A série Ângela Diniz, lançada pela HBO Max, reacende a memória de um dos casos mais emblemáticos e revoltantes da história criminal brasileira. A produção revisita o feminicídio da socialite mineira, assassinada em 1976 por Raul Fernando do Amaral Street, o Doca Street, na Praia dos Ossos, em Búzios (RJ). A trama traz uma abordagem sensível e crítica sobre como a sociedade da época romantizou o crime e como o caso ajudou a impulsionar o movimento feminista no Brasil.
O caso que chocou o país

Ângela Diniz, conhecida como “Pantera de Minas”, foi morta com quatro tiros à queima-roupa após tentar romper o relacionamento conturbado que mantinha com Doca Street. No julgamento de 1979, a defesa alegou “legítima defesa da honra”, tese que escandalizou o país e escancarou o machismo do sistema judiciário.
A reação foi imediata: surgia o grito coletivo “Quem ama não mata”, lema de uma das campanhas feministas mais marcantes do Brasil. O segundo julgamento, em 1981, anulou a decisão anterior e condenou Doca a 15 anos de prisão — dos quais cumpriu apenas cinco.
O destino de Doca Street
Décadas depois, Doca viveu longe dos holofotes e, em 2006, lançou o livro Mea Culpa, no qual tentou narrar sua versão dos fatos. Morreu em 18 de dezembro de 2020, aos 86 anos, em São Paulo. Sua morte encerra um ciclo de quase meio século de debates sobre justiça e violência contra a mulher.
Com a série Ângela Diniz, a história ganha um novo olhar, destacando a força da vítima e o impacto duradouro de seu assassinato na luta pelos direitos das mulheres no Brasil.