As Melhores Séries do Ano (pela Equipe do Mix de Séries)

As Melhores Séries do Ano

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Parece mentira, mas 2016 chegou ao fim. Depois de alguns altos e muitos baixos, o ano finalmente se encerra e, com isso, é chegada a hora de olhar para os últimos meses e fazer um balanço. Na televisão, felizmente, as coisas vão bem. A TV segue firme e forte em sua Era de Ouro, uma época de produção constante e diversa, literalmente para todos os gostos. Pensando nisso, reunimos nossa equipe em um grande post especial para que cada um falasse sobre sua série favorita no ano. A ideia é justamente falar sobre aquele programa que nos agradou independente de qualidade narrativa, técnica ou sucesso de crítica e público. Aqui entram as séries que nos tocaram, surpreenderam, agradaram e fizeram nosso 2016 um pouco melhor. Dito isso, nossa equipe é tão diversa quanto possível e, assim, há de tudo na lista: dos dramas às comédias, passando por minissérie nacional, plataforma de streaming, sucessos de público e shows pouco vistos. A lista está linda e pode servir como um guia pra quem deixou de ver alguma delas este ano.

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Antes de mergulhar na lista, alguns apontamentos: resolvemos elencar as séries em ordem alfabética. A decisão é simples: não há opinião maior que a outra, e como cada um citou um programa, é justo que nenhum fique acima do outro. Assim, não há a “série número um”, pois todas valem a pena e todas são a “número um” de cada membro do nosso time. Vale apontar, também, que muita coisa boa ficou de fora. A última temporada de House of Cards, por exemplo, agradou quase toda a equipe, mas não foi a favorita de nenhum e, assim, não entrou na lista. O mesmo serve para Black Mirror, The Night Of, The OA, Bilions, Atlanta, Fleabag e tantas outras maravilhas. Neste caso, aproveite para citar nos comentários as suas séries favoritas que ficaram de fora. Caso não tenha assistindo alguma coisa da lista, aproveita que 2017 está chegando e dê início a novas experiências!

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As Melhores Séries do Ano (pela Equipe do Mix de Séries)

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American Crime, por Daniele Duarte

American Crime é uma das séries mais subestimadas pelo público e crítica. Particularmente, considero como uma das melhores séries da TV atualmente. Aponto dois motivos principais: 1) é um drama corajoso que aborda tabus como o patriotismo americano exacerbado e 2) é uma série da TV aberta com características de um show de TV fechada. Na primeira temporada, American Crime discutiu criticamente o racismo, o patriotismo americano, o preconceito contra os latinos e muçulmanos. As histórias eram contadas de forma independente e nos parecia que não tinham nenhuma conexão, mas, à medida que a história ia se desenrolando, percebíamos que elas iam de encontro à história principal: o assassinato de Matt Skokie, um soldado que servia os EUA no Iraque. Sua vida era dos sonhos: tinha casa própria, era bem casado e tinha um bom emprego, porém descobrimos que ele vivia uma vida de aparências. Na segunda temporada, o drama da ABC abordou um caso de uma acusação de um estupro ocorrido com um menino chamado Taylor numa festa de uma escola de classe média. Taylor integrava o time de basquete da escola, mas sempre se sentia deslocado. O estupro ocorreu durante a festa entre os colegas do time de basquete e a série tenta ao longo dessa segunda temporada solucionar o caso. Vale lembrar que a série conta com a participação de Felicity Huffman e Regina King e ambas foram indicadas ao Emmy nas categorias “Melhor atriz de série limitada ou filme para TV” e “Melhor atriz coadjuvante de série limitada ou filme para TV”, respectivamente, além da própria série que foi indicada na categoria de “Melhor série limitada”.

