Animix – Death Note

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Depois de abordar Cowboy Bebop, Animix encerra o especial de animes com Death Note, uma das obras mais conhecidas do gênero. O estilo e a trama conquistaram fãs ao redor do mundo e até hoje uma versão cinematográfica e em live-action é prometida. Indo para a o Cinema ou não, Death Note já se firmou como uma das melhores e mais importantes criações do anime moderno.

A História

Light Yagami é um jovem dedicado aos estudos. Por insistência da família e por conta própria, busca ser o melhor estudante do país. Um dia, entediado e pessimista acerca de tudo, Light encontra um caderno chamado Death Note. O problema é que o tal caderno é sobrenatural: conforme instruções presentes no próprio Death Note, se alguém escrevesse o nome de alguém nas páginas daquele diário e visualizasse mentalmente o rosto dessa pessoa, ela morreria. O dono do Death Note que escrevesse os nomes poderia descrever como a morte aconteceria; caso não o fizesse, a vítima morreria de ataque cardíaco. Assim, Light tem o poder de matar qualquer pessoa apenas escrevendo seu nome no caderno e visualizando o rosto da vítima.

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Depois de comprovar o poder do caderno, Light é visitado por Ryuk, um shinigami. Um shinigami é um deus da morte; este ser sobrenatural tem a capacidade de transitar entre o mundo real e o espiritual, podendo ceifar vidas sempre que quiser ou achar necessário. Ryuk revela a Light que o Death Note era dele, e que o deixou cair na Terra simplesmente porque estava entediado. Light, porém, está decidido: usará o Death Note com um só objetivo: matar todos os criminosos e purificar o mundo de todo o mal que o assola, tornando-se, no processo, um deus. Grandes poderes, como todos sabemos, trazem grandes responsabilidades e o uso do Death Note desencadeia diversos problemas, dentre eles, a caçada de Light, conhecido por Kira pela justiça que busca capturá-lo. O detetive L é o principal encarregado de descobrir quem é o assassino de tantas vítimas.

Os Personagens

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Light Yagami (Kira) – é um dos alunos mais inteligentes do Japão. Sua inteligência e seu pessimismo aliados o tornam um jovem introspectivo, cansado de tudo e todos. Indignado com o estado do mundo em que vive, Light vê uma grande oportunidade de mudança e poder ao encontrar o Death Note, um caderno sobrenatural dotado de poderes mortais.

Ryuk – o melhor personagem de Death Note é também o mais intrigante. Ryuk é um shinigami, um deus da morte. Entediado com sua rotina, Ryuk deixa seu Death Note cair na Terra. Ao descobrir que o caderno foi encontrado, ele desce à Terra para conhecer o novo dono do Death Note.

L – é o detetive que persegue Light/Kira. Dotado de inteligência extraordinária, L resolve casos complexos e quase impossíveis. Ao ser chamado para descobrir quem está por trás das mortes descontroladas de diversos criminosos, L mergulha na investigação e na tentativa de capturar Kira.

Misa Amane – é portadora de outro Death Note. Misa se apaixona por Light e passa a ajudá-lo no processo de purificação do mundo. Mas a relação é mais complicada do que parece ser.

Caderno da Morte

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Death Note é beseado em um mangá publicado entre 2003 e 2006 em uma revista japonesa. Sucesso na época, o mangá migrou para a televisão ainda em 2006, sendo desenvolvido pela Madhouse e exibido no Japão até 2007. Com 37 episódios, o anime foi um sucesso dentro e fora do Japão. A abrangência da história é tão grande, que já foram lançados três filmes live-action, livros, jogos e diversos outros produtos lincenciados – ou não.

Como anime, Death Note é um deleite visual e uma aula narrativa. Com total domínio sobre a trama e os personagens, a série não deixa as boas ideias se esgotarem rápido, e desenvolve os fatos de forma dinâmica, mas com parcimônia. Os roteiristas sabiam que o excesso de mortes gratuitas ou a superexposição de personagens icônicos como Ryuk atrapalharia o desenvolvimento da história. Assim, Death Note é costurada com cuidado, onde cada episódio (de 20 minutos apenas) é importante para o quadro geral, trazendo reviravoltas e novos rumos para os personagens.

