A série Ângela Diniz, da HBO Max, não apenas revive o brutal feminicídio da socialite em 1976, mas também traz à tona episódios menos conhecidos de sua vida, como o chamado “caso do caseiro”. Esse crime, ocorrido em 1973, envolve a morte de José Avelino dos Santos, empregado da casa de Ângela, e revela o quanto sua história foi marcada por tragédias, julgamentos públicos e manipulações narrativas.
O crime que antecedeu a tragédia maior
José Avelino foi encontrado morto em circunstâncias misteriosas, e a investigação, à época, teve pouca visibilidade. As causas do assassinato nunca foram totalmente esclarecidas, e as informações disponíveis são fragmentadas.
O que se sabe é que o crime ocorreu quando Ângela vivia um momento turbulento, enfrentando conflitos pessoais e disputas familiares. A ausência de conclusões concretas acabou transformando o caso em mais um elemento de especulação sobre sua vida.
A interpretação da série Ângela Diniz
Como visto em Ângela Diniz, Tuca Mendes e Ângela viveram um relacionamento intenso e conturbado, marcado por episódios que escandalizaram a sociedade brasileira dos anos 1970. Em junho de 1973, Tuca, que era amante de Ângela, assassinou o caseiro dela, José Avelino.
Na tentativa de protegê-lo, Ângela assumiu a autoria do crime e chegou a se declarar culpada, o que gerou grande repercussão na imprensa. Apesar disso, Tuca acabou condenado a dois anos de suspensão condicional da pena, e o episódio abalou definitivamente o relacionamento entre os dois, que se separaram pouco depois.
O escândalo provocou uma reviravolta na vida de Ângela, que se mudou para o Rio de Janeiro e passou a enfrentar novos conflitos. Embora alguns informações sejam conflitantes, esta é a versão apresentada na série.
A manipulação no julgamento de Doca Street

Anos depois, em 1979, durante o julgamento de Doca Street — o homem que assassinou Ângela Diniz com quatro tiros —, a defesa utilizou o “caso do caseiro” para tentar manchar a imagem da vítima.
O advogado Evandro Lins e Silva explorou o episódio para sugerir que Ângela teria um “passado violento” e, assim, justificar o crime em nome da chamada “legítima defesa da honra”. A estratégia escandalizou o país e evidenciou como o machismo institucional tentava transformar uma mulher assassinada em culpada.
Um símbolo de injustiça e resistência
Com a série Ângela Diniz, o “caso do caseiro” ressurge como parte essencial para entender o contexto de misoginia e julgamento moral que cercou Ângela em vida e morte. O episódio mostra como, antes mesmo de ser vítima de feminicídio, ela já era alvo de uma sociedade que se negava a enxergar mulheres como vítimas legítimas de violência e abuso.