Autópsia: a falta de inteligência e conteúdo histórico de Salem

Salem

Imagem: SpoilerTV

Quando Salem estreou, em 2014, na WGN America, tornando-se a primeira série roteirizada do pequeno canal a cabo americano, o show marcou a maior audiência da história da emissora em sete anos. Promissora e com uma excelente protagonista a sua frente, o drama flertava com um futuro promissor à sua frente.

Infelizmente, tudo não passou de fogo de palha. Depois de episódios fortes no início da primeira temporada, Salem passou a apostar em fórmulas preguiçosas de terror gore, com atores que sequer sabiam o que estavam fazendo em cena e resoluções rápidas e pouco inteligentes. A dificuldade em manter uma boa narrativa evidenciou-se quando o roteiro buscou explorar ainda mais a tensão sexual entre os personagens do que questões históricas da Massachussetts colonial do século 17.

Muito me interessa o período histórico que a série se propôs a falar, até porque em tempos de rebootremakes revivals é difícil que algum produtor tenha a ousadia de propor a executivos de qualquer canal, produzir uma série que fale sobre o período colonial de um dos estados mais importantes da federação, com os inacreditáveis julgamentos de supostas bruxas como pano de fundo. O problema é que, em nenhum momento, falou-se com propriedade desses acontecimentos.

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Salem

Imagem: Variety

A série impressionou em diversos momentos pela sua qualidade técnica, apesar do baixíssimo orçamento do canal, desde a direção de arte que recompôs com perfeição os casebres coloniais, passando pela fotografia exímia em reconstituir a melancolia dos anos pré-independência, até chegar nos deslumbrantes figurinos de Joseph A. Porro, responsável também pelas peças de The Lizzie Borden Chronicles.

Janet Montgomery, entretanto, foi quem me trouxe até aqui. Com uma força impressionante em dominar quaisquer cena que participava, a atriz fazia os diálogos rasos valerem a pena e dava aquele toque de elegância quando a história desandava para um festival desnecessário de violência e carnificina. Apesar de ser a mais fraca quando a qualidade da história, a terceira temporada trouxe o melhor da atriz em cenas que realmente demonstravam o quão sensacional seu talento realmente é.

De acordo com o Den of Geek, há um abaixo assinado pedindo que a Netflix dê uma sobrevida para Salem. Fala-se que a série é essencial para que possamos entender o porquê grupos de minoria religiosa são cada vez mais perseguidos, desde quando “líderes” mundiais resolveram eleger os muçulmanos como o câncer da sociedade mundial, mas acredito que um bom documentário cumpre com perfeição essa missão de evidenciar a ligação entre a caça às bruxas do século 17 e islamofobia do século 21.

Se Salem serviu para alguma coisa, foi para incentivar a WGN America a produzir séries originais, como as excelentes Underground Manhattan, que infelizmente nunca recebeu a atenção que merecia.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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