Em termos visuais, Death Note é impecável: os traços e o uso de cores vão além da qualidade habitual dos animes. Todo o mundo habitado por Ryuk e demais shinigamis, por exemplo, enche os olhos. Os tons em preto e branco, ornados aqui e ali por pequenas doses de vermelho, definem a aura obscura, assustadora e sobrenatural do lugar e de seus habitantes. Já o mundo dos vivos, habitado por Light, começa cheio de cores e traços mais leves, mas vai mergulhando em sombras conforme conhecemos a psique do protagonista e o Death Note vai se mostrando cada vez mais importante e perigoso. Além disso, o visual da série torna-se dinâmico com a “câmera” (não há “câmera”, lógico, mas vamos utilizar este termo) sempre ágil, que se aproxima e se afasta dos personagens, ficando trêmula em momentos de tensão e escondendo tudo o que não pode ser visto pelo espectador. Assistir um episódio é um convite para perder-se na belíssima animação que humilha a grande maioria das animações ocidentais.

Além da narrativa e do visual elogiáveis, Death Note ainda conta com uma mitologia riquíssima, que mistura elementos da cultura oriental e ocidental de forma orgânica. Os deuses da morte, por exemplo, existem em diversas culturas. A própria imagem da morte, como ceifeira, dotada de foice e capuz negro, faz parte da nossa cultura. Na cultura japonesa, o deus da morte é um shinigami. Ryuk é o mais importante shinigami da série. É ele que revela a Light e ao espectador diversos segredos: um shinigami, por exemplo, tem olhos capazes de enxergar a “alma” das pessoas, podendo, inclusive, saber quanto tempo de vida elas ainda têm. Assim como a morte em si, um shinigami também não tem uma forma definida. Os animes aproveitam essa oportunidade e criam personagens diversos; só em Death Note, por exemplo, há vários deuses diferentes, todos visualmente impressionantes.

O shinigami tem diversas facetas na cultura japonesa. Alguns acreditam, por exemplo, que estes seres são os responsáveis pelo suicídio. As que pessoas que se matam, são aquelas que foram possuídas por um shinigami, sendo seduzida à própria morte. Outros acreditam que este deus da morte é responsável por decidir quando e como cada pessoa vai morrer. É essa crença utilizada em Death Note. A série ainda aproveita para aliar a cultura nipônica a lendas nórdicas: Ryuk constantemente é visto comendo maçãs; a lenda nórdica conta que maçãs foram encontradas em diversos túmulos de povos europeus. Seria o deus da morte que ceifava a vida e deixava uma maçã para trás?

Assim, Death Note guarda uma infinidade de curiosidades. O próprio caderno é cheio de regras e segredos (apenas um humano que tocou um Death Note pode ver um shinigami; se o caderno foi destruído ou alguém renunciá-lo, o seu portador perderá todas as lembranças relacionadas ao caderno e ao shinigami responsável por ele; etc.). Os filmes japoneses que adaptam o anime não foram lançados comercialmente no Brasil, e ficam aquém da qualidade do mangá e do anime. De qualquer modo, os americanos ainda querem transformar a história em um enlatado hollywoodiano, e já possuem os direitos para isso. Você pode assistir apenas ao anime original que está disponibilizado na íntegra na Netflix.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

9 comments

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  1. Avatar
    Paula Reis 11 março, 2015 at 15:43 Responder

    Sensacional, Matheus! Estava ansiosa por este texto. Hehehe Adoro Death Note… o melhor anime, com esta história fantástica. Estou pretendendo ver de novo na Netflix. E aguardo o futuro filme…
    Ademais, tenho certeza que o George RR Martin tem um livrinho deste tbm… hehehehe

    • Matheus Pereira
      Matheus Pereira 12 março, 2015 at 02:53 Responder

      Obrigado, Paula!! =D É meu anime favorito tbm, a história, o visual… tudo perfeito! Vc chegou a assistir os filmes japoneses? São meio toscos, mas é Death Note de qualquer jeito. rsrs E sim, o Martin deve ter uns dois desses, completos.

      • Avatar
        Paula Reis 13 março, 2015 at 00:06 Responder

        kkkkkkkkkk deve!
        Não vi os filmes… nem sei onde acha isso. Imagino o quão tosco é…. quem sabe o de Hollywood seja melhor né… mas melhor q o anime com certeza não vai ser. Mas a história é fantástica, então já vai valer.. hehehe

  2. Avatar
    Romildo Medeiros 11 março, 2015 at 22:47 Responder

    Queria muito ver um artigo falando sobre o machismo no anime. O negócio é tão forte que, a meu ver, merecia uma atenção especial.

    PS.: O texto tá ótimo. =D

    • Matheus Pereira
      Matheus Pereira 12 março, 2015 at 02:50 Responder

      Valeu!! Pois é, Romildo, mas ainda que Death Note seja dominado por personagens masculinos, não é um anime machista como tantos outros. É claro que alguns pontos são questionáveis, como o fato da personagem feminina mais importante ser influenciada pelo protagonista, mas nada que se compara ao sexismo e machismo de alguns outros animes conhecidos.

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