As confissões da adolescência nos anos 90

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Hoje é dia de relembrarmos um dos maiores clássicos da TV Cultura: a série brasileira Confissões de Adolescente. Lançada em 1994, a história, inspirada no livro que reconta as experiências de Maria Mariana em formato diário, traz as irmãs Carol (13 anos), Natália (16 anos), Bárbara (17) e Diana (19), respectivamente vividas por Deborah Secco, Daniele Valente, Georgiana Goés e a própria Maria Mariana. No meio delas, há o ator Luis Gustavo que interpretou Paulo, o pai que sempre dizia que tudo não passava de coisa de adolescente.

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Cada irmã é um retrato da adolescente dos anos 90. Carol é a moleca, sem papas na língua, cheia dos conselhos e de dar moral quando é ou não pertinente. Natália é romântica e ingênua enquanto Bárbara conflita essa personalidade ao ser cobiçada e descolada. Diana é a certinha, centrada, adorada escritora e estudante de jornalismo, o pilar das irmãs – e até do pai. Um quarteto que foi responsável em nortear seu público por temas que muitos pais evitavam debater em casa.

Maria Mariana, que produziu e escreveu os episódios, deu aval para temas que afligem a adolescência do ponto de vista feminino – virgindade, traição, amores não correspondidos, fracassos, sexo, gravidez, etc.. Com duas temporadas, a série se revelou a cada episódio como um livro que retratou várias dúvidas e anseios de uma menina nessa fase da vida. Tudo embasado em  atitudes e comportamentos de uma geração que foi moldada pela MTV e pela revista Capricho. Uma identificação com qualquer adolescente da vida real que passava pelos mesmos conflitos.

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Os dilemas adolescentes abordados pela série não possuem um Q elevado de dramatização. Era tudo interativo, bem-humorado, entregue ao formato conversa que faz jus ao nome. O tema central de cada episódio, sempre adiantado pelo título, acarretava a discussão da vez e o papel dos personagens era vivê-lo para culminar numa reflexão/aprendizado. Um debate e uma vivência que até o pai se incluía, como outros personagens masculinos, destacando mais o humor, por vezes ácido, adolescente característico do programa.

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O clima jovial de Confissões de Adolescente também se dá pelo plano de fundo, a cidade maravilhosa, e pela trilha sonora 100% abrasileirada. Gilberto Gil (o dono da voz da música-tema), Kid Abelha, Barão Vermelho, Zélia Duncan, entre outros, cantarolaram hits que marcaram a juventude dos anos 90 – e das irmãs. Uma sonoridade que transmitia a maresia do clima praieiro ao mesmo tempo em que realçava o tema do episódio e os sentimentos das irmãs.

Confissões de Adolescente também se revelou uma série com personagens em transição. Diana e Bárbara são as mais velhas e representam as meninas rumo à vida adulta enquanto Carol e Natália representam o auge da puberdade, aquele desespero de querer beijar ou de agarrar o ídolo. Quatro meninas, maduras e imaturas, confusas e perdidas, que valiam muito a pena parar tudo para acompanhá-las.

Entendam: a louça podia muito bem esperar ao menor acorde da música-tema.

Lembro-me que a primeira vez que tive contato com a série foi em uma idade nada condizente com a das personagens principais: 9/10 anos. Tudo por causa das minhas primas que paravam tudo o que faziam para conferir o episódio mais recente. Todas. Juntinhas. Espremidas no sofá.

O mais engraçado é que eu via as personagens mais velhas nas minhas primas. Vi a adolescência, que nem tinha começado a viver, do ponto de vista das irmãs da série e das irmãs que são minhas parentes. Só mais tarde vi Confissões na íntegra e, nossa, me vi em vários episódios. Até passei pelo momento vergonha alheia na companhia da série – mais conhecido como a brincadeira da salada mista. Aonde enfiar a cara depois dessa brincadeira, gente?

 

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Quem está perto dos 30 anos (como eu, me respeitem!) não consegue lembrar dessa série sem dar um gritinho. A ansiedade para assisti-la era muito grande, era o mesmo que contar os minutos para reencontrar as amigas e colocar as fofocas em dia, como uma festa do pijama. Sério! Confissões de Adolescente traz um retrato muito fiel da adolescência brasileira na década de 90, uma história puramente feminina centrada em um momento das nossas vidas em que achamos que tudo é importantíssimo. Que nada pode esperar.

O mesmo sentimento foi transferido para a adaptação de 2013 que carrega o nome da série. É tão divertido quanto, trazendo o retrato dos adolescentes que cresceram já conectados à internet.

Não houve, isso de maneira geral, uma série brasileira que conseguisse retratar tão bem os dilemas de uma adolescente na década de 90 como Confissões de Adolescente. Salvo, talvez, os primeiros anos de Malhação, que contou com a roteirização de Maria Mariana. Ela conversa com você, até quando já se tem seus 30 anos. É aquele programa que nunca sairá de moda e que oferece a sensação de que a adolescência é igual para todos.

Também estava em transição quando a assisti, fui moldada musicalmente pela MTV, sempre tinha a edição nova da Capricho embaixo do braço e o instinto fangirl estava em mim (e ainda está, amém!). Carol, Natália, Bárbara e Diana facilmente se tornaram minhas melhores amigas e foi difícil não querê-las por perto – e seus sábios conselhos – o tempo todo.

O pilar de Confissões de Adolescente é as quatro meninas que vemos desabrochar, se autodescobrir e descobrir mais das mulheres que compartilham o mesmo teto. Tudo sob supervisão de um pai protetor que faz tudo pelas suas filhas – que não passam de meras adolescentes. É uma série inesquecível, detentora de uma simplicidade que conforta o coração. Que mostrou que com assuntos básicos dá para marcar uma geração que, independente da década, ainda quer ser vista e ouvida.