Arquivo X: A Verdade Está Em Hiatus

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Essa semana o, até então, último episódio de Arquivo X foi exibido, e com ele muitas coisas vieram à tona, a maioria delas sendo perguntas. Porém, uma afirmação se destaca, que é a comprovação do sucesso de Arquivo X desde seu começo tímido, lá em Vancouver, em 1993. Para isso, uma boa revisada sobre os pontos da série – e dos filmes – se faz necessária, e um questionamento, Arquivo X acabou mesmo ou podemos esperar mais?

De começo vamos a 1993, com a estreia de Arquivo X na FOX com um ator relativamente conhecido, David Duchovny e uma atriz novata, Gillian Anderson, em ternos com ombreiras, óculos redondos, projetores de slide, entre outros detalhes que marcavam uma das décadas revolucionárias do século XX. Na estreia tímida, algumas coisas da série já foram contra a corrente do que se via até então na televisão. Na mente de Chris Carter, certas coisas precisavam ser diferentes, como a inversão da figura masculina – visto como o personagem Fox Mulder – que quer acreditar, até então sempre representava o lado cético da história, e a figura feminina – vista como a personagem Dana Scully – descrente, até então sempre vista como o elo mais crível das histórias. O feminino também ganhou um destaque especial, ao ser visto como o lado científico, da medicina a física, um lado dedicado, inteligente, renomado e ligado a ciência, enquanto o masculino, mesmo com seu lado inteligente, não foi tão das ciências como a parceira no lado feminino. Um dos outros pontos mais interessantes, foi o desejo do criador em fazer algo que assustasse, algo que seria o novo terror, mas que não saísse do lado da paranormalidade nem da ciência. Assim, com um orçamento mediano, poucos efeitos especiais decentes e plena tundra, Arquivo X apresentou seu primeiro episódio para o mundo e deu início a famosa conspiração alienígena, que viria a se tornar parte da cultura pelos anos à frente.

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mitologia

 

1993 – 2002

Em noves anos de série, Arquivo X teve seus altos e baixos, mas nada que tirasse o brilho paranormal da série, sendo um dos dramas pioneiros da temática e quebrando antigos estereótipos da televisão americana. Arquivo X ainda serviu como base para grandes nomes de produções e criações de séries hoje em dia e estabeleceu enredos que viraram referências ao show em outras tantas séries. Outro fato importante da série foi o estabelecimento da mitologia, dedicada ao maior plot da história com o fenômeno alienígena e a conspiração em torno disso. Essa mitologia viria a estabelecer um segmento mais sólido e focado no fenômeno que mais interessava Chris Carter antes mesmo do começo de Arquivo X, que eram os inúmeros casos de pessoas que acreditavam terem sido raptadas por alienígenas no mundo.

A mitologia fez par na receita com as histórias de “monstros da semana”, que nem sempre eram exatamente como o apelido as descrevia. Normalmente esses episódios eram soltos, não na linha temporal, mas no foco da narrativa e até no gênero, com ótimos episódios de dramas centrados nos personagens principais até episódios hilários com casos não solucionados ou puramente investigatórios. Episódios os quais fizeram nome para vários escritores da época, um deles sendo o mais citado, Glen Morgan e a fama que o mesmo adquiriu em fazer episódios bons, inteligentes e, quase sempre, engraçados.

