O público ainda está tentando se recuperar do impactante episódio final de Task, a série policial da HBO estrelada por Mark Ruffalo, Thuso Mbedu, Emilia Jones e Sam Keeley.
O último capítulo, intitulado “A Still Small Voice”, trouxe um desfecho sangrento, catártico e inesperadamente humano para os personagens, encerrando a primeira temporada com aplausos da crítica e lágrimas do público.
Em entrevistas ao TV Insider, os atores principais comentaram as gravações da sequência de tiroteio final — uma das mais tensas e emocionais da série — e refletiram sobre o destino de seus personagens no encerramento da trama criada por Brad Ingelsby (Mare of Easttown).
Um final brutal — e redentor
Nos minutos finais da série, tudo converge para o confronto entre Jayson (Sam Keeley), Anthony (Fabien Frankel) e Maeve (Emilia Jones), enquanto o ex-padre e agente do FBI Tom Brandis (Mark Ruffalo) tenta impedir que mais sangue seja derramado.
Jayson, devastado por perdas e traído por todos à sua volta, invade a casa de Maeve para roubar o dinheiro deixado por Robbie (Tom Pelphrey). Mas o plano termina em tragédia: Anthony, mesmo ferido, atira em Jayson e põe fim ao ciclo de violência iniciado pelo grupo criminoso conhecido como Dark Hearts.
“Ele já tinha perdido tudo naquele ponto da vida, e simplesmente não se importava mais”, contou Sam Keeley sobre o estado mental de seu personagem. “Não havia saída. Ele não ia fugir com o dinheiro e começar de novo. Era uma espiral de destruição, e Jayson sabia disso — mas foi até o fim assim mesmo. Esse é o tipo de homem que ele era.”
Para Emilia Jones, que vive Maeve, o episódio foi o fechamento de um ciclo de dor. “Foi muito intenso. A adrenalina estava altíssima nas filmagens”, revelou a atriz. “Mas o final da Maeve é bonito porque ela finalmente encontra a estrutura que tanto buscava para a vida das crianças. Robbie queria deixá-la segura, e, de certa forma, ela conseguiu o que ele sonhou.”
No desfecho, Maeve consegue sobreviver e garantir um futuro digno para sua família — graças à decisão de Tom de não confiscar o dinheiro deixado por Robbie. “É um gesto de compaixão que muda tudo”, completou Jones. “Maeve começa a série em ruínas, e termina com esperança.”
Mark Ruffalo: o perdão como ponto final

Já Mark Ruffalo, elogiado por sua entrega no papel de Tom Brandis, encerra a série com um momento profundamente humano: o perdão. Após perder a esposa e ver o filho Ethan (Andrew Russel) cumprir pena pelo crime, Tom encerra seu arco perdoando o filho em tribunal — uma cena que emocionou o público e coroou a jornada espiritual do personagem.
“Na minha cabeça, a trajetória de Tom sempre foi sobre o perdão”, explicou o criador Brad Ingelsby. “Ele precisava perdoar o filho e, ao mesmo tempo, se permitir recomeçar. Quando ele diz que vai recebê-lo de braços abertos quando sair da prisão, é como se estivesse se libertando também.”
No final, Tom abre mão de adotar o jovem Sam (Ben Doherty), o menino que acolheu temporariamente, para permitir que ele tenha uma família definitiva. “É uma decisão amarga, mas necessária”, comentou Ingelsby. “Tom percebe que Sam não deve ser um substituto para Ethan. É um final realista, com esperança, mas sem ilusões.”
Sam Keeley: “A tensão da cena era real”

Keeley, que interpretou um dos vilões mais complexos da série, contou que o clima no set durante a gravação do tiroteio foi de pura tensão. “Trabalhar com Mark, Fabien e Emilia naquela sequência foi incrível. Tínhamos que coordenar tudo perfeitamente, porque a cena é caótica, mas precisa parecer autêntica. Foi o tipo de cena que deixa o coração acelerado — dentro e fora da tela.”
O ator elogiou a direção de Brad Ingelsby, que combinou ação visceral e emoção contida. “A série tem tiroteios, perseguições e reviravoltas, mas no fim é sobre pessoas tentando lidar com a culpa e o amor”, disse Keeley. “A tragédia de Jayson é justamente não conseguir se perdoar.”
Um encerramento com propósito
Para Ingelsby, que já havia explorado temas semelhantes em Mare of Easttown, o objetivo de Task sempre foi unir drama existencial e crime policial em um mesmo universo. “Task fala sobre o peso das escolhas — como nossas ações, mesmo bem-intencionadas, podem nos arrastar para o inferno”, explicou o showrunner. “Mas também fala sobre redenção. Tom, Maeve e Anthony terminam feridos, mas com a chance de recomeçar.”
O final de Task encerra todas as pontas soltas da investigação, mas deixa uma semente de esperança — algo raro no gênero. “Não é um final perfeito, mas é um final verdadeiro”, reforçou Ingelsby.
Task está disponível na HBO e no Max, com todos os sete episódios já lançados.