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American Crime Story: The People Vs. O.J. Simpson, por Jeh Mari

American Crime Story foi, sem sobra de dúvidas, a melhor estreia de 2016. Com um conceito extremamente inovador, pudemos acompanhar um dos julgamentos mais comentados dos Estados Unidos. Poderia ser algo bastante comum, se não fosse a direção impecável e um roteiro arrasador. Com diálogos espetaculares, atores competentes e dignos de atuações para ninguém botar defeito, a série retratou com maestria a história de O.J. Simpson. ACS não foi somente algo voltado para o entretenimento, foi uma aula de história. A série nos motivou a pesquisar, a buscar conhecimento, a entender melhor a personalidade de cada personagem. Misturando ficção e realidade, fomos em busca de entender tudo aquilo que estávamos vendo, colocamos em pauta discussões, até então, mortas, sobre racismo, preconceito, machismo. Passamos a respeitar ainda mais o trabalho de uma mulher em um ambiente tão hostil, tão maldoso. Entendemos inúmeros conceitos jurídicos, tivemos que encarar – as vezes sem estômago – a perspicácia dos advogados e o realismo de tudo aquilo trazia uma expectativa recheada de brilhantismo a cada episódio. Sarah Paulson, John Travolta, Cuba Jr., formaram um elenco fortíssimo, explosivo, com uma química perfeita e recriaram cada momento como se estivessem, de fato, vivendo aquilo. ACS foi perfeita, do começo ao fim. Intensa, emocionante, forte, real, inteligente. Uma obra inesquecível, digna de prêmios e de nossa total admiração.


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Bates Motel, por Matheus Ronconi

De todas as séries que eu acompanhei em 2016, Bates Motel foi a que mais evoluiu de uma temporada para outra. Gostei das outras três temporadas, mas parecia que algo ainda faltava. Nessa quarta temporada a série atingiu um novo patamar. A todo momento imaginava que algo de ruim poderia acontecer. Terminava um episódio e passava a semana inteira ansioso pelo próximo, criando várias teorias sobre quem poderia ser a próxima vítima de Norman. Foi de longe a temporada mais tensa, mais dramática. Ao mesmo tempo que tiveram cenas de suspenses dignas de um Hitchcock, tiveram também momentos em que foi impossível conter as lágrimas. Vera Farmiga e Freddie Highmore foram brilhantes em suas atuações. Conseguiram transmitir com maestria essa relação complicada e doentia entre mãe e filho. Com certeza ficarão marcados por seus personagens. A série preparou muito bem o terreno para a temporada final.


Chicago PD, por Ana Maria de Oliveira

Dick Wolf é uma máquina e não cansa de trazer as melhores e mais interessantes séries para a audiência. As franquias Chicago tem seu lugar garantido nesse nicho. Chicago PD, entretanto, roubou muito mais os corações dos fãs do que outras. A última temporada, a terceira da série, foi arrebatadora. Densa e com enredo sombrio, a produção da NBC trouxe problemas familiares para seus personagens, briga entre gangues, assassinatos a sangue frio e ótimos crossovers com Chicago Fire, Med e a veterana Law & Order: SVU, com certeza um dos melhores episódios da série. O décimo episódio, uma finalização de crossover, “Now I’m God”, é o melhor da temporada, sem pestanejar. Voight e sua equipe são a chave para qualquer investigação em Chicago, e a série é muito bem construída, com parcos erros de continuidade. Fico feliz em ver uma série procedural indo tão bem em tempos de séries dramáticas e familiares alavancando as audiências.


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The Crown, por Gabriella Siggia

Com uma mega produção, The Crown, da Netflix, conseguiu superar todas as expectativas desta temporada e nos presenteou com um dos melhores seriados do ano. As belíssimas atuações de Claire Foy, como Elizabeth II, e John Lithgow, como Winston Churchill, arrancaram elogios dos críticos e são fortes concorrentes na temporada de prêmios. O que mais me conquistou em The Crown foi a forma como os roteiristas colocaram a história da Rainha Elizabeth II, na época ainda Princesa, no meio da política e sociedade britânica da época. Não podemos nos esquecer que os figurinos e a fotografia também se destacaram. Uma ótima pedida para os órfãos fãs de Downton Abbey e para quem ama a monarquia britânica. Confesso que me apaixonei logo nos primeiros minutos por ter me sentido parte dos grandes acontecimentos. Estou mega blaste curiosa pelas próximas temporadas e na espera pela Lady Diana e pelos fofíssimos bisnetos da Rainha, Príncipe George e Princesa Charlotte.


