Batman vs. Superman não é o filme que queríamos mas que precisávamos

Batman vs. Superman

Continua após as recomendações

 

Quando saí da sala de cinema na quinta-feira (24), na estreia de Batman vs. Superman – A Origem da Justiça, estava um pouco decepcionado. Três anos de espera para vermos a trindade da DC Comics em Live Action, e após aquelas duas horas e meia, o filme me parecia cru, como um pedaço de pizza que você não mastigou direito e ficou entalado do pescoço. Naquele momento algo estava certo na minha cabeça: alguns personagens como Batman, Mulher Maravilha e Lex Luthor funcionavam, mas outros como Superman e Apocalipse patinaram em um roteiro que parecia um recorte de momentos sem saber de onde veio e para onde ir.

Continua após a publicidade

Ontem (27) resolvi dar uma nova chance ao filme. Após ter baixado o hype, e já sabendo do que o filme se tratava, me vi disposto a assistir A Origem da Justiça novamente. Quando sai da sala de cinema, o que me veio a cabeça é o título deste texto: Batman Vs. Superman não é o filme que queríamos, mas o que precisávamos. E vou lhe dizer o porquê.

Diferentemente da Marvel, que vendo o sucesso de seu Homem de Ferro resolveu explorar outros personagens e costurá-los em um único filme – Avengers, logo depois de introduzi-los em seus respectivos longas solos, a DC Comics se viu na disputa comercial após o Batman de Christopher Nolan fazer sucesso nos cinemas. Tanto foi que a Warner convidou Nolan para produzir O Homem de Aço, reboot do Superman no cinema, e talvez um filme que fizesse parte daquele mesmo universo. Porém, as coisas não saíram muito como o planejado, e uma vez decidido que o universo de Nolan estava enterrado em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, era a hora de partir para novos rumos. Mas qual este seria?

O Homem de Aço, querendo ou não, não teve uma recepção muito boa financeiramente, e dividiu igualmente a crítica americana, uns elogiando e outros odiando. Uma continuação solo poderia estar fadada ao fracasso, e fazer um filme que pudesse introduzir outros personagens deste novo universo poderia ser uma solução. Foi o que o diretor Zack Snyder e a Warner concluíram. A Origem da Justiça não é um filme do Superman muito menos do Batman. Ele é uma ponte para algo muito maior. A tão sonhada Liga da Justiça nos cinemas não poderia ser feita sem qualquer introdução de seus personagens, e como a opção da DC foi logo partir para a reunião de heróis, pelo menos uns deveriam dar as caras em algum longa metragem.

O que acontece é que, assistindo Batman vs Superman pela segunda vez, compreendo a visão de que este foi um longa que Snyder teve para mostrar as consequências de O Homem de Aço, fechar aqueles arcos, e começar um novo. A consequência da invasão kryptoniana na terra foi justamente despertar uma desconfiança de Bruce Wayne, personagem que já existia naquele universo, mas que não havia dado as caras ainda. Batman e Superman sempre se estranharam nos quadrinhos, e nada mais justo que levar isso ao cinema. Mas, seria mesmo a disputa ideológica do “dia” e da “noite” o ponto alto desta adaptação? A resposta, todos nós já sabemos.

 

batmanvssuperman-1

Batman vs. Superman vai muito além da luta entre os heróis

 

Criou-se um mito em retratar a essência do Cavaleiro das Trevas de Frank Miller na briga de Batman vs. Superman, mas sempre soubemos que o filme andaria por pernas próprias. E andou. O roteiro de David Goyer e Chris Terrio soube linkar a desconfiança de Lex Luthor ao “falso Deus” com a de Bruce Wayne, mas ambos tinham suas razões – bem distintas. Lex é um bilionário que funciona mais como um “agente do caos”, e quer ver o Superman cair dos céus. Bruce Wayne funciona mais como um “agente da humanidade” e quer se prevenir que milhares de vidas sejam perdidas novamente, como aconteceu na batalha de Metrópoles. Unindo o útil ao agradável, Lex Luthor acabou por incitar a raiva em Batman para que ele enfrentasse o Azulão, culminando no tão aguardado clímax.

O problema talvez é que a produção de Snyder tenha feito escolhas um tanto erradas ao querer fazer uma imensidão de referências e esquecer que ele precisava atingir um público além dos que liam histórias em quadrinhos. E mais além, ele precisava atingir o público de história em quadrinhos com qualidade. Entre um e outro, talvez o diretor tenha falhado. Mas, ao contrário do que a (maioria) da crítica americana vem apontando, o diretor soube sim fazer uma grande ponte para os eventos que a DC preparou para o cinema. Conhecemos o Batman, conhecemos Mulher Maravilha e vislumbramos tantos outros que, juntos, defenderão a humanidade de uma ameaça ainda maior que a de Apocalipse: Dark Side.

batman bvs

Bat-Affleck em ação

Nesse emaranhado de histórias, qualquer um que assistir ao filme – e que conheça as histórias em quadrinhos – precisa reconhecer que o Batman de Ben Affleck está ótimo. E olha que este era receio de 11 em cada 10 pessoas quando o ator foi anunciado. O Homem Morcego mostrado em A Origem da Justiça é aquele que conhecemos das HQs, dos Games, e até mesmo de algumas essências mostradas em “O Cavaleiro das Trevas”. Após 20 anos combatendo o crime, Bruce se deu conta que ele mesmo é um criminoso. E, talvez, ele não esteja tão preocupado se o bandido vai andar novamente, quebrar o braço, ou acabar sendo ferido em uma explosão. A cena em que Batman resgata Martha é maravilhosa. Todo fã de Batman sem dúvidas vibrou com ela. Affleck está de parabéns e um filme solo dele seria espetacular.

A Mulher Maravilha foi um show à parte. Linda, sensual e forte. Gal Gadot, assim como Affleck, calou a boca de geral, e trouxe para nós uma heroína espetacular. O ato final é dela, por mais que o Superman seja o fio condutor da conclusão desta história. Aliás, parabéns por Snyder ousar adaptar um dos arcos mais comentados dos anos 1990 na DC Comics. Após 2h30 de filme, os fãs da DC viram não só uma inspiração de “O Cavaleiro das Trevas”, como também de “Morte em Família”, da franquia “Arkham” de Games, de “Injustice” e surpreendentemente do arco “A Morte do Superman”.

 

batman-vs-superman-ew-pics-2

Gal Gadot rouba a cena em Batman vs. Superman

 

Penso eu que, se este filme tivesse sido feito após Mulher Maravilha, e um primeiro Batman, ele teria sido enxergado com outros olhos. A patinação no filme de Snyder não seria apenas um deslize, mas sim, a reafirmação de que grandes personagens dos quadrinhos estavam unidos, em um mesmo filme, realizando o sonho de muitas crianças que pediam por isso desde quando Christopher Reeve era o Superman e Michael Keaton era o Batman.

O filme tem seus problemas, principalmente por não ser aquilo que esperávamos. Mas reconheço, tem seus méritos, por ser aquilo que precisávamos. Serviu para aumentar a ansiedade em torno do filme da Mulher Maravilha – que parece estar fantástico -, abrir os trabalhos para Esquadrão Suicida (este sim, que vai arrebentar) e servir de introdução para a tão aguardada Liga da Justiça no próximo ano. Grande parte do público aprovou, e isso se reflete na bilheteria que não para de aumentar. A DC Comics entrou realmente na disputa e, mesmo dividindo opiniões, está pronta a mostrar o seu melhor. Eu estou disposto a ver, e vocês?

Nenhum comentário

Adicione o seu