Animix: Cowboy Beebop

 

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“Ok. 3,2,1 Let’s Jam!!!”

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E a coluna Animix finalmente chegou aqui! Depois de falarmos dos sucessos do presente e do passado na animação tradicional, é hora de olharmos para o outro lado do mundo e falarmos sobre anime.

Capitaneados pelas produções da década de 80 e 90, o estilo antes restrito ao Oriente conquistou o Ocidente, e ainda hoje é uma febre em todo mundo. Parte desse sucesso no início dos anos 2000 deve-se a Cowboy Beebop (ou Cowbee). A produção de 26 episódios foi a primeira no estilo Mangá a ser veiculada no bloco “Adult Swim” do Cartoon Network, nos EUA, que passa mais tarde na emissora, num horário onde o público alvo dela está dormindo, permitindo a transmissão de produtos menos, digamos, ortodoxos, conquistando a crítica e o público.

Cowboy Beebop conta a história sofrida dos tripulantes da nave Beebop, num clima de space old west semelhante àquele encontrado na série Firefly (beijos para Ana, nossa editora!). Note que tudo aqui tem a ver com o estilo, todos os personagens agem de forma peculiar a sua própria maneira. Charme, gracejos e sarcasmos rodeiam as atitudes desses caubóis que lutam contra bandidos… quando não estão em conflito consigo mesmo.

 

A História

 

A história se passa no ano de 2071 quando a tecnologia de portais espaciais permitiu a humanidade colonizar todo o Sistema Solar. Graças a um acidente com um desses portais, a Terra se tornou um lugar inabitável, espalhando a população por planetas e luas, e desconfigurando todo o sistema de governo. Após a decadência, o aumento na economia fez com que houvesse um grande diferença entre ricos e pobres, explodindo uma onda de criminalidade e a polícia – aqui representada pela ISSP (Inter Solar System Police) – se viu ineficiente com o aparecimento de diversas gangues e cartéis. Para ajudar a controlar os bandidos, um sistema de recompensa é dado para cada criminoso, e aqueles que os caçam são chamados Cowboys.

Jet, um ex-policial, se une a Spike e passa a caçar esses criminosos, não por serem boas pessoas, mas pela recompensa. No decorrer da história, Fey, Ein e Edward se unem a eles e passam a vagar pelo Sistema Solar em busca desses criminosos e de soluções para seus problemas pessoais.

 

Os Cowboys da Beebop

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Os nossos Cowboys!

 

Spike – Personagem principal da série, Spike Spiegel é um sujeito magrelo do cabelo volumoso e engraçado. Maneja uma pistola com destreza e é um mestre em artes marciais. Ex-membro da gangue Red Dragon, carrega uma história dolorosa de desilusão e morte com sua saída da organização e divide com o líder dela, o terrível Vicius, uma rivalidade ferrenha. É amargo, sofrido e vê nos membros da Beebop uma companhia nem sempre muito fiel. Seu melhor amigo é Jet e ambos foram os primeiros a se unir para caçar os criminosos na Beebop. A única coisa que desconstrói seu jeito ácido e sarcástico é a menção de um nome recheado de dor e amargura: Julia.

Jet Black – Jet é o piloto da Beebop e um grande mecânico. Ex-membro da ISSP, tende a ser mais cordial que Spike, apesar de carregar sua própria dose de dor e dramas no passado. Grande e forte, possui um braço metálico graças a uma amputação sofrida numa situação terrível ainda em sua época na ISSP. Uma situação que o levou a abandonar a polícia e, ainda hoje, cercada de mistérios…

Fey Valentine – Linda, gostosa e trambiqueira, Fey tem amnésia e usa seus dois maiores atributos (que ficam expostos o tempo todo) para conseguir o que quer. De caráter e moral duvidosos, ela tem amnésia, uma grande dívida com um cartel, e seu passado envolto em mistério faz com que se torne uma membro relutante da Beebop. Ainda que não confie em ninguém, e ninguém confie nela, ela ajuda seus integrantes… mas todos tem um preço, e o de Fey não é muito alto.

