Após três temporadas repletas de polêmicas, And Just Like That chegou ao fim com um episódio de Ação de Graças que, em vez de celebrar a essência de Sex and the City, acabou evidenciando a distância entre o que a franquia foi e o que se tornou.
O que sempre moveu a série original — sexo, amor, relacionamentos e, sobretudo, a amizade feminina — praticamente desapareceu no encerramento da continuação.
Quando a amizade deixou de ser o centro
O maior trunfo de Sex and the City nunca foi apenas mostrar os romances e as aventuras amorosas de Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha. O que prendia os fãs por anos era a forma como aquelas quatro mulheres se apoiavam mutuamente. Mas em And Just Like That, especialmente em seu episódio final, essa conexão ficou em segundo plano.
No desfecho, as protagonistas aparecem juntas apenas em uma cena em um desfile de noivas — e, mesmo ali, estão sentadas afastadas, sem a energia vibrante das conversas animadas de outrora. Logo em seguida, cada uma segue um caminho solitário: Charlotte celebra o primeiro Dia de Ação de Graças de Harry após vencer o câncer, Miranda se ocupa com a namorada em uma emergência médica, e Carrie acaba presa em uma festa que nem queria organizar. O resultado é uma heroína sozinha, sem amigos à altura de sua jornada.
A cena final de Carrie simboliza esse vazio. Após se livrar de encontros frustrados e lembrar-se da ruptura com Aidan, ela volta para sua mansão em Gramercy Park e dança sozinha ao som de Barry White. Mais tarde, escreve em seu livro: “A mulher percebeu que não estava sozinha, mas sim por conta própria.”. O que poderia soar libertador soa, na prática, melancólico e isolado.

O contraste com o legado de Sex and the City
O contraste com o encerramento da série original é gritante. No último episódio de Sex and the City, após reatar com Big, Carrie corre para reencontrar suas amigas, que a recebem de braços abertos, celebrando a amizade acima de tudo. A mensagem era clara: por mais que amores venham e vão, o que sustentava aquelas mulheres era a força do vínculo entre elas.
Em And Just Like That, essa chama simplesmente se apagou. A ausência de Samantha, somada ao foco excessivo em dramas individuais, deixou a franquia sem seu pilar mais forte. Ao invés de reforçar a importância da amizade feminina, a série terminou destacando personagens distantes, envolvidas em suas próprias narrativas.
O resultado foi um final desarticulado. E sim, que não apenas decepcionou os fãs, mas também rebaixou o legado de uma das produções mais marcantes da HBO.
Ao esquecer que sua verdadeira alma era a amizade, And Just Like That se tornou o ponto final que talvez Carrie Bradshaw e suas amigas nunca merecessem.