A Netflix estreou recentemente Assumindo as Rédeas (Passing the Reins), um dorama japonês que promete drama corporativo, segredos de família e até emoção nas pistas de corrida de cavalos.
A série, que conta com Satoshi Tsumabuki, Ren Meguro, Wakana Matsumoto e grande elenco, mistura investigação financeira, relações entre pais e filhos e reflexões sobre culpa e propósito — mas será que vale mesmo a maratona?
Uma história sobre corrupção, legado e redenção em Assumido as Rédeas
Logo no primeiro episódio, conhecemos Eiji Kurisu, um contador tributário que é contratado para investigar uma suspeita de corrupção em uma grande empresa de corridas de cavalos. O jovem é chamado por Yutaro, herdeiro do conglomerado, que acredita que o próprio pai, Kozo Sanno, esteja desviando fundos da divisão e quer provas para derrubá-lo.
Para isso, Eiji se infiltra na empresa disfarçado, trabalhando em nome de um escritório de contabilidade. Mas o plano muda quando ele conhece o patriarca: Kozo Sanno não é um vilão caricato, mas um homem rígido e extremamente inteligente, que entende de negócios e percebe o disfarce de Eiji logo de cara.
A partir daí, a série se transforma em um jogo de gato e rato entre dois homens que, à sua maneira, buscam justiça — e acabam desenvolvendo uma relação de respeito mútuo.
O ritmo é lento, mas o conteúdo é denso
Quem espera um dorama leve, com humor ou romance, pode se decepcionar. Assumindo as Rédeas é um drama lento, mais voltado ao diálogo e à construção de personagens do que à ação.
Grande parte dos episódios se passa em reuniões, estábulos e escritórios, discutindo números, responsabilidades e ética. A história aborda temas como corrupção corporativa, a tradição familiar nos negócios e o luto não resolvido, especialmente o de Eiji, que ainda se culpa por não ter trabalhado com o pai antes de sua morte.
Essa carga emocional dá profundidade à narrativa, mas o ritmo pode afastar quem busca algo mais dinâmico. Em alguns momentos, o dorama parece mais uma novela de tribunal do que uma história de mistério.

Um elo improvável e humano
O ponto mais interessante da série é o vínculo que se forma entre Eiji e Kozo. O contador, inicialmente frio e profissional, começa a se envolver emocionalmente com os cavalos e com o trabalho da empresa. Aos poucos, ele entende que o problema não está apenas nas planilhas, mas nas pessoas — e que há uma razão genuína para as dificuldades da divisão de corridas.
Essa relação de mestre e aprendiz, de dois homens tentando fazer as pazes com o passado, é o que mantém o público conectado. E mesmo com a lentidão, o roteiro planta dúvidas suficientes:
quem está realmente desviando dinheiro? Kozo é culpado ou vítima? Eiji será capaz de salvar a empresa — e a si mesmo — da falência moral?
Para quem é (e para quem não é) a série
Assumindo as Rédeas não é um dorama para todos os públicos. Ele fala com quem gosta de tramas realistas, investigações corporativas e personagens complexos.
Se você tem interesse por histórias de bastidores empresariais, dramas éticos e dilemas morais, vai encontrar boas reflexões aqui. O universo das corridas de cavalos também é retratado com autenticidade, o que pode agradar a quem se interessa pelo tema.
Mas se você procura algo leve, romântico ou de ritmo acelerado, a série provavelmente vai parecer arrastada e até cansativa em alguns trechos. Como descreve a crítica original, “você pode estar assistindo, mas ao mesmo tempo sentir tédio”.
Veredito: assistir ou não?
Assumindo as Rédeas é uma daquelas produções que demoram a engrenar, mas têm potencial emocional e temático.
O drama é pesado, introspectivo e cheio de sutilezas — e talvez funcione melhor para quem acompanha o dorama aos poucos, sem pressa.
A atuação contida de Eiji Kurisu e o embate silencioso com Kozo Sanno dão credibilidade à história, mesmo quando o roteiro se alonga demais. E, se as tramas corporativas forem simplificadas nos próximos episódios, há espaço para a série se tornar mais acessível e envolvente.
Vale a pena assistir?
Sim — mas com uma ressalva. Assumindo as Rédeas é ideal para quem aprecia dramas lentos, cheios de camadas e introspecção. Se você busca algo mais leve ou imediato, talvez seja melhor apostar em outro título do catálogo da Netflix.