As Trapaceiras | Filme na Netflix é sem graça e um desperdício

Um filme não perder tempo: As Trapaceiras é sem graça do início ao fim.

As Trapaceiras tenta atualizar um clássico da comédia de golpes, mas acaba tropeçando feio na própria proposta.

O filme, estrelado por Anne Hathaway e Rebel Wilson, parte de uma ideia simples e até promissora: inverter o gênero de Dirty Rotten Scoundrels e colocar duas mulheres no centro de uma disputa de trapaças milionárias na Riviera Francesa. Na prática, porém, o resultado é uma comédia sem ritmo, sem química e, pior, sem graça.

Uma ideia boa que não vira filme

A trama de As Trapaceiras acompanha Josephine (Anne Hathaway), uma vigarista sofisticada que aplica golpes em homens ricos, e Penny (Rebel Wilson), uma trapaceira mais espalhafatosa que invade o território da rival.

O conflito entre estilos diferentes deveria render situações cômicas e embates criativos, mas o roteiro raramente encontra caminhos inteligentes para explorar isso. A sensação constante é de repetição, com piadas previsíveis e situações que se estendem além do necessário.

Anne Hathaway fora de sintonia

O maior problema de As Trapaceiras está em Anne Hathaway. Sua Josephine é rígida, afetada e presa a um sotaque britânico artificial que nunca encontra justificativa narrativa. Em vez de funcionar como elemento cômico, o exagero acaba afastando o espectador. Falta timing, leveza e, principalmente, entrega ao humor. É como se a atriz estivesse em um filme completamente diferente do resto do elenco.

Rebel Wilson segura o que dá

Rebel Wilson até tenta salvar a experiência. Penny é barulhenta, caricata e segue exatamente o tipo de personagem que a atriz sabe fazer. Algumas piadas funcionam melhor quando passam por ela, mas nem mesmo seu carisma consegue compensar um roteiro fraco e preguiçoso. O contraste entre as protagonistas poderia ser o motor da comédia, mas a falta de química entre as duas mina qualquer impacto.

As Trapaceiras é um desperdício de talentos

Dirigido por Chris Addison, conhecido por trabalhos afiados na TV, o filme surpreende negativamente pela falta de inventividade. A direção é burocrática e o texto não aproveita o elenco coadjuvante, que passa quase despercebido. Tudo soa engessado, como se o filme tivesse medo de ousar ou atualizar de verdade o material original.

As Trapaceiras é um exemplo claro de como uma boa ideia não sustenta um filme sozinha. A proposta de releitura feminina é válida, mas o humor não acompanha. O resultado é uma comédia esquecível, que raramente provoca risadas e desperdiça duas atrizes populares em um projeto sem identidade própria. Para quem busca uma comédia afiada ou um bom filme de golpes, há opções muito melhores por aí.





As Trapaceiras | Filme na Netflix é sem graça e um desperdício
SOBRE O AUTOR
Matheus Pereira
Matheus Pereira é Jornalista e mora em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Escritor assíduo na época dos blogs, Matheus desenvolveu seus textos e conhecimentos em Cinema e TV numa experiência que já soma quase 15 anos. Destes, quase dez são dedicados ao Mix de Séries. Além disso, trabalha há mais de dez anos no campo da comunicação e marketing educacional, sendo assessor de imprensa e publicidade em grandes escolas e instituições de ensino.