Better Call Saul – 1×01 – Uno

Better Call Saul 1x01

É natural que fiquemos receosos quando anunciam alguma coisa relacionada a uma de nossas séries preferidas. Eu, por exemplo, não gosto de qualquer tipo de continuação, remake, spin-off, prequel, filme ou o que quer que inventem e que tenha algo a ver com uma série que eu gosto. Mas não Better Call Saul. Breaking Bad é provavelmente minha série de drama preferida, então, considerando o que eu acabei de dizer, eu deveria odiar a ideia da existência de Better Call Saul, mas nunca foi o caso, por motivos que acredito serem evidentes. Primeiro, Saul Goodman, por mais que gostemos do personagem, foi apenas um mero detalhe na trama de Breaking Bad, então sua série não poderia manchar o legado de sua antecessora nem se quisesse. Segundo, Vince Gilligan, criador de Breaking Bad, é naturalmente quem está à frente também de Better Call Saul, então quão feio ele poderia errar? Não poderia e nem errou. Better Call Saul é uma prova que Breaking Bad tinha um conjunto tão bem construído que poderia ainda render outras séries melhores que a maioria dessas que têm estreado ultimamente.

Já nas primeiras cenas, ficou claro que a série no mínimo seria um destaque em meio à tantos desses pilotos insossos que nos apresentam. As cenas em preto e branco, a música que nos remete à excelente trilha sonora de Breaking Bad, com um melancólico “address unknown…” que não sairá da minha cabeça tão cedo, nos introduziram à vida de Saul Goodman  – ou James McGill – como um fracassado gerente de lanchonete depois de acabado o sucesso de sua empresa de advocacia (ou depois dos eventos de Breaking Bad). Eu sou uma pessoa muito perdida, com dificuldades de interpretação e pouca lembrança da série que originou essa, então achei alguns pontos um pouco confusos, mas se tratando de um episódio piloto e, portanto, introdutório, nada mais normal que deixar algumas coisas a serem explicadas durante a temporada.

Mas vamos por partes. Primeiro sobre ele ser um gerente de lanchonete, encontramos a primeira referência à Breaking Bad. No penúltimo episódio, Saul disse o seguinte a Walter White: “(…)Se eu tiver sorte, daqui a três meses, na melhor das hipóteses, eu serei gerente de uma Cinnabon em Omaha.” Dito e feito. Passada essa introdução e a abertura, finalmente somos apresentados a Jimmy McGill em seu dificultoso início de carreira, pegando casos com pagamento pífio e mantendo um escritório nos fundos de um salão de beleza (o mesmo onde Saul tentou convencer Jesse a lavar dinheiro!). Daí temos o mistério de Chuck, sobre quem não sabemos muito além de sua proximidade com Jimmy (vamos chama-lo assim, por enquanto) e o fato de que ele costumava trabalhar para uma firma de advocacia da qual Jimmy quer que ele saia levando os 17 milhões que ele julga ser dele por direito. Esse parece ser um arco narrativo que tem muito para ser desenvolvido e que provavelmente acrescentará um “algo a mais” à série, além da trajetória do próprio Jimmy. Foi esse o caso que ficou meio aberto à interpretações e que acredito que será melhor esclarecido com o tempo.

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Better Call Saul é uma série diferenciada, assim como foi Breaking Bad, a começar pelas características técnicas, como fotografia e enquadramento, que são outros pontos que nos remetem à obra-prima de Gilligan. Better Call Saul é um spin-off como todos que se julguem merecedores de existir deveriam ser. A julgar por esse piloto, me parece que pegaram uma parte pequena, porém bem-sucedida, de Breaking Bad e pretendem desenvolvê-la de forma que, aos poucos, apesar das semelhanças e de alguns personagens repetidos, ela não viva à sombra de sua predecessora, mas construa uma narrativa própria, atraente, e conquiste por seus próprios méritos esse exigente público que seu nome trouxe consigo.

Não quero tornar esse texto sobre Breaking Bad, mas é inevitável trazer mais alguns adendos em referência a ela. Primeiro, Mike trabalhando no estacionamento. Mike foi outro que teve um papel relativamente pequeno, porém não menos marcante, em Breaking Bad, e foi uma peça-chave para o sucesso do plot de Saul Goodman. Sua presença na série foi o que garantiu minhas altas expectativas para essa estreia e espero que sua participação esteja à altura da responsabilidade que atribuímos a ele pelo vindouro sucesso desse spin-off. Mas não foi essa a participação de um ex-Breaking Bad que mais nos supreendeu e nos animou, certo? Certo, porque ninguém menos que o mito Tuco deu as caras nos segundos finais desse piloto! Tuco foi provavelmente meu “vilão” preferido de Breaking Bad (sorry, Gus). Tudo nele denotava aquele clima bad ass cômico que a série intencionava. Mas o melhor não estava no personagem em si, mas sim em quem ele trouxe consigo. Sim, eu estou falando de Hector Salamanca, também conhecido como Tio, que apenas com seu sininho e expressões faciais, se tornou um dos personagens mais emblemáticos de BrBa. E fica a esperança que ele dê o ar da graça nessa série, também.

E com uma direção, roteiro e atuações sensacionais, quase dignos daquela outra série, tivemos um piloto que faz até os mais fervorosos fãs de Breaking Bad respirar aliviados pela evidente mínima probabilidade de que Better Call Saul vá manchar a sagrada reputação da série de Heisenberg. O Saul que aprendemos a amar, com sua personalidade peculiar evidente em cenas como aquela na pista de skate e em seu humor áspero, está ali, pronto para ser desenvolvido com o que esperamos que seja a mesma desenvoltura que fizeram o sucesso dos saudosos Walter White, Jesse Pinkman e companhia. Não vou dizer que está bom nível Breaking Bad, afinal mal começou e é impossível para qualquer uma conseguir tal feito, mas está MUITO bom. Dei nota 9 no Banco de Séries porque, como eu disse, foi um episódio introdutório e em alguns momentos um tanto confuso, mas deixo aqui minhas cinco estrelinhas para avisar para vocês que, sim, existe um spin-off que vale muito a pena acompanhar.

Equipe Mix

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Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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