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Daredevil, por Estevão Vieira

Quando vieram com a ideia do post eu não pensei duas vezes. A segunda temporada de Daredevil foi uma das melhores coisas que aconteceu neste ano no mundo das séries. Dentre as muitas que aqui estão tenho certeza que boa parte é produção original da Netflix. (Posso gritar Netflix eu te amo aqui?) ah é, quase que esqueço, preciso falar aqui o porquê de a série ser tão boa. Vamos lá você pode escolher entre os muitos fatores. Pode ser por Charlie Cox como Demolidor, arrasando mais uma vez. Pode ser pela ótima versão da Elektra para o MCU (Marvel’s Cinematic Universe) e falando isso a integração sutil da série com os filmes são um show a parte. Pode ser pelo melhor Justiceiro que já tivemos, e que não é a toa que teremos uma série solo do personagem. Pode ser ainda pela ambientação fenomenal da Hell’s Kitchen. Ah e claro aquela sequencia maravilhosa de combate de 5 minutos sem cortes (que está se tornando uma bela tradição na série). Ah meu amigo, os motivos de Demolidor estar entre as melhores do ano são muitos fica até difícil escolher um. Além de tudo Demolidor é um ótimo “Fan Service” Concorda comigo?


The Exorcist, por Caroline Marques

Uma série que prometeu uma continuação à altura do antigo e inesquecível filme homônimo de 1973, misturando três talentos como Alfonso Herrera, Ben Daniels e Geena Davis. O surpreendente foi que todos deram show de atuação; Alan, Hannah e Brianne, que completam a família Rance amaldiçoada, conseguiram nossa piedade com tanto sofrimento. O plot twist ficou marcado em cada episódio com um roteiro bem construído que acabou chegando ao ápice no sétimo episódio e estabilizando até o final da temporada. Outra surpresa foi a ligação intensa com o filme, o que realmente deu uma sensação de continuação, fui sem nenhuma esperança de gostar, até com medo de odiar, por ser um plot fechado sem muitas ramificações para usar a criatividade, e pela quantidade de remakes e reboots por ai, e gostei, muito. Com qualidade indiscutível, fiquei com vontade de ver mais, intrigada. Depois do insucesso de Quarteto Fantástico, Jeremy Slater ganhou uma luz no final do túnel com essa série. Assista com a luz acesa, e aproveite. Eu particularmente fiquei absorvida com Bel Daniels. Renova FOX!


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The Fall, por Roberta Oliveira

Sabe aquela série que te prende, te seduz e que, no final, te deixa com uma sensação de “cara, gostei!”? Isso foi tudo o que eu senti assistindo The Fall, série britânica exibida pela Netflix. Em The Fall, Jamie Dornan mostra que seu talento vai além dos 50 Tons de Cinza. Apesar de interpretar um psicopata impiedoso, ele conseguiu despertar minha simpatia após o motivo de sua perversão ser revelado no decorrer da trama. Durante as três temporadas da série, cujos primeiros episódios foram ao ar em 2013, pela BBC Two, eu me peguei torcendo para que o vilão se safasse, mas em outros momentos desejava que ele pagasse por todos os males que causou a várias mulheres inocentes e também à sua própria família. Para mim foi uma mistura de sentimentos que, de certo modo, parece ser muito semelhante àquela que a detetive Stella Gibson (Gillian Anderson, de Arquivo X) demonstra: repulsa e atração física. É uma série muito boa, que tem uma cadência diferente das produções americanas, pois a sua narrativa é lenta, mas não é monótona. O final é a cereja do bolo, sem dúvida alguma. É um momento de redenção que diverge do trivial. Vale a pena assistir The Fall pela interpretação dos atores, por ser uma boa história, pelo sotaque britânico, pela locação ser na Irlanda do Norte (fato que aguçou minha curiosidade sobre o país) e pela beleza de Jamie Dornan (pronto, falei!). Em resumo, já coloquei The Fall entre as séries que assistiria novamente.


