Apesar da dramaturgia, Os Dias Eram Assim traz críticas que valem a reflexão!!

Imagem: Rede Globo/Divulgação

Os Dias Eram Assim está disponível na Globoplay

Pra quem busca drama, romance, questões sociais e intrigas familiares, veio ao lugar certo. Embora digam ser uma produção fictícia, uma série consegue trazer muitos elementos da realidade. Os Dias Eram Assim tem exatamente esse ponto, uma vez que a novela aborda liberdade de expressão, mudança de pensamento, conflito de gerações.

Tudo isso em uma época histórica que o Brasil sofreu mudanças complicadas e turbulentas. Mas, como um bom brasileiro, tudo começa em festa e a nossa é na Copa de 70. Seleção campeã, festa nas ruas, romance no ar. Ali, Alice e Renato começam toda sua aventura pelos 88 capítulos. Contudo, nem tudo são flores por este caminho.

Ao meu ver, um dos pontos fortes da produção, além da divulgação em massa feita pela Globo no ano passado, está no elenco. Eu sinceramente gostaria de chamar a atenção para o entrosamento e coerência dos personagens. Daniel de Oliveira em um papel de vilão dando inveja a muitos veteranos por aí. Sophie Charlotte traz uma protagonista diferente, longe do mundo indefeso e totalmente ligada a valorização pessoal. Renato Góes e Gabriel Leone são nossos engajados na resistência, que falam pelo povo e passam por muito sofrimento.

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Quer mais? Eles te dão. Maria Casadevall completa esse time, com uma evolução de personagem pouco vista na televisão e com um show de atuação. Além destes ícones, veteranos como Cássia Kis, Natália do Vale, Marcos Palmeira, Letícia Spiller e outros, completam este incrível time.

Imagem: Rede Globo/Divulgação

Um som vale mais do que mil palavras…

A novela traz curiosidades interessantes, principalmente relacionado ao tema de abertura. O clássico da MPB “Aos Nossos Filhos” é cantado pelos cinco protagonistas de Os Dias Eram Assim. Fizeram uma brilhante interpretação, todavia, devemos enaltecer Sophie e Gabriel que pegaram grande responsabilidade.

Falando em música, a trilha sonora é de dar inveja em muita produção. Clássicos da época da ditadura abrilhantando os momentos mais marcantes. O mais curioso disso tudo é ver como souberam casar bem as cenas com o ritmo das canções, traduzindo tudo em um conjunto de sentimentos que cabiam perfeitamente ao espectador.

Claro que o contexto social não poderia ficar de fora de uma produção tão impactante no cenário histórico brasileiro como essa. Aspectos como homossexualidade, preconceito racial, impacto da descoberta da AIDS, relacionamentos abertos, uso de maconha, tortura e corrupção foram mais do que presentes. Todos considerados grandes tabus na época e alguns, infelizmente, até hoje. Cada episódio consegue gerar uma discussão de horas e horas nas mesas de bares. Se ficou curioso, já pode combinar de juntar os amigos… Para não estragar as surpresas, não entrarei muito em detalhes por aqui, contudo, sabemos bem o impacto da produção aos mais conservadores!

Difícil distinguir realidade de ficção em pleno 2019!

Mesmo que os anos passem, a produção consegue intercalar muito bem a questão histórica à dramaturgia. Diversas vezes, vemos cenas de telejornais da época na Globo, anunciando acontecimentos que intercalam com a série. Um deles, de uma forma toda especial, foi o Festival dos Festivais. O evento aconteceu em 1985 e conseguiu ser bem adequado à produção. Já no final do período da ditadura, a série foca na participação de Gustavo (Gabriel Leone). Grande músico, o jovem consegue trazer sua composição à final do evento e segue abaixo essa grande produção para vocês entenderem o que estou falando.

Às vezes é difícil acreditar, mas, os dias eram assim…

O final chega a ser surpreendente e vale a pena a todos assistirem. Valeu toda e qualquer mensagem passada, reflexão realizada, crítica levantada. Para os que acompanharam e sabem bem do que eu estou falando, o período e a forma como o “carrasco” termina a série surge exatamente no início do alvoroço político já vivenciado.

Sem mais delongas, aconselho a todos que puderem, que tirem minutos do seu dia e se programem para esta brilhante produção. Os episódios estão disponíveis aos assinantes da Globoplay. Vale cada momento de reflexão pessoal e entretenimento. Um grande abraço, nos vemos em breve e qualquer dúvida ou discussão, estamos aí… 😀

Lucas Franco

Lucas Franco

Mineiro, Escorpiano, 20 Anos, Estudante de Medicina. Direto do Arkham Asylum para o Mix. Eterno fã de Chuck, E.R. e Friends (RIP). Por entre as madrugadas vive a dualidade dos estudos e das séries. No Mix, escreve as reviews de Quantico, The Good Doctor e Legends of Tomorrow.

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