Arquivo X – 10×04 – Home Again

The.X-Files
Imagem: Arquivo Pessoal/Amanda Móes

 

Continua após publicidade

“Home Again” forneceu lágrimas na mesma proporção que forneceu esclarecimentos e fechou arcos, o que quer dizer muita coisa. O episódio começou como a maioria dos casos soltos de “monstro da semana” de Arquivo X, fazendo uma relação estranha com lixo – algo que dá abertura para uma teorização ainda maior – e com uma leve dose de humor, até o momento que descobrimos o que aconteceu com mamãe Scully e voltamos a terra com um baque surdo.

Continua após a publicidade

Não só a terra, mas a realidade social dos personagens do seriado como um todo. Afinal, depois abrir mão de William, de tantos anos morando naquela fazenda escondida (I Want To Believe), depois de anos separados, sempre em modo discreto por causa do FBI e das conspirações, como as outras pessoas seguiram a vida? Para responder essas perguntas, Glen Morgan aproveitou uma personagem que sempre foi bem aceita, esteve lá desde o começo e que sempre também sofreu com as consequências das investigações da filha – afinal Margaret Scully também perdeu uma filha e dois netos para essa busca – e mesmo Scully sendo a mais próxima, ela se tornou um alvo para algo que não descansou com  a queda dela ou de Mulder.

Continua após publicidade

Saber que Margaret estava no hospital foi um forte indicativo de que agora era a hora de fechar a arco da família de Scully. Mesmo com outros irmãos e sobrinhos, a família dela sempre foi representada majoritariamente pela mãe, presente, fiel e protetora. A ida dessa pessoa, desse símbolo, significou o encerramento de um vínculo, que deixaria Scully totalmente entregue aos Arquivos X, a Mulder, a encontrar a verdade e a William.

X-Files
Imagem: Arquivo Pessoal/Amanda Móes

Ao mesmo tempo, Mulder continua nos ofícios, topando com situações reis e ignoradas do nosso cotidiano – pessoas desabrigadas, o problema do constante lixo criado pelas classes, a pouca solução dos que estão em posição “superior”, tudo isso causando uma revolta da classe menos favorecida, uma revolta que toma forma na criatura, num medo comum, algo que poderia dar um fim aos que ameaçam a pouca paz dos que vivem em situação de miséria nas ruas. Obviamente a criatura fora criada, restava então descobrir como, quem, quando e onde. Mas havia algo maior, Mulder tinha que estar lá.

Continua após publicidade

Antes disso acontecer, porém, precisávamos saber sobre Charlie, que nunca foi mostrado com idade adulta antes, precisávamos revisitar Bill na Alemanha com sua esposa e filhos. Descobrimos o paradeiro do resto dos Scully e o porquê de Charlie ser uma incógnita. E então Mulder foi se fazer presente, no leito de Margaret, ao lado de Dana, que ainda não entendia o porquê da mãe pedir por Charlie, mesmo lembrando, em flashbacks, da sua época em um leito semelhante e como o pedido de Mulder para que voltasse a ajudou. E quando a influência de Charlie finalmente é sentida, Margaret Scully dá um aviso sobre William a Mulder e deixa a história dos Arquivos X.

A reação de negação de Dana com a morte é esperada. Vemos a transição dos estágios do luto, um tanto rápidos, porém fieis, a negação, a raiva e o abraço de Mulder para controle, a negociação que a faz tomar a atitude de retornar ao trabalho em meio ao caos, seguidos da depressão e da aceitação. Uma ressalva se faz aqui para como Scully lida com os estágios a partir do momento que vai trabalhar depois de muito questionar os motivos de sua mãe em falar de William, o trabalho parece algo que ajudará a desviar a mente, se torna uma prioridade-não-prioridade mais fácil de ser resolvida e em busca da solução, com até comentários divertidos – talvez até uma maneira de Glen Morgan diminuir o clima pesado do episódio – sobre os tempos antigos, saltos e escadas, até a pista final do caso, conversando com o criador do Monstro do Band-Aid, que não sabe como ele faz o que faz, só que o criou e que ele resolveu defender os que moram nas ruas.

Continua após a publicidade
O MIX DE SÉRIES atingiu 10 milhões de visitas mensais e vamos ensinar tudo que aprendemos nessa caminhada! Aumente o tráfego do seu site com técnicas avançadas de SEO.
Faça seu pré-cadastro aqui!

Um quadro bem filosófico sobre criação e o deixar ser no mundo, que se relaciona até com William, por ser uma coisa desejada, criada, esperada, amada (por Scully e Mulder), tudo em tamanha intensidade que a própria vida foi um “milagre”, e depois a necessidade de abrir mão dele, não como algo descartável, não como o lixo do dia a dia, e aí fica a diferença chave que faltava para a compreensão do abrir mão de William para Scully.

Com essa súbita iluminação dos fatos, Mulder e Scully conseguem seguir o monstro mas não prendê-lo, algo aconteceu que deu fim à saga de vingança dele antes, e assim resta a Scully e Mulder voltarem ao cotidiano, voltarem a lidar com a morte de Margaret e a famosa cena a beira do lago, onde Scully passa tudo que descobriu nos últimos dias sobre sua mãe, William, ela e Mulder e como ela garante que vai estar ao lado de Mulder quando ele tiver as respostas para as maiores perguntas, mas ela não encontrará as respostas que procura sobre William, numa aceitação sobre as consequências do perigo que estavam, do dá-lo para adoção e dos anos que se passam.

 

P.S.: Agora só faltam dois episódios para o fim deste revival e o clima de perda também começa para os telespectadores.