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Fuller House, por Eduardo Nogueira

Em fevereiro desse ano, a Netflix nos presenteou com um grato presente. Fuller House trouxe toda a nostalgia e saudosismo deixado por sua série mãe, Full House, há vinte e um anos atrás. A saga de Stephanie e Kimmy em ajudar DJ a cuidar de seus três filhos, muito lembrou a trama original, e sem contar as inúmeras referências. O sucesso foi tão absoluto, que em questão de dias a comédia foi renovada para sua segunda temporada. Um enredo leve e despretensioso, histórias que te prendem do começo ao fim, Fuller House foi um acerto e tanto. Mesmo com todo esse clima de nostalgia, a série conseguiu desenvolver sua própria história, e assim evoluindo a cada episódio. O bom que a segunda temporada conseguiu seguir o mesmo ritmo, e vamos aguardar pela Netflix anunciar sua renovação para 2017.


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Game of Thrones, por Paula Reis

Em seu sexto ano, Game of Thrones surpreendeu mais uma vez seus fãs, inclusive os leitores das obras de George R. R. Martin, pois muitas histórias novas surgiram e consequências chocantes dos plots que já existiam chegaram. Podemos ver Jon Snow ressuscitar em um dos melhores episódios da temporada, além de descobrir a sua origem. Ver ele encerrar sua vigília na Patrulha da Noite foi memorável, além de outros núcleos marcantes, como Daenerys chegando a Westeros e Cersei e seu plano de queimar a cidade de Porto Real. Mas o que mais tocou os fãs em 2016 foi a vingança dos Starks. Sansa e Jon juntaram parceiros para enfrentar Ramsay Bolton, o que gerou uma batalha épica no final da temporada de arrancar suspiros. O episódio da Batalha dos Bastardos (6×09) foi sucesso de crítica, pois além de ser um momento importante da história, reuniu muitas pessoas, teve um roteiro excelente e uma produção de cinema. Episódio muito bem feito também foi o último, quando destacou Daenerys e seus dragões se aproximando de Westeros, Cersei na cidade queimada, Arya visitando os Frey, Sam chegando em Cidadela, Davos enfrentando Melisandre e Jon Snow retomando Winterfell. A série mais assistida da HBO com certeza se fortaleceu mais este ano e deu gás para as temporadas finais.


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Gilmore Girls: A Year in the Life, por Richard Rikk

Talvez uma escolha controversa para “melhores do ano”, e decididamente influenciada pela totalidade do trabalho constituído por Amy Sherman-Paladino, o fabuloso retorno das garotas Gilmore à TV fala muito mais alto do que qualquer auto aclamado “sucesso”. Ao abraçar a necessidade de conclusão e finitude usando a repetição dos ciclos como seu argumento principal, Paladino dividiu fãs, audiência e críticos, e levantou várias questões que acabaram sendo a razão para a minha escolha da série. A vida é feita de repetições e, ao transformar isso na base para construir a finale que ela há muito desejava, Gilmore Girls acabou por tecer uma crítica efetiva sobre as condições de repetição e a pura banalidade da vida dos millennials. Como um todo, a série juntou nostalgia e a concretização de um ideal de final interrompido com doses de crítica a efemeridade, e tudo isso amarrado por tanta delicadeza e emoção quanto podíamos esperar e, ao fazê-lo, deixa sua marca como um tipo de final a ser almejado e um revival cuja fórmula deveria ser repetida.


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How to Get Away With Murder, por Wellington Torres

Murder prendeu, e muito, a atenção do público em 2016. A primeira parte da terceira temporada teve lá seus episódios água com açúcar se relembrarmos o auge da primeira temporada, mas as coisas foram esquentando. Por fim, tivemos um desfecho digno de prêmio. Estamos cada vez mais presos a Annalise e seus alunos (ou seria melhor cúmplices?). As desventuras do grupo vão de trágicas à cômicas em uma velocidade sem igual. Tudo isso para escaparem da polícia e viverem suas vidas cheias de culpa por terem destruído a vida de tantas pessoas. Cada característica diferente dos personagens dá um tom muito agradável para assistirmos e a linha do tempo muito bem estruturada aguça a curiosidade para desvendarmos por fim o quebra-cabeças da Shonda.


