Os bastidores de Hawaii Five-0: curiosidades por trás das câmeras

Hawaii Five-0

Embora eu adore assistir um clássico de vez em quando (minha maratona de Dynasty vai muito bem, obrigado), confesso que Hawaii Five-0 nunca esteve na minha lista. Contudo, quando estava pensando em qual série trabalhar para a coluna Bastidores desta semana decidi trabalhar o drama policial porque, assim como Blue Bloods, consegue atrair uma audiência incrível na sexta-feira à noite nos Estados Unidos.

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Além disso, a produção teve alguns notórios problemas de bastidores. Incluindo disputas salariais, assédio, acidentes e disputas internas. O que sempre rende um bom trabalho, vocês não concordam? Sendo assim, convido o leitor a conferir a coluna desta semana e comentar sugestões, críticas, elogios e ideias para colunas futuras. Nós adoramos quando vocês comentam, então vou ficar esperando.

Mudança de Planos

Os planos da CBS eram de trazer a série de volta um ano antes do que realmente aconteceu, para temporada 2009-2010. Além disso, a produção teria o comando de Edward Allen Bernero, responsável pela franquia de Criminal Minds. A proposta do canal era uma espécie de sequência com Steve McGarrett, Jr assumindo o comando da unidade do seu pai, Steve McGarrett.

O problema é que a ideia não prosperou, na verdade sequer floresceu além do estágio do roteiro. Sendo assim, em 2009 Alex Kurtzman e Roberto Orci assumiram o comando da produção. Eles decidiram que seria melhor criar um reboot do que uma sequência do drama policial original. Curiosamente, foi exatamente o que fez Murphy Brown dar errado na última temporada.

Problemas Técnicos

A General Motors era quem fornecia os veículos automotores para série durante a produção das primeiras quatro temporadas. Contudo no começo do quinto ano, o contrato foi cancelado. O motivo? Dois dos protagonistas (Chin Ho e McGarrett) dirigiam carros vintage da Ford (Chin um1966 Mustang coupe; McGarrett dirigia um 1974 Mercury Marquis Brougham).

Tal disputa contratual também afetou os esquadrões da Honolulu P.D. durante a série. O Impala 9C1, por exemplo, teve sua produção interrompida em 2016, onde a GM só desenvolvia tal modelo para locadoras e agências. Além disso, o Chevrolet Caprice PPV não é vendido para o público em geral, fazendo com que a produção usasse modelos (bem) antigos do Impala para as gravações.

Ela Também

Com Hollywood dominada pelo movimento #MeToo desde a queda de Harvey Weinstein, Hawaii Five-0 não foge a tendência. De acordo com uma reportagem da Fox News publicada em novembro de 2017, Kelly Tolar entrou com um processo contra a CBS afirmado ter sido assediada em Honolulu.

A atriz afirma ter sofrido assédio de várias formas, assim como estresse emocional e agressões. Ainda de acordo com o processo, Tolar teria enviando um e-mail para seus superiores em 2015, mas ninguém foi responsabilizado. “Nessa semana ele estourou comido, me disse que eu era ‘estúpida e idiota’, além de ‘retardada’ e ‘burra’,” descreveu na mensagem. Sua reclamação foi contra Jake Downer, um colega de elenco e filho de um dos produtores executivos.

Pessoas reais, problemas reais

Após sofrer um acidente durante as gravações, Alex O’Loughlin desenvolveu vício em analgésicos. O problema se tornou tão forte e devastador que O’Loughlin faltou alguns dias de gravação. “Alex está tirando uns dias de folga de Hawaii Five-0 para buscar tratamento supervisionado para remédios em função de dores no ombro,” disse sua assessoria à época do afastamento.

De acordo com o ator um dos fatores que fizeram com que o estresse aumentasse e piorasse sua condição foi a violência que a série trazia. Tiros, socos e explosões desde o início ao final do dia. Ele ficou afastado por alguns meses, mas com apoio dos fãs e da família, ele retornou ‘melhor do que nunca’.

Inquebrável

Scott Caan teve certos acidentes extra-trabalho durante o tempo que Hawaii Five-0 estava em produção. Sendo assim, os roteiristas resolveram fazer de limões uma limonada. Grande parte dos machucados foram introduzidos na história. O primeiro deles foi uma lesão do joelho, onde seu personagem teve que ser levado ao continente.

Contudo, a CBS fazia questão de sempre deixar claro que o ator não se acidentado nas gravações.  O caso se repetiu em 2017 quando Caan apareceu em cena usando uma tipoia. A emissora foi rápida em emitir uma nota afirmando que o ator tinha se machucado fora do set e que essa situação seria introduzida na série.

Gente como a gente

Numa disputa salarial que o Mix de Séries noticiou, Daniel Dae Kim e Grace Park decidiram sair da série em função de uma (enorme) disparidade salarial entre o restante do elenco. Kim, que interpretou Chin Ho, escreveu num post do Facebook que ‘sentiria muita falta do seu personagem’ e que encorajava os fãs a ‘olhar pelo lado positivo’.

De acordo com reportagens à época, a disparidade não era pequena. Existia uma diferença de 10 a 15% daquilo que Alex O’Loughlin e Scott Caan recebiam respectivamente. O problema não é só esse. A representação de asio-americanos na série era baixíssima, mesmo que a maioria da população do Havaí tenha descendência asiática.

Com a saída de Daniel Dae Kim e Grace Park, Hawaii Five-0 perdeu dois atores importantes de uma única vez, seja narrativamente ou em questões de diversidade.

Rapidinhas

– A série estreou em 20 de setembro de 2010, exatos quarenta e dois anos da Series Premiere da série original (1968).

– Até a quinta temporada, Daniel Dae Kim (Chin Ho Kelly) era o único ator a aparecer em todos os episódios.

– Daniel Dae Kim foi o primeiro ator a ser escalado. Ele foi seguido por Alex O’Loughlin, Grace Park e então Scott Caan.

– Na nona temporada, Scott Caan voluntariamente decidiu trabalhar menos porque queria passar mais tempo com a família em Los Angeles.

Em suma

Como contei pra vocês na introdução desta coluna, Hawaii Five-0 não estava no meu radar. Contudo, queria explorar uma série diferente e popular no Brasil além dos títulos tradicionais. A boa notícia é que, como sempre, aprendi muito no desenvolvimento deste trabalho. Não sabia dos problemas dos bastidores, principalmente o suposto caso de assédio que surgiu em 2017.

Tomou-se conhecimento do processo um mês antes do The New York Times publicar a reportagem explosiva sobre os mal feitos cometidos por Harvey Wesintein, mas a CBS escolheu colocar a sujeira para debaixo do tapete. É verdade que tivemos curiosidades mais leves. Mas é sempre muito importante falar sobre essas questões.

Sendo assim, vocês podem ter certeza que a série será incluída na minha lista de prováveis maratonas para esta fase de hiato.

Muito obrigado pela companhia nesta semana. Lembrando, então, que da próxima vez vamos falar sobre os Bastidores de Law & Order: SVU. Espero vocês!

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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