Arrow – 5×09 – What We Leave Behind

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Oliver Queen, você falhou com essa cidade!

A produção prometeu, os fãs ficaram apreensivos, mas a promessa foi cumprida: Arrow voltou às origens. E de forma inusitada e nostálgica. Muito mais do que relembrar o período em que era mais forte, a série tem desenvolvido a trama dos personagens em um ritmo bem estruturado, episódio após episódio. Parecia uma tarefa difícil superar o 100º episódio, que foi um dos pontos mais altos tanto do crossover quanto da própria quinta temporada. Mas “What We Leave Behind” mostrou que Arrow está reconquistando seu território.

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Muito disso parte do grande vilão da temporada. Prometheus é um personagem que tem cumprido o papel a que veio. Um vilão que faz suas investidas buscando afetar o psicológico de seus alvos, como tem feito com Oliver ao repetir e reencenar todos os seus passos do passado, detalhe por detalhe, exatamente da mesma forma que este o fez há cinco anos. As mesmas mortes, nos mesmo locais. E tem sido muito interessante ver Oliver tentar desvendar seus enigmas.

Comparações com Slade Wilson sempre vão acontecer, já que o personagem marcou a série em sua segunda temporada, mas a única que realmente cabe ser feita é em grandiosidade como antagonista. A diferença entre ambos fica claro em muitos detalhes: o modo de ataque de um é brutal, outro o psicológico; um busca a morte de Oliver, o outro faz com que Oliver desejasse estar morto; um ataca de frente, outro faz seus ataques de forma planejada derrubando peça a peça de seu tabuleiro; um tem sua identidade revelada desde o começo, outro guarda o mistério de seu alter ego. Provas de que Prometheus poderá se tornar o novo grande vilão de Arrow.

Sua identidade não foi revelada nesse episódio, como alguns esperavam que aconteceria. Como os produtores já declararam previamente que a origem do personagem não tem relação com os quadrinhos, eles poderão prolongar e trabalhar bastante o mistério ainda ao longo da temporada. Porém, algumas poucas pistas foram deixadas, como o fato dele usar o estilo de luta que Oliver aprendeu com os russos. Sabemos que ele está envolvido com o passado de Oliver, e tudo parece ligar mais ainda a trama dos flashbacks na Rússia. Ainda mais com o destaque dado na cena no apartamento da jornalista Susan, onde vemos uma garrafa de vodka russa. Será que ela tem alguma ligação com Prometheus e a Bratva?

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Nesse episódio, Prometheus deixou claro seu objetivo e o que fará para alcançá-lo. Ele não quer a morte rápida de Oliver, e sim que ele deseje estar morto. Para isso, ele irá atingir o restante da equipe. Vimos como ele conhece todos os passos do passado de Oliver. Ele maquinou, replicou ataques de quando o herói ainda era o Capuz, mexeu com a cabeça de Oliver, o dividiu, colocou pessoas próximas contra ele e o fez cometer, por engano, a morte do novo romance de Felicity, deixando não só ele, mas todo o grupo desestruturado. A cena foi carregada de tensão e muito bem amarrada, transitando entre o passado e o presente. Fazia muito tempo que Arrow não nos surpreendia com cenas assim que foi um choque muito grande, daqueles twists que nos deixam sentados no sofá absorvendo o que acabamos de ver.

Percebemos aqui que a trama do episódio está mais madura ao colocar Oliver assumindo seus erros e ver como isso atingiu todo o grupo. Uma das minhas cenas favoritas no episódio foi ver Oliver lamentando como consegue destruir a vida de todos a sua volta, enquanto a cena transita entre o que os outros personagens estão passando.

E quando achávamos que o grande twist do episódio seria a morte de Billy, eis que surge Laurel Lance em carne e osso para Oliver. Não sabemos se ela realmente voltou, se ela é uma alucinação de Oliver, ou se a Black Siren conseguiu escapar de alguma forma dos S.T.A.R. Labs, ou ainda se ela é resultado do Flashpoint, algo parecido com o que aconteceu com a filha de Stein em Legends of Tomorrow. Quem sabe Prometheus também não esteja por trás de seu retorno? A boa notícia é que Laurel está de volta.

Essa midseason finale continuou trazendo também o clima nostálgico que o 100º episódio nos trouxe, com comentários sobre o que se passou no crossover com Oliver, Thea e Diggle. Ouvir o Arqueiro falar “You have failed this city” trouxe de volta uma emoção que nos fez lembrar os bons momentos do começo da série. Tivemos também flashbacks que se passavam durante a primeira temporada (não, Claybourne não chegou a aparecer na série, apenas foi mencionado), nos aproximando mais do fim da storyline dos flashbacks.

Curtis mostrou que seu lado dramático funciona melhor do que a tentativa frustrante de ser o alívio cômico nas ruas, mas o personagem continua muito desconexo do restante. Uma pena que essa seja a interpretação do Senhor Incrível na série. Com Evelyn se revelando como a traidora do time, e aqui confesso que gostei mais da abordagem da personagem nesse episódio, Rene tem ganhado mais destaque dentro do time de recrutas e tem mostrado bons resultados. Espero que ele continue sendo bem aproveitado.

Um ponto nem tão relevante, mas que tem me incomodado durante os episódios é a trilha sonora. A composição usada nas cenas de revelações ou momentos de mistério, muitas delas no momento em que Prometheus aparece, é muito ruim e clichê, típica de produções de baixo orçamento e péssima qualidade. Não digo a música toda em si, mas os pequenos toques logo ao começo. Se você acompanha a série acho que sabe do que estou falando.

Claro que alguns pontos ainda podem ser melhorados. Algumas tramas continuam previsíveis, as coreografias de lutas, apesar de estarem bem melhor, ainda podem ser aperfeiçoadas, mas nada disso muda o fato que Arrow voltou a ser uma das séries mais divertidas da CW. Os produtores voltaram a identidade inicial da série e criaram uma nova trama muito interessante de acompanhar. Dramas dosados, mistérios bons e revelações chocantes que são bem ilustrados pela fala da Thea (aliás, uma das melhores desse episódio) quando diz que o legado do Arqueiro teve seus momentos ruins, mas os bons continuam fortes.

P.S.: Feliz Natal e ótimo 2017!

EASTER EGGS:

  • Este foi o primeiro episódio da série que teve flashbacks da primeira temporada ao invés da linha temporal normal dos flashbacks.
  • Este é o primeiro episódio em que Oliver aparece como “The Hood” (ou “O Capuz”, em português) desde o episódio 2×03, “Broken Dolls”.
  • Oliver menciona que Duro de Matar (1988) é seu filme de Natal favorito. Este também é o filme favorito de Stephen Amell na vida real. O personagem também cita em seu discurso o filme A Felicidade Não Se Compra (1946) fazendo uma alusão aos acontecimentos do 100º episódio.
  • Nos quadrinhos, a repórter Susan Williams é casada com Jim Jordan, o irmão de Hal Jordan, o Lanterna Verde. No começo, Susan desconfiava que Jim era o herói, mas depois acaba descobrindo ser seu cunhado.
  • Quem faz a voz de Prometheus na série é o ator Michael Dorn, que ficou conhecido por fazer o klingon Worf nas séries Star Trek: A Nova Geração e Star Trek: Deep Space Nine.

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