Bates Motel – 3×10 – Unconscious [Season Finale]

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Imagem: Entertaiment Weekly

 

O terceiro ano de Bates Motel finalmente chega ao fim com um episódio que, se não ousa fazer metade do que se propôs nos episódios da temporada, é eficaz ao narrar os já esperados problemas de Norman e pequenos plots paralelos.

De longe, a melhor coisa que a série tem a mostrar é o relacionamento doentio de Norman com sua mãe. A forma como ele a vê acaba se confundindo com a maneira como ela passou a vê-lo também. É interessante notar como a psicose representa uma série de sentimentos que afloram no rapaz, desde a paixão descontrolada até uma vontade descomunal de ser a própria mãe. Involuntário. Desapercebido de razão. Mais forte que qualquer fagulha de resistência que possa existir. Psicose no ápice do desenvolvimento.

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Norma sabe que o caso do filho é mais sério do que ela imaginava e que não adianta mais fingir que nada vai acontecer. Prova disso é que, no ímpeto de protegê-lo de ter que pagar por um crime, decidiu interná-lo em um instituto psiquiátrico. Para ela, é hora de abraçar o problema do filho como forma de proteção. Compreende que o filho não é um criminoso qualquer, mas quem poderia compreendê-lo de tal forma se não a própria?

Quando o garoto decide fugir com Bradley enfrentando a própria mãe fica claro que o que acontece aqui é muito mais uma quebra de confiança, ou melhor, a quebra do contrato verbal entre os dois de que nada de mal ou errado aconteceria a ele longe dos braços da mãe, do que um simples ato de revolta adolescente. A fuga, claro, não deu em outra. Assistir Norma surgir entre o filho e Martin é daqueles pequenos momentos brilhantes que a série faz muito bem. No final, depois que todo serviço está feito, a direção e a fotografia trabalham muito bem para mostrar a linha tênue entre realidade e loucura. Muito bem feito, embora previsível.

As tramas paralelas passaram bem, mesmo que a preguiça dos roteiristas tenha ficado clara em alguns momentos. A historinha do Dylan com Caleb teve seus momentos e serviu, como falei há algumas reviews, para reparar toda essa relação complicada entre os dois e a própria Norma. Foi bonito ver que Dylan sentiu a ausência de seu pai no final, e foi mais bonito ainda ver o cara se render ao sentimento que vinha alimentando com Emma.

No caso de Romero e Bob, sinto dizer que fizeram a escolha mais fácil. Entregar Paris para o DEA e acabar matando o cara antes que ele pudesse fugir ou entregar para a polícia o que ele sabia sobre o passado de Alex era uma saída que eu não queria acreditar que aconteceria. O homem por trás do Arcanum Club é o maior exemplo de falta de ousadia da série nesta temporada. No fim, tudo foi explicado de forma preguiçosa o grande vilão deste ciclo não era grande coisa nenhuma. Ameaçou, ameaçou e teve seu fim tão rapidamente que nem fez medo.

É uma pena lembrar que Bates Motel fez uma dispensável primeira metade de temporada enquanto podia estar preparando terreno para encerrar suas tramas. De qualquer maneira, foi uma fase bem resolvida que soube correr atrás do prejuízo e fechar algumas pontas soltas. Não foi fácil chegar até aqui e certamente não será mais fácil do que isso saber como tudo isso irá terminar. Mas não é assim com as histórias mais complexas? Os rumos não são tão simples e nem todo realizador sabe dar continuidade àquilo que parecia ter tanto potencial.

Renovada, resta saber se os roteiristas saberão contar mais dez episódios da vida de Norman Bates. Mas aqui vai o óbvio. Não adianta criar historinha atrás de historinha para segurar a audiência por mais alguns anos. A série não se justifica se não focar nos personagens de Freddie Highmore e Vera Farmiga. Não adianta brincar de contar histórias se não levar a sério o protagonista complexo e cheio de nuances que o show do canal A&E tem em mãos. Que seja um ótimo ano para quem vai continuar.

Equipe Mix

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Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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