas, seu segundo longa-metragem. Assim como em sua estreia, a diretora se inspira em experiências pessoais. Antes de se firmar como roteirista em Nova York, Song trabalhou por seis meses como casamenteira de elite, onde aprendeu lições profundas sobre as expectativas e exigências que moldam os relacionamentos. Essa vivência serviu de base para criar Lucy, protagonista vivida por Dakota Johnson.
Lucy, a casamenteira calculista
Na trama de Amores Materialistas, Lucy é uma matchmaker sofisticada, especializada em unir pessoas ricas e bem-sucedidas. Sua metodologia se baseia em números e métricas: altura, peso, salário e idade são os critérios que determinam o “par perfeito”.
O amor, para ela, é um cálculo frio, quase um negócio. Porém, sua própria vida amorosa é posta à prova quando reencontra o ex-namorado John (Chris Evans), um garçom sonhador, ao mesmo tempo em que desperta o interesse do milionário Harry (Pedro Pascal). O triângulo amoroso questiona se é melhor seguir o coração ou escolher alguém que “marca todas as caixas”.
Entre status e emoção
Song usa situações irônicas para revelar a pressão social por padrões superficiais. Em uma das cenas mais comentadas de Amores Materialistas, Lucy descobre que Harry fez uma cirurgia para aumentar a altura e, com isso, se tornou mais desejado. Para a diretora, esse momento é “de partir o coração”, pois expõe como números e aparências podem definir o valor de uma pessoa no mercado do amor.
Reflexões sobre o amor contemporâneo
Amores Materialistas não é apenas uma comédia romântica; é um espelho das relações em 2025. Ao mostrar homens e mulheres igualmente esmagados por expectativas, Song provoca uma discussão sobre o que realmente importa em um relacionamento. Segundo ela, o amor verdadeiro é simples, mas exige coragem para abandonar o controle e se entregar. O filme, que mistura humor e melancolia, convida o público a repensar se encontrar o “candidato perfeito” é mais importante do que viver uma conexão genuína.