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Insecure, por Melina Galante

Insecure chegou sem muito alarde, no bolo dos lançamentos da HBO, e despontou como uma das melhores estreias do ano. Equivocadamente comparada a Girls da costa oeste, a comédia de oito episódios acompanha o dia-a-dia de duas amigas negras, Issa e Molly, interpretadas respectivamente por Issa Rae – também criadora da série – e por Yvonne Orji, e nos leva a versões de uma Los Angeles que não se limita a locações já badaladas e conhecidas. As duas possuem um vínculo fraternal construído nos tempos de faculdade e ao longo dos episódios vamos vivenciando seus dramas pessoais, profissionais e amorosos. Issa trabalha em uma ONG e mantém um relacionamento duradouro com Lawrance (Jay Ellis), morando com ele, inclusive, em um condomínio de apartamentos. Molly trabalha num escritório de advocacia e segue em busca de um namorado, seja paquerando ao vivo ou pelos aplicativos, tentando preencher o vazio de seu luxuoso apartamento. Essas diferenças se refletem no figurino de ambas, e detalhe: elas são as únicas negras em seus respectivos trabalhos. Uma parte bem trabalhada da série é o texto que reflete uma igualdade de estilo interior das protagonistas, ao não abrir mão de gírias e palavrões, na entonação das vozes nos momentos de confissões entre amigas. E em tempos de uma necessidade de representatividade, a série assume seu compromisso de abraçar e reforçar a cultura afro-americana pelos espaços de Los Angeles e através da música, sobretudo.


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Justiça, por Lucas Franco

Já não é de hoje que a querida Rede Globo nos enche com minisséries inspiradas nos clássicos americanos. Mas quem diria que, com um projeto diferenciado, ela ganharia um salto incrível no conceito de muitos telespectadores. Justiça trouxe uma forma diferente de contar uma história, ou melhor, de contar quatro em uma… Não sei bem do que gostava mais dentre tantos aspectos positivos. Tínhamos uma trilha sonora envolvente, com Hallelujah estourando como tema principal. Um elenco de peso, composto por grandes nomes da dramaturgia e por novas estrelas em ascensão. O mistério e a curiosidade também foram dois pontos muito bem abordados durante a trama. Quando via uma cena de Cauã Reymond no episódio de Adriana Esteves, já imaginava o que poderia ter acontecido, como poderia ter acontecido e isso criava um laço muito forte entre o telespectador e a minissérie. E por mais inesperado que fosse, tudo convergiu a um mesmo ponto no fim: até quando a justiça e a vingança andam separadas? Tudo muito bem esquematizado, muito bem produzido e dirigido, um roteiro de dar inveja a grandes sucessos americanos. Mais uma prova da qualidade e inteligência do nosso querido povo tupiniquim.


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Orange is the New Black, por Diogo Azis

Orange Is The New Black, nunca foi uma das séries que me chamava atenção. Muitos personagens, várias histórias acontecendo ao mesmo tempo. E eu acabava ficando perdido entre um episódio e outro. Mas sempre estava lá assistindo. Até que nesse ano estreou a 4ª temporada, e de para mim é a melhor de todas. O peso emocional que cada personagem trouxe seus conflitos internos. Piper nem de longe lembra a songa monga da primeira temporada, Nicky, e sua luta constante para se livrar do vício das drogas, Sophia completamente vulnerável e sendo ajudada por uma mulher religiosa que tinha tudo para virar a cara para ela, Red como sempre uma mãe que toda série precisa. Tudo isso sendo vigiadas por guardas que não estavam ali para protegê-las. Considero essa a temporada mais violenta (talvez por isso tenha gostado tanto). Piper sentiu a pele o que da mexer com gente errada. Glória mostrando as dificuldades de conseguir seguir em frente depois de sair da prisão, a disposta por território, o preconceito que as pessoas latinas sofrem diariamente, esses e outros temas foram abordados. O ápice da temporada foi quando detentas não aguentavam mais as regras impostas e resolveram se rebelar. E com isso, Pussey acabou acidentalmente morta por um dos guardas mais queridos, justamente aquele que não era “do mal” e isso abriu caminhos para tudo o que vai acontecer daqui por diante, além de uma discussão sobre o “certo” e “errado”. Não posso deixar de destacar a atuação das atrizes que interpretam Taystee e Crazy Eyes brilharam no episódio final, e terminou com um baita gancho para temporada seguinte, nos deixando aflitos. Por essa e outras considero Orange um dos grandes acertos nesse ano de 2016.


