As séries de TV no Brasil: o que há de novo?

Falar de séries de TV na televisão brasileira, é falar de uma movimentação na indústria televisiva bem recente. Tudo bem que desde as décadas de 80 e 90 ouvimos falar sobre modelos seriados de programas, sobretudo na Rede Globo, mas foi no decorrer dos anos 2000 que sentimos mais fortemente a presença destes shows na nossa programação.

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Nada mais é do que a importação de modelos americanos. Se lá comédias familiares dão audiência, porque não Pé Na Cova? Se procedurais fazem sucesso, porque não Dupla Identidade? E adaptações de livros, não viram verdadeiros hits, então dá para adaptar O Canto da Sereia, não é mesmo? A verdade é que o Brasil está criando Shondas Rhimes, Carltons Curses, J. J. Abrams, e por ai vai… E a qualidade, por vezes, não tem deixado a desejar.

E, assim como na TV americana, há espaço para todos. Dupla Identidade, a mais recente produção do plim-plim, é produzida por nada mais, nada menos, que Gloria Perez, um grande nome na dramaturgia brasileira (antes de Salve Jorge, é claro). Junto com ela, Bruno Gagliasso, Luana Piovani, Debora Falabella e Marcelo Novaes dão nome ao brilhante elenco da série.

 

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“Shonda Rhimes que se cuide. Eu vim para ficar”

 

Mas quem disse que os novos não tem vez? Pé Na Cova que o diga. A série, que já caminha para a quarta temporada, é uma reunião de novos atores da telinha, que não deixa a desejar. Sabrina Korgut rouba a cena como a empregada Adenóide, e Mart’Nália não fica para trás com Tamanco.

E por falar em Pé Na Cova, as polêmicas também não ficam de fora das novas séries da TV brasileira. Se antes as novelas levantam discussões que afloravam os ânimos da população (quem não lembra do beijo gay em Amor à Vida?), os seriados também estão dando o que falar nas mídias. A produção de Miguel Falabella tem sido um canal de voz para as comunidades LGBT. Além de mostrar personagens homossexuais e o casamento igualitário, a questão da transexualidade, e a aceitação desta como uma condição normal para a vida do ser humano.

Outra série de Falabella, Sexo e as Negas, também foi muito comentada antes mesmo de estrear, em setembro deste ano. Desta vez, a questão racial foi o foco das críticas, e envolveu o nome da série. Como suburbano do Rio de Janeiro – e morador das adjacências de Cordovil – a nomenclatura torna-se tão menor, quando se depara às questões sociais e morais que a série levanta, como a vida num dos maiores guetos da cidade.

 

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Polêmicas à parte: quem é a Nova Carrie?

 

Para não dizer que não falei das rosas… A Record também tem se destacado nesse novo setor da TV brasileira. E a TV do bispo não só produz séries bíblicas. Longe de ser a History Channel brasileira, a emissora tem usado o sensacionalismo ao seu favor. A minissérie Plano Alto estreia num momento tão importante para o Brasil quanto as eleições. Narrando três gerações da história política do nosso país, o programa fala de como, isoladamente, cada momento tem sua importância, e principalmente, como o povo pode se posicionar dentro da democracia.

 

Plano Alto

“Cansei de ser Chiquitita. Agora quero ser Black Block!”

A TV a cabo vive a efervescência das séries de TV. Todos os anos vemos novas e criativos seriados surgirem. Um exemplo disso é O Negócio, drama da HBO, que não fica nem um pouco para trás em relação aos programas americanos. Nele a prostituição é levada a outro nível, não apenas pelo sentido sexual, mas também por um viés mercadológico. Quem disse que ser prostituta é fácil? Num mar de peixes agressivos e ser glamour, a Oceano Azul só tem meninas da mais alta estirpe! Tudo graças aos ensinamentos diários de Karin.

 

O Negócio HBO

“Que piranha que nada… Estamos mais para Atum Azul!”

 

A comédia dá conta com o diário Vai Que Cola. Paulo Gustavo – e seus trezentos programas na Multishow – consegue acertar a medida do que é viver num bairro popular de uma grande cidade. Só quem conhece bem o Méier entende os “dramas” que os personagens do humorístico passam (o trânsito, a criminalidade, e a indefinição dos limites que o CEP impõe (é Méier ou Todos os Santos? ou Lins de Vasconcelos? ou Água Santa?)). Vai Que Cola nos ensina que não se precisa de um roteiro dos mais amarrados para chegar a duas temporadas, quando você reúne gênios do humor numa só cena (Cacau Protássio enche a tela).

 

Vai Que Cola

“Por que ser faxineira de jogador de futebol, se ser primeira-dama do Morro do Cerol dá mais fama?”

 

Vivemos hoje uma decadência dos roteiros novelescos, não tem como negar. A audiência não é mais como antes, e severas críticas são dirigidas ao uso excessivo da tecnologia e da falta de continuidade do roteiro. E não, não é o tempo que está correndo mais rápido, é a quantidade de capítulos que está diminuindo. A TV precisa de uma pausa, precisa de novos cliffhangers. Será que as séries são a salvação da TV brasileira?

Equipe Mix

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Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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