Berlim e a Dama com Arminho é inferior a La Casa de Papel; Vale a pena assistir?

Berlim e a Dama com Arminho mostra por que Berlim continua sendo um dos personagens mais carismáticos de La Casa de Papel

Quando Berlim e a Dama com Arminho foi anunciada, muita gente imaginou que o spin-off de La Casa de Papel sobreviveria apenas pela nostalgia em torno de Andrés de Fonollosa. Afinal, Berlim sempre foi um personagem gigantesco dentro da série principal, daqueles capazes de dominar qualquer cena apenas com um sorriso arrogante ou um discurso teatral sobre amor, arte e caos.

Só que a segunda temporada mostra algo interessante: embora ainda dependa muito do carisma do protagonista, a série tenta expandir o universo emocional ao redor dele em vez de simplesmente repetir o formato clássico dos assaltos de La Casa de Papel.

E honestamente? Nem sempre isso funciona perfeitamente, mas existe bastante mérito na tentativa.

A série desacelera bastante em relação à 1ª temporada

Uma das primeiras coisas que ficam claras logo nos episódios iniciais é que Berlim e a Dama com Arminho escolhe um ritmo muito mais lento do que a temporada anterior. O novo assalto continua sendo o centro da narrativa, claro, mas dessa vez a série parece muito mais interessada nos relacionamentos entre os personagens do que propriamente na mecânica do golpe.

Isso muda bastante o tom da produção.

Enquanto La Casa de Papel sempre viveu de tensão constante, planos mirabolantes e sensação de urgência, Berlim frequentemente desacelera para explorar desejos, traições, romances e inseguranças dos personagens. Em vários momentos, a série quase parece um drama romântico sofisticado ambientado no meio de um assalto internacional.

O problema é que essa escolha também deixa alguns episódios mais arrastados.

O assalto continua divertido, mas menos imprevisível

A segunda temporada até entrega bons momentos envolvendo o golpe principal, especialmente nas cenas em que Berlim e Damián precisam improvisar diante dos conflitos entre gangues rivais. A direção continua estilosa, a trilha sonora segue excelente e algumas sequências realmente conseguem recuperar aquela energia clássica de La Casa de Papel.

Só que existe uma diferença importante aqui. Dessa vez, quase nunca existe a sensação de que o plano pode realmente sair completamente do controle. A narrativa acaba ficando previsível em vários momentos, principalmente porque a série entrega pistas demais sobre o rumo dos personagens.



E isso pesa bastante num thriller de assalto.

Parte da magia de La Casa de Papel vinha justamente da imprevisibilidade absurda, da sensação de que qualquer personagem podia morrer ou trair alguém a qualquer momento. Em Berlim e a Dama com Arminho, as reviravoltas existem, mas raramente surpreendem de verdade.

Berlim 3 temporada netflix
Imagem: NETFLIX.

Pedro Alonso continua carregando a série nas costas

Se a produção ainda funciona mesmo com vários problemas de ritmo, muito disso acontece graças a Pedro Alonso.

O ator continua completamente confortável no papel de Berlim, equilibrando arrogância, charme, inteligência e melancolia como poucos personagens recentes da Netflix conseguiram fazer. O mais interessante é que a série entende que Berlim funciona melhor justamente quando mistura romantização exagerada com profunda tristeza emocional.

Porque, no fundo, o personagem continua sendo alguém desesperadamente apaixonado pela ideia de viver intensamente antes que tudo desmorone.

E a série explora isso bastante.

A nova temporada transforma emoções, paixões e relações humanas praticamente no motor principal da trama. Em alguns momentos isso deixa tudo um pouco teatral demais, mas também cria cenas genuinamente boas entre os personagens centrais.

Os romances dividem bastante a temporada

Talvez o elemento mais controverso da nova temporada sejam justamente os vários arcos românticos espalhados pela narrativa. A série claramente quer aprofundar as relações emocionais entre os personagens e usa isso para gerar conflitos internos durante o assalto.

Só que nem todos esses núcleos funcionam. Alguns romances parecem existir apenas para alongar episódios, especialmente porque a temporada possui oito capítulos longos próximos de uma hora cada. Existem momentos em que Berlim e a Dama com Arminho claramente parece esticar situações além do necessário.

Ainda assim, quando os relacionamentos se conectam diretamente às traições e aos interesses ocultos dos personagens, a série realmente encontra bons momentos de tensão emocional.

A temporada parece mais elegante e melancólica

Se existe algo que Berlim faz muito bem visualmente, é transformar tudo numa experiência extremamente estilizada. A fotografia continua linda, os cenários europeus ajudam muito na atmosfera sofisticada e a direção frequentemente aposta numa estética quase operística.

Só que existe uma diferença emocional importante em relação à 1ª temporada. Dessa vez, a série parece muito mais melancólica.

Existe constantemente a sensação de que Berlim está tentando viver grandes romances e aventuras enquanto foge da própria inevitabilidade. Quem conhece o destino do personagem em La Casa de Papel naturalmente assiste à série sabendo que tudo aquilo possui prazo de validade.

E talvez seja justamente isso que dá certo peso emocional ao spin-off.

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Imagem: Netflix.

Vale assistir?

Sim, especialmente para quem gosta do personagem Berlim e sente falta do universo de La Casa de Papel.

Só que é importante entrar na temporada entendendo que ela funciona menos como um thriller explosivo e muito mais como um drama de personagens ambientado no meio de um grande roubo. Quem espera tensão frenética o tempo inteiro provavelmente vai sentir o ritmo mais lento.

Ainda assim, a série continua entregando momentos muito divertidos, diálogos fortes, cenas visualmente bonitas e um protagonista extremamente magnético.

Mesmo quando a trama derrapa ou fica previsível, Pedro Alonso consegue manter tudo interessante simplesmente pela maneira como interpreta Berlim.

Berlim continua existindo porque o personagem é maior que o assalto

No fim das contas, Berlim e a Dama com Arminho deixa claro que o verdadeiro motivo para o sucesso do spin-off nunca foi o assalto em si.

É Berlim. A série entende perfeitamente que o público continua acompanhando Andrés de Fonollosa porque ele representa aquela mistura rara de charme, perigo, inteligência e tragédia pessoal que poucos personagens conseguem sustentar por tanto tempo.

Por isso, mesmo sem alcançar o impacto das melhores temporadas de La Casa de Papel, a nova temporada ainda consegue justificar sua existência.

Porque sempre que Berlim entra em cena, a sensação continua sendo a mesma: ele pode até saber que tudo vai acabar mal… mas ainda assim vai transformar o caos num espetáculo elegante até o último segundo.



Berlim e a Dama com Arminho é inferior a La Casa de Papel; Vale a pena assistir?
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.