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Quarry, por Matheus Pereira

Quarry talvez não seja a série que eu considere como a melhor do ano (acredito que este posto seja de Game of Thrones ou Stranger Things), mas é definitivamente a mais surpreendente. Magistralmente ambientada na década de 1970, a série do Cinemax acompanha Quarry, um veterano da Guerra do Vietnã. Ao retornar para casa, o sujeito reencontra a companheira que o esperava e uma cidade que o recebe de forma fria. Arrumar um emprego é difícil, tocar a vida sem complicações é ainda pior. Uma proposta bate à porta: matar por dinheiro. Sempre que preciso, ele receberia uma pequena bolsa com uma arma, uma quantia em dinheiro e o nome do alvo. A partir daí, ele teria que resolver o problema. Quarry nega a oferta, mas as coisas sempre são mais complicadas do que parecem. A série conta com direção irretocável de Greg Yaitanes (a finale conta com uma impressionante sequência de guerra sem cortes) e um roteiro cuidadoso, bem dividido em oito episódios de pura ação, suspense e drama da mais alta qualidade. Assim, Quarry talvez seja o programa mais subestimado de 2016, tendo merecido muito mais reconhecimento da critica, público e premiações. Imperdível!


Stranger Things

Stranger Things, por Letícia Bastos

Uma série para quem é apaixonado por cultura pop, assim podemos definir Stranger Things, um dos programas mais comentados do ano. O que parecia apenas um projeto experimental para o Netflix fazer terror, logo se mostrou algo muito mais significativo. Mergulhado em uma piscina (Barb?) de referências que homenageiam grandes clássicos dos anos 80, ST fez pulsar o coração de quem passou os anos 80/90 vendo The Goonies e Conta Comigo na Sessão da Tarde. Com um elenco formado, em sua maioria, por desconhecidos, vimos reinar a mítica Winona Ryder, que trouxe para Joyce todo o seu brilho – além de ser a responsável por uma das decorações mais copiadas do ano, sim, a parede com o alfabeto e as luzinhas. Mas é bom destacar que o resto do elenco um pouco mais desconhecido foi sim uma ótima escolha, pois trouxe mais identidade para cada um de seus personagens, e tornou quase impossível a tarefa de escolher qual deles é o favorito de cada um – sou menina e vou de Eleven, a dona da fantasia mais usada no Halloween em 2016. Os mimizentos dirão que a história não é boa, mas é sim, redondinha, acelerada e ousada, como tudo que os anos 80 nos trouxeram. Ali, naquele universo rico, vimos retornar as músicas clássicas da época, os brinquedos da época, a bicicleta atemporal, aquela lata de Coca-Cola que hoje é item de colecionador… Entendem a dimensão de tudo isso? Stranger Things não é apenas uma série, é uma experiência, uma ode, uma homenagem à uma época que muitos de nós nem viveram, mas que sentimos uma saudade imensa. Pelo melhor elenco infantil que você respeita, pelo Dermogorgon, pelas “manhãs para contemplação e café”, pela peruca de Eleven, pela Barb coitada, pelo Dustin e por todas as referências aos clássicos dos anos 80 que sim, Stranger Things é uma das melhores séries de 2016. E se por acaso você não viu a série porque estava dando um tempo lá no Upside Down, corre que vale muito a pena!


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Sweet/Vicious, por Roger Olly

Uma combinação ideal de drama, ação, crítica social e humor, a queridinha dos críticos me pegou de surpresa, especialmente por eu não esperar algo tão bem explorado da MTV, conhecida pelas guilty pleasures. Com uma premissa bem séria – duas garotas se tornam justiceiras para vingarem vítimas de estupro dentro de um campos de universidade – a série estabelece uma crítica social bem severa no tocante às relações de poder decorrentes do machismo. Do primeiro minuto até o término do quinto episódio (o mais recente lançamento) tudo na série surpreende, especialmente por jogar muito bem com estereótipos – Jules, a protagonista, é a típica garota de irmandade, mas apenas durante o dia. À noite ela liberta um lado diferente, sombrio – e quebrá-los. Mas o ponto principal é o explorar da relação entre Jules e Ophelia. Mundos totalmente diferentes, mas unidas pelo senso de justiça, uma justiça que elas têm que criar, tendo em vista a omissão da sociedade machista em perceber as agressões (num dos episódios uma garota que foi estuprada vai à delegacia e é desacreditada por todos). Num primeiro momento a série pode enganar, com seu aspecto juvenil e humor adolescente, mas o tema principal logo se revela, e é tão sombrio que tira a comédia e mergulha os personagens numa cética realidade permeada pela cultura do estupro.


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This is Us, por Alessandro Alves

Volta e meia nos deparamos com uma série que aborda temas simples, como amor e família. Porém mesmo assim alguns enredos derrapam feio. Esse não foi o caso de This Is Us. A história começa com a apresentação de seis personagens que nasceram mesmo no dia. Vou contar sobre a trama só até aqui, porque a série realmente precisa ser apreciada quadro a quadro. Para quem tem um apreço maior por dramas mais pesados talvez a série não convença muito. A história é realmente para quem tem um coração leve disposto a se apaixonar por detalhes. Se você, assim como eu, adora ouvir conselhos reflexivos ou declarações com muito amor, This is Us é a série certa para você. Em relação as atuações, Mandy Moore e Milo Ventimiglia se superam e nos entregam personagens excêntricos carregados de emoções e com atitudes deliciosas de se acompanhar. This Is Us foi um grande presente para mim, ainda mais em um ano turbulento na vida de todo mundo, acompanhar uma série tão gostosa de se ver, te deixa mais leve e mais esperançoso no ser humano.


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UnReal, por Renata Ribeiro

Confesso que reality show sempre foi meu ponto fraco, por esse motivo comecei a assistir unReal , claro que as criticas também ajudaram, mas o que me pegou mesmo, foi mostrar os bastidores de uma forma não tão perto da realidade, e toda manipulação em busca de audiência. A série não tem medo de criticar a América e toca na ferida sem o menor pudor. Sensacionalismo e apelação é o que faz de Everlasting tão viciante, disfarçado de um programa romântico, em que , o príncipe solteiro procura a mulher de sua vida , eles brincam com a verdade e com a vida das participantes sem o menor remorso . Rachel e Quiin dão um fascínio a mais na série, dando vida a uma anti-heroína perturbada e uma coadjuvante magnifica e fria , elas se completam e levam Everlasting ao topo com um jogo de intrigas surreal. Um ponto a mais, é a disputa dos produtores para expor as participantes em troca de um bônus em dinheiro. Com personagens maravilhosos e uma dinâmica linda de assistir, vale a pena tirar um tempinho e se apaixonar por unReal, garanto que você nunca mais vai olhar para realities da mesma forma.


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Westworld, por Anderson Narciso

2016 pode ter sido um péssimo ano no lado pessoal para alguns, mas apresentou uma excelente safra de séries de TV para o público, e ouso dizer que Westworld estaria bem próxima do posto de melhor série do ano. Não é pelo “padrão HBO de qualidade” ou pelo seu orçamento estrondoso – algo em torno de U$100 milhões. Mas a série tem algo em sua história que consegue fisgar o espectador, a ponto de querermos descobrir o que está por vir ou, ainda melhor, como virá. A história, que gira em torno de um parque temático para adultos, onde máquinas – ou as chamadas inteligências artificiais – permitem que todos os visitantes façam aquilo que bem entendem, tudo dentro da história que estiver proposto a participar. Mas quando as máquinas começam a tomar consciência de que aquilo em que elas vivem não passam de uma mentira, algo começa a sair errado. A história é apaixonante e muito bem produzida. Os personagens são extremamente cativantes, interpretados por nomes competentes em Hollywood como Anthony Hopkins ou Ed Harris, e as narrativas completamente surpreendentes. Ao final da temporada, o gostinho de quero mais é elevado a enésima potência – principalmente ao sabermos que mais disso só em 2018… Parabéns Westworld e obrigado por tornar 2016 mais agradável.