Mas os planos originais de Chris Carter e Arquivo X foram mudados e parte disso devido ao sucesso que a série fez, que nem os próprios atores achavam que iria alcançar. Então, embora o primeiro plano previsse que a série só tivesse cinco temporadas e um filme – The X-Files: Fight The Future – quando a FOX viu o quanto perderia com o final da série, preferiu fazer novos contratos com todos envolvidos para novas temporadas, isso foi fundamental para a mudança de algumas das primeiras ideias de Chris Carter e, mais tarde, até para a polêmica de David Duchovny depois da sétima temporada. A primeira mudança foi nos scripts do final da quinta temporada e do final do filme, foi preciso criar novas tramas para a mitologia e para o futuro de Mulder e Scully dentro do FBI, incluindo transformar o personagem do diretor assistente Walter Skinner em um dos principais com episódios solo e envolvimento no Arquivo X. Depois da volta com a sexta temporada, David Duchovny entrou com um processo com a FOX sobre o novo contrato, o que resultou nele se afastando da série no final da sétima temporada com mais um cliffhanger necessário, deixando Gillian Anderson responsável pelos Arquivo X até o final, com a ajuda de Robert Patrick, como o investigador John Doggett, e Annabeth Gish como a investigadora Monica Reyes, além da volta não integral de David na oitava temporada e no final da série, em 2003 com o episódio em que Mulder é posto em julgamento e todo o trabalho dos Arquivos X e da mitologia é recapitulado.

Ao longo desses nove anos, Arquivo X também veio a se tornar um estudo de influência acadêmica, com o conhecido efeito Scully, que consistiu numa demanda de mulheres entrando no ambiente acadêmico, especialmente a medicina e a física, após a influência e a identificação com a personagem de Gillian Anderson; e um ícone da cultura pop, graças a mistura de constantes referências pop como Os Simpsons e Eek! The Cat e históricas, como o trio de amigos de Mulder, que se chamavam Lone Gunmen – que chegaram a ter um spin-off próprio – em referência ao assassino de JFK, e a participação de inúmeras artistas, de atores à cantoras, como Jack Black, Bryan Cranston, Kathy Griffin, Aaron Paul, Lucy Liu, Lucy Hawless, Tea Leoni, outros tantos atores e atrizes de Stargate e Cher.

 

monsters

 

2008

Depois de anos do final da série e de Mulder e Scully, assim como Gillian e David, longe do Arquivo X, a FOX e Chris Carter resolveram lançar outro filme, I Want To Believe, mostrando a vida de Mulder e Scully, finalmente como um casal, após a fuga do FBI e como a crença no paranormal e a luta pela verdade continuavam pairando sobre as cabeças dos dois. O filme não teve uma das melhores aceitações do mundo, na verdade foi questionado até se realmente valeu a pena a volta aos personagens com o filme, já que a narrativa pareceu não cativar muito, inclusive entre os X-Philes mais fanáticos.

 

PicMonkey Collage

 

2015-2016

Depois do segundo filme, Chris Carter e FOX anunciaram que Arquivo X voltaria para a televisão, e somente em 2015 que mais detalhes foram revelados, que seria um revival e que esse teria somente seis episódios, dois sobre a mitologia e quatro episódios solo, entre eles do famoso “monstro da semana”. Com o começo das gravações e a propaganda antes da exibição do primeiro episódio em Cannes, em outubro de 2015, mais detalhes foram revelados, como a volta de Annabeth Gish, Mitch Pileggi, William B Davis e escritores/produtores, Darin e Glen Morgan, James Wong, dois novos atores e uma nostálgica equipe de produção e elenco de apoio da época das filmagens em Vancouver nos anos 90.

Depois disso, 2016 chegou, janeiro chegou, e para a alegria dos x-philes pelo mundo, o revival, apelidado carinhosamente de décima temporada, apareceu e com ele um David Duchovny um pouco afetado pela idade, uma Gillian Anderson mais dramática e sabendo lidar com uma peruca (sim, é uma peruca, e somente porque Gillian temeu pela saúde do cabelo quando precisasse pintar novamente de loiro) e um Mitch Pileggi que não viu os anos passarem, se juntaram novamente aos papéis tão famosos de suas carreiras. Em um domingo de jogo, Arquivo X voltou com números altíssimos e o reforço da sua marca no mundo da televisão.

