A Netflix lançou As Mortas (The Dead Girls), a primeira minissérie dirigida por Luis Estrada — cineasta premiado por ¡Que viva México! (2023) e conhecido por seu olhar crítico e satírico sobre a política e a sociedade mexicanas. Baseada no livro Las muertas, de Jorge Ibargüengoitia, a produção mistura humor ácido, violência e crítica social para recontar um dos casos mais brutais e polêmicos da história do México.
Quem são as irmãs Baladro?
Na trama de As Mortas, acompanhamos Arcángela (Arcelia Ramírez) e Serafina Baladro (Paulina Gaitán), duas irmãs que, nos anos 1960, transformam um bar decadente em um lucrativo bordel no interior do México. À primeira vista, o negócio parecia ser apenas mais um caso de exploração disfarçada de oportunidade: jovens mulheres eram coagidas a trabalhar para elas, enquanto autoridades eram subornadas para fechar os olhos.
Mas os corpos começaram a aparecer. Primeiro, mortes estranhas, tidas como acidentes. Depois, um rastro de violência cada vez mais difícil de esconder. Para abafar os crimes, as irmãs contaram com a ajuda de Simón (Alfonso Herrera), amante de Serafina, que se viu cada vez mais envolvido em um mundo de corrupção e crueldade. Quando ele tenta escapar, Serafina transforma a dor em ódio — e a vingança se torna combustível para uma espiral de mortes.

Baseado em fatos reais: as “Poquianchis”
Apesar da atmosfera de romance sombrio e da liberdade criativa, As Mortas tem raízes em um caso real. A série se inspira livremente na história de “Las Poquianchis”, irmãs que comandaram bordéis no México e foram acusadas de uma série de assassinatos, exploração sexual e sequestros nos anos 1960.
O caso ganhou notoriedade quando foi explorado pela imprensa sensacionalista, principalmente pelo tabloide Alarma!, em 1964, que pintou as irmãs como as maiores serial killers da história mexicana. O julgamento e as revelações sobre os crimes chocaram o país e transformaram o caso em um marco de violência, exploração e corrupção sistêmica.
Livro, sátira e crítica social
A minissérie adapta o livro Las muertas, publicado por Jorge Ibargüengoitia em 1977. A obra é considerada um clássico por unir narrativa envolvente, humor negro e sátira política, expondo não só a crueldade das irmãs como também a cumplicidade de autoridades e a hipocrisia moral da sociedade mexicana da época.
Luis Estrada mantém esse tom crítico em As Mortas, mesclando cenas de choque com momentos de ironia e exagero, em um estilo que ecoa seu cinema político, mas também entrega uma narrativa acessível para o público global da Netflix.
Elenco e personagens de As Mortas
Além de Arcelia Ramírez e Paulina Gaitán como as irmãs Baladro, o elenco traz nomes de peso:
- Alfonso Herrera (Sense8, Narcos: México) como Simón Corona, o amante atormentado.
- Joaquín Cosío como o capitão Hermenegildo Bedoya, peça-chave na investigação.
- Mauricio Isaac como Juana Cornejo, apelidado de “La Calavera”.
- Um grupo de atrizes, incluindo Sonia Couoh, Sofía Espinosa e Fernanda Rivera, que dão vida às jovens exploradas pelo império das irmãs.
Onde se passa a série?
As Mortas é ambientada no interior rural do México, cenário que reforça a sensação de isolamento, impunidade e decadência social que sustentava o poder das irmãs.
Por que assistir?
Mais do que um drama criminal, As Mortas revisita um episódio histórico que mistura horror, política e exploração midiática, enquanto questiona como sistemas inteiros permitiram que tais crimes acontecessem. É um retrato de poder e violência, mas também um lembrete de que, muitas vezes, a realidade pode ser ainda mais perturbadora do que a ficção.