Arquivo X – 10×03 – Mulder and Scully Meet the Were-Monster

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Imagem: Arquivo Pessoal

 

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Se Scully uma vez esqueceu como esses casos podem ser engraçados, eu não esqueci. Uma coisa que se aprende com episódios escritos por Darin Morgan é que o riso é garantido, mas sempre há mais no fundo. E esse episódio não foi diferente, embora as reviravoltas e as surpresas foram melhores do que a encomenda, principalmente para uma história que Morgan criou dez anos atrás.

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Uma coisa já esperada e muito bem abordada foi o fato de ver Mulder e Scully depois de anos voltando a trabalhar nos arquivos X, como uma crise de meia idade dos arquivos, gerando um Mulder decidido a focar na ciência, e lidando com as descobertas e modernidades que não haviam na época deles, garantindo assim ótimos momentos, como a racionalização até do caso comum das pedras que “se moviam sozinhas” no Death Valley, até Mulder tentando usar um app de fotos com disparos contínuos. Mulder se torna até um pouco clichê de como são uma parte dos mais velhos quando encontram tecnologia, mencionando coisas como a constante presença de celulares na vida de todos e usando a internet para encontrar um animal com características semelhantes à “criatura” investigada. Mas a diversão não para por aí, a trilha de Mark Snow com certeza ajudou bastante no tom de “zoação” com a história e os personagens. O que me faz lembrar o quanto alguns personagens remetem a personagens de outros episódios, alguém que pareça inocente, mas é uma criatura convivendo com suas diferenças/doenças, testemunhas que estavam “curtindo” uma vibe e caíram de ver os fenômenos, cientistas um tanto que fora do comum, uma escolha ótima de personagens que redenram episódios engraçados, provando que Arquivo X sempre teve uma variabilidade excelente.

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Imagem: Arquivo Pessoal

Porém, o troféu ainda fica com os personagens principais e o were-monster da semana, que não só é uma representação caricata do homem adulto, com uma sátira sólida às amarras impostas pela sociedade e às ditas “necessidades” que temos como adultos na idade produtiva, mostrando até o sentimento que muitos tem quando se realizam dessa constante, muitas vezes um tanto tediosa.

Mulder, voltando a ser o conspiracionista criando vários entrelaços de teorias, sai desse padrão, para a felicidade dos espectadores e da própria Scully, que sentia falta do seu “louco”. E Scully provando como ela pode muito bem ser engraçada, ainda sendo cética, e resolver o caso, como já provou em tantas outras vezes, sem ajuda de ninguém, acrescentando a toda nostalgia gerada pelo novo cãozinho. Fortes esperanças de um Queequeg II. Por último, e não menos importante, Darin consegue satirizar o próprio passado do show, mais especificamente do último filme, com a famosa linha do “eu quero acreditar” de uma maneira que só um dos criadores poderiam puxar, trazendo uma cena fantástica sobre a volta da crença no paranormal para Mulder.

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