Edward – Uma menina que parece muito com um menino, Ed cresceu em um orfanato e é conhecida por todo Sistema Solar como o Hacker Radical Edward. Com óculos que lhe permitem experimentar a realidade virtual e seu computador, chamado “Tomato”, Ed quase nunca caminha, preferindo se arrastar, rolar, pular ou se balançar. Sua concentração também é bem baixa, “viajando” muitas vezes em meio as frases. Divide com Ein, um cão Corgi super inteligente trazido a bordo da nave como mascote por Jet, uma relação de quase simbiose. Enquanto Ein é mostrado como uma criatura inteligente, hackeando, atendendo telefones e falando com outros animais, Edward muitas vezes regride a um estado animal, enquanto Ein demonstra características quase humanas em suas expressões faciais. Enquanto toda a nave trata Ein como um animal de estimação, fica subentendido que Ed sabe da inteligencia do mascote.

 

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Julia….</3

 

Big Shot!

 

Fortemente inspirado pela cultura pop, as referências em Cowboy Beebop são muitas e diversas. A mais evidente são os filmes de Faroeste e seus caubóis, mas o tema é subvertido pelo clima noir das películas de detetive preto-e-branco das décadas de 40 e 50, com muito jazz e blues. A década de 70 e 80 é representada pelos filmes de artes marciais, especialmente aqueles de Bruce Lee. Para os que já são iniciados em Anime, a série Lupin III é a maior referência, admitida pelo criador da série, Shinishiro Watanabe.

Cenas específicas de filmes, como The Killers de John Woo (na session “Ballad of fallen Angel”) são as referências ou mesmo episódios inteiros como “Toys in the Attic”, largamente inspirado em Alien de Ridley Scott , e “Wild Horses” que é uma grande homenagem a Star Wars de George Lucas.

A música é fator primordial de cada capítulo, aqui chamados “Sessions”, uma óbvia alusão as “Jazz Sessions”. O nome dos episódios são referências a títulos de músicas como “Toys in the attic”, “Ballad of fallen angels” e até o filme que se originou após a série, que se situa entre as “sessions” 22 e 23, é chamado Knockin on Heaven’s Door!

Apesar de se passar em grande parte em Marte, várias culturas são mostradas em diferentes planetas e satélites, como Ganimedes, explorando uma grande variedade de tradições observadas sobre uma óptica futurista. Os cartazes de “Procura-se”, tradicionais no Velho Oeste, são substituídos por um programa de TV, apresentado por uma Peituda que fala sobre quem vale quanto!

Um grande apanhado cinematográfico dentro de um único programa que misturado, funciona quase a perfeição.

O desenrolar da trama é um grande bônus a parte. Seus personagens não tem sentimentos altruístas e dançam ao redor de seus próprios traumas, dividindo um sentimento de parceria e camaradagem, mas realmente preocupados em resolver seus próprios conflitos, em sua maioria internos.

Os temas desenvolvidos como uso de drogas, traição, assassinato, homossexualismo, um personagem principal que não para de fumar, abandono e solidão são raros de serem vistos em uma série do tipo e trazem uma carga e profundidade raramente vista em produções do gênero.

Toda essa carga culmina no personagem principal, preso a uma trama de amor, morte e dor com seu rival, Vicius, o grande líder da gangue Red Dragon, da qual já fez parte no passado. Todos os outros personagens buscam saídas e soluções para o que lhes atormenta e o resultado final da história pode ser belo, de um ponto de vista poético, mas é carregado de amargura, morte, dor e separação dos nossos Cowboys como todo bom filme Noir!

Por isso assista, ou reassista, por que essa é uma obra de arte que merece ser minimamente analisada por todos os detalhes tão bem executados que possuí!

“See ya space cowboy!!!”

Equipe Mix

Equipe Mix

Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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