Deixamos aqui a ordem de exibição dos episódios, mas a ordem das histórias, com o primeiro e o último episódio para depois, os outros quatro episódios no meio focaram em diferentes instâncias do mundo que Arquivo X apresentou em 1993. A primeira diferença, e mais óbvia, foi a tecnológica, Mulder e Scully agora encontram-se num mundo extremamente conectado, com inúmeros gadgets do dia-a-dia que precisavam ser mostrados com a adaptação dos personagens (e o perigo de Mulder com uma câmera e acesso à internet). Na parte mais subjetiva da história, Scully e Mulder não são mais um casal tentando criar um filho, muito menos possuem o filho, que foi adotado, nem são um casal, afinal a dor de dar William para adoção e as diferenças de ambos venceram a melhor e eles permaneceram só amigos, uma transição bem complicada de situar os telespectadores, principalmente depois do último filme. Outra parte de mudanças é como ambos seguiram as vidas, mesmo longe do FBI e como foi voltar a esse local que tanto os definiu, juntamente com Skinner, eles passam por algumas provações ao novo esquema de investigação e segurança dos Estados Unidos, principalmente em relação a homeland security, depois do 11 de Setembro. Nesses quatro episódios, Mulder e Scully ainda precisam se acostumar ao viver cotidiano do antigo porão indesejado do FBI e as novas facetas, retratadas pelos agentes Miller e Einstein, uma dupla de investigadores, que mais parecem os clones de ambos, criados pelo desejo da FOX em ter uma brecha para um possível spin-off algum dia. Tudo isso conseguiu ser mostrado em episódios de monstro da semana, com uma mistura de plots da mitologia e referências às maiores questões pessoais de Mulder e Scully, sendo William a principal delas, ao longo dos anos.

Voltando agora ao primeiro e o último episódio, estes foram como prometidos, episódios relativos puramente a mitologia, com mais perguntas abertas por Chris Carter e pela famosa conspiração de homens com o fenômeno extraterrestre. A pergunta que sempre esteve presente agora mudou um pouco o foco, virou-se para os homens que passaram tantos anos protegendo, sustentando e planejando o fenômeno alienígena no mundo, com abduções, testes, conspirações, vacinas e uma ajuda com o 12/12/2012, também conhecido como a data do começo da colonização mundial, que mesmo passado quase quatro anos, chegamos a ver como a colonização foi enraizada e discreta, até o ponto que tornou-se explosiva e conquistadora no último episódio. Ambos os episódios contaram com caras antigas e novas abordando a colonização, os antigos métodos ainda usados nas abduções, o propósito da conspiração e por fim, o começo da erradicação, com a salva de algumas pessoas, já abduzidas, testadas e catalogadas, imunes ao método de expiação humana graças à DNA alienígena e a volta do maior arquiteto desse desencadeamento, o famoso canceroso, ou CGB Spencer. Ainda assim, Chris Carter conseguiu deixar muitos em dúvida e boquiabertos pelo cliffhanger pesado que usou no final, como um filme que demanda continuação, sobre a sobrevivência de Mulder, Miller, Einstein, boa parte da população humana, onde está William e o quê e como, os alienígenas conseguiram aparecer no final.

Olhando para os episódios e analisando, parece impossível pensar que Carter e os outros conseguiriam trazer ainda mais perguntas a medida que as poucas respostas foram dadas, mas eles conseguiram e com isso garantiram uma necessidade, dos fãs hardcores x-philes até os mais novos curiosos, de sanar ao menos as perguntas básicas de quem conseguiu ou não sobreviver, ou como a última cena se desenrolou. Embora acabar com esse cliffhanger e deixar assim pareça uma ideia tranquila, principalmente aos mais temerosos de alguma coisa sair errado com a série, fica óbvio que o apelo da audiência e os altos números que o show alcançou nessa 10ª temporada que muitos ainda questionam isso e o farão para frente, criando uma necessidade da FOX e de Chris Carter atender a essa demanda do público e dos fãs. Muitas já foram as entrevistas que Carter citou uma possível volta, fosse como filme, fosse como série e já se falam em o que será necessário numa nova negociação com a FOX, resta agora esperar por mais notícias, já que tudo ainda está muito recente.

Equipe Mix

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Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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