As Trapaceiras tenta atualizar um clássico da comédia de golpes, mas acaba tropeçando feio na própria proposta.
O filme, estrelado por Anne Hathaway e Rebel Wilson, parte de uma ideia simples e até promissora: inverter o gênero de Dirty Rotten Scoundrels e colocar duas mulheres no centro de uma disputa de trapaças milionárias na Riviera Francesa. Na prática, porém, o resultado é uma comédia sem ritmo, sem química e, pior, sem graça.
Uma ideia boa que não vira filme
A trama de As Trapaceiras acompanha Josephine (Anne Hathaway), uma vigarista sofisticada que aplica golpes em homens ricos, e Penny (Rebel Wilson), uma trapaceira mais espalhafatosa que invade o território da rival.
O conflito entre estilos diferentes deveria render situações cômicas e embates criativos, mas o roteiro raramente encontra caminhos inteligentes para explorar isso. A sensação constante é de repetição, com piadas previsíveis e situações que se estendem além do necessário.
Anne Hathaway fora de sintonia
O maior problema de As Trapaceiras está em Anne Hathaway. Sua Josephine é rígida, afetada e presa a um sotaque britânico artificial que nunca encontra justificativa narrativa. Em vez de funcionar como elemento cômico, o exagero acaba afastando o espectador. Falta timing, leveza e, principalmente, entrega ao humor. É como se a atriz estivesse em um filme completamente diferente do resto do elenco.
Rebel Wilson segura o que dá
Rebel Wilson até tenta salvar a experiência. Penny é barulhenta, caricata e segue exatamente o tipo de personagem que a atriz sabe fazer. Algumas piadas funcionam melhor quando passam por ela, mas nem mesmo seu carisma consegue compensar um roteiro fraco e preguiçoso. O contraste entre as protagonistas poderia ser o motor da comédia, mas a falta de química entre as duas mina qualquer impacto.
As Trapaceiras é um desperdício de talentos
Dirigido por Chris Addison, conhecido por trabalhos afiados na TV, o filme surpreende negativamente pela falta de inventividade. A direção é burocrática e o texto não aproveita o elenco coadjuvante, que passa quase despercebido. Tudo soa engessado, como se o filme tivesse medo de ousar ou atualizar de verdade o material original.
As Trapaceiras é um exemplo claro de como uma boa ideia não sustenta um filme sozinha. A proposta de releitura feminina é válida, mas o humor não acompanha. O resultado é uma comédia esquecível, que raramente provoca risadas e desperdiça duas atrizes populares em um projeto sem identidade própria. Para quem busca uma comédia afiada ou um bom filme de golpes, há opções muito melhores por aí.