And Just Like That Final da 3ª temporada: como a série acaba?

Carrie teve seu final feliz? Saiba como And Just Like That acaba.

O revival de Sex and the City chegou ao fim. Com o episódio “Party of One”, lançado em 14 de agosto, And Just Like That encerrou não apenas sua terceira temporada, mas também a jornada televisiva de Carrie Bradshaw e suas amigas.

Michael Patrick King, showrunner da série, garantiu: essa é sua última palavra sobre essas personagens — ainda que, como ele mesmo admite, outros poderiam continuar.

Mas o que significou, de fato, esse final? E por que ele é tão importante dentro do universo que começou em 1998?

Um jantar constrangedor e uma epifania

O episódio começa com Carrie (Sarah Jessica Parker) em um momento nada glamouroso: sozinha em um restaurante de ramen, sentada diante de uma boneca em tamanho infantil, colocada ali pelo estabelecimento para “amenizar” a solidão de clientes desacompanhados. Em vez de conforto, a situação só reforça o que ela já vinha sentindo — uma desconexão consigo mesma e com o mundo ao redor.

Pouco depois, vem o ponto alto do constrangimento: um jantar de Ação de Graças na casa de Charlotte (Kristin Davis), que insiste em apresentar Carrie ao pomposo marchand Mark Kasabian (Victor Garber). A química inexistente entre os dois é encerrada de forma abrupta quando um entupimento no banheiro explode — literalmente — nos sapatos do convidado. É a deixa perfeita para Carrie sair mais cedo e, ao voltar para casa, iniciar um processo de reflexão.

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O encerramento do livro e da própria história

Em seu apartamento, Carrie liga Barry White, canta junto e escreve as últimas linhas de seu livro — uma obra que vinha elaborando durante toda a temporada. O trecho final resume sua nova percepção: “A mulher percebeu que não estava sozinha — estava por conta própria”.

Essa frase não é apenas o desfecho do manuscrito, mas também a declaração final de independência de Carrie. Ao caminhar pelo corredor, transformando o momento em uma espécie de passarela, ela vira a esquina e, no espelho, a câmera se aproxima… até cortar para os créditos ao som do tema clássico de Sex and the City. É uma metáfora visual clara: a história se fechou em um ciclo, mas a personagem está diferente — mais madura, mais consciente e mais confortável em sua própria pele.

And Just Like That 3 temporada ep 12 review
Imagem: Divulgação/HBO.

Evoluções sutis para as amigas

O final também mostra pequenas, porém significativas, transformações na vida das outras personagens.



  • Charlotte retoma a intimidade com Harry (Evan Handler) e finalmente se sente tranquila quanto à identidade de gênero de Rock (Alexa Swinton).
  • Miranda (Cynthia Nixon) fortalece seu vínculo com Joy (Dolly Wells) ao apoiá-la em um momento de emergência com seu cachorro, tudo isso enquanto se prepara para se tornar avó.
  • Lisa (Nicole Ari Parker) reafirma sua lealdade a Herbert (Christopher Jackson), recusando a possibilidade de trair.
  • Seema (Sarita Choudhury) abraça a excentricidade do relacionamento com Adam (Logan Marshall-Green), aceitando que o amor nem sempre segue regras.

Essas resoluções não são revolucionárias, mas marcam uma estabilidade inédita para um grupo que sempre viveu entre altos e baixos.

O significado de estar “por conta própria”

Para Michael Patrick King, a frase final de Carrie é uma espécie de resposta ao polêmico desfecho de Sex and the City em 2004. Naquela época, o discurso sobre “o relacionamento mais importante ser o que você tem consigo mesma” veio acompanhado da reconciliação com Big, o que gerou críticas de parte do público.

Agora, a história vai além: Carrie termina sozinha, não por falta de opções, mas por escolha consciente. É uma mensagem voltada principalmente para quem se sente incompleto por não ter um parceiro — e que, muitas vezes, internaliza a ideia de que estar solteiro é estar incompleto. O final mostra que ela construiu uma vida rica em experiências, amizades e realizações, e que isso basta.

Por que a série acabou agora

Segundo King, a decisão de encerrar And Just Like That não veio no início da temporada. Foi durante o processo de escrita, ao chegar à frase do livro de Carrie, que ele percebeu ter encontrado o ponto de fechamento perfeito. Ao levar essa ideia para Sarah Jessica Parker, ambos concordaram que era o momento certo.

HBO também apoiou a escolha, confiando que o público seria capaz de perceber que as personagens chegaram a um lugar seguro e satisfatório. Ao contrário de outras produções, o anúncio do fim não foi feito antes da estreia, justamente para evitar que a audiência encarasse cada trama com um ar de despedida antecipada.

A ligação emocional com Carrie

King admite que a emoção ao falar sobre o final não vem da dificuldade de deixar a personagem, mas do carinho que os fãs sentem por ela. Carrie é, para muitos, uma figura de identificação — uma mulher que envelheceu na TV enfrentando desafios românticos, profissionais e pessoais de forma autêntica. O showrunner reconhece que há algo de inspirador em vê-la plena aos 50 e poucos anos, vivendo no ritmo que escolheu.

Humor, drama e… um vaso entupido

Seja em Sex and the City ou no revival, um traço marcante da narrativa sempre foi equilibrar momentos glamorosos com doses de realismo quase constrangedor. Por isso, a escolha de incluir uma cena de vaso sanitário transbordando como um dos últimos momentos de Carrie é intencional: é um lembrete de que a vida, por mais bela que pareça, tem seus momentos de caos e sujeira.

Para King, essa justaposição é a essência da série — o conto de fadas e o pé na realidade convivendo no mesmo espaço. E talvez essa seja a mensagem final: o amor-próprio e a independência são importantes, mas não excluem as imperfeições do cotidiano.

O que fica para os fãs

Com o encerramento de And Just Like That, abre-se espaço para interpretações e até para “fanfiction mental”. O destino de Carrie e das amigas não está gravado em pedra, e cada espectador pode imaginar novos caminhos para elas.

Ainda assim, King foi claro: para ele, essa é uma história fechada. Outros poderiam continuar, mas ele não sente necessidade. O ciclo iniciado em 1998 chegou ao fim de forma coerente e emocionalmente satisfatória — com Carrie Bradshaw andando sozinha, mas sem estar solitária.

O legado

Ao longo de mais de duas décadas, a franquia construiu uma narrativa que acompanhou a evolução social e pessoal de suas protagonistas. De mulheres solteiras enfrentando o julgamento da sociedade nos anos 90 a personagens maduras lidando com questões contemporâneas, o universo criado por Sex and the City e continuado por And Just Like That deixa um legado que vai além da moda ou dos romances: ele fala sobre amizade, resiliência e, acima de tudo, sobre como encontrar valor em si mesmo.

E, nesse sentido, a última imagem de Carrie — confiante, caminhando como se estivesse em uma passarela — é simbólica. Não importa se há um par romântico ao lado: o que importa é que ela se vê de forma clara e gosta do